Governo num “beco sem saída”. Anúncios no parlamento foram “manobra política”, diz Fernando Negrão

Governo num “beco sem saída”. Anúncios no parlamento foram “manobra política”, diz Fernando Negrão


Encurralado num “beco sem saída”, o governo de Luís Montenegro não tinha outra solução que não fosse fazer anúncios. É assim que o antigo ministro social-democrata Fernando Negrão interpreta o bónus nas reformas e as descidas no IRS anunciadas ontem no parlamento. O também antigo líder parlamentar do PSD deixa, ainda, um aviso: os portugueses percebem a intenção do executivo. 


É bom que os políticos comecem a perceber que os portugueses já percebem o que os políticos fazem e sabem, em cada momento, a razão para determinadas medidas. Os portugueses perceberam que o governo estava num beco sem saída e a solução que encontrou foi uma pensão extraordinária a entregar aos nossos pensionistas, que bem precisam, e uma redução do IRS para os primeiros escalões. Os portugueses perceberam que há uma motivação política“, disse Fernando Negrão, esta manhã, à jornalista Eduarda Maio, na rubrica Ponto Central da RTP Antena 1. 

O antigo ministro com as pastas da Segurança Social e da Justiça acredita que Luís Montenegro não respondeu bem, nem a tempo, à crise provocada pelas polémicas que envolvem Luís Neves – e esse é, para Fernando Negrão, um fator de fragilização do executivo.

“O governo não tem grande margem de manobra relativamente ao ministro da Administração Interna porque não agiu imediatamente e deixou prolongar no tempo esta situação – para mais acrescida, quase todos os dias, por pequenas, médias e grandes notícias. Por outro lado, não teve capacidade de resposta para resolver este problema”, sustentou.

O histórico do PSD faz ainda outra leitura do caso e estabelece um paralelismo com a situação da empresa familiar de Luís Montenegro: Fernando Negrão acredita que o primeiro-ministro pensou que o caso iria cair no esquecimento, tal como aconteceu com a Spinumviva.Não aconteceu com Luís Neves o mesmo, porque havia muito mais questões que foram saindo, algumas delas perfeitamente exageradas, mas há duas ou três que são fundamentais, no mínimo no plano ético, para que o governo tivesse agido e tivesse dito ao ministro da Administração Interna que não tinha condições políticas para continuar”, afirmou.

Fernando Negrão sempre foi contra a nomeação do antigo diretor da Polícia Judiciária para o cargo de ministro, diz que lhe falta “elasticidade” e “preparação política”. Duas características que, nesta crise, teriam sido úteis a Luís Neves, refere o social-democrata. “Todas as notícias à volta de Luís Neves é que nos dão o quadro de que ele não tem qualidades políticas para exercer o cargo”, concluiu.



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