Ford vai permitir à Geely produzir na sua fábrica espanhola – Observador
A Ford, a braços com a reduzida taxa de ocupação da unidade fabril que possui em Valência, Espanha, resolveu ceder uma parte da fábrica à Geely, o grupo chinês de Li Shufu, que é dono de marcas como a Volvo, Lotus, Polestar, Zeekr e Lynk & Co, entre outras, além de possuir 50% da Smart e de ser um dos maiores accionistas da Mercedes-Benz. A Geely é, também, um dos poucos construtores chineses que é privado, sem o controlo directo do Estado, apesar de num regime comunista isto ser praticamente impossível de evitar.
A fábrica espanhola da Ford, em Valência, tem vindo continuamente a perder peso entre as instalações fabris do construtor. Em 2017 saíam anualmente 350.000 veículos pelos portões da fábrica que, nos tempos áureos, produzia quatro modelos distintos. Em 2020, a produção já era de apenas 200.000 unidades e, em 2025, não ultrapassou os 100.000 veículos, reduzida apenas ao Kuga. Para manter a fábrica em funcionamento e evitar continuar a cortar nos empregados, a Ford estabeleceu uma joint-venture com a Geely, em que detém 66% e os restantes 34% ficam nas mãos dos chineses que, assim, podem passar a fabricar na Europa os seus eléctricos, evitando as penalizações especiais impostas aos veículos exportados a partir da China.
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Para compensar as ajudas consideradas ilegais pela Organização Mundial do Comércio, atribuídas pelo Estado chinês aos seus construtores, a União Europeia criou uma taxa à importação para o Velho Continente de eléctricos produzidos na China, imposto esse que varia entre 7,8% e 35,3%, a que é necessário adicionar os 10% (taxa aduaneira padrão) que desde há muito são aplicados a todos os veículos vindos da China, bem como de outras origens, o que atira o total para uma taxa entre 17,8% e 45,3%. À Geely, porque não figura entre as marcas que receberam ajudas mais generosas do Governo, coube uma taxa de 18,8%, de que resulta uma taxa total de 28,8%.
O acordo entre a Ford e a Geely visa modernizar a fábrica, de forma a deixar de produzir exclusivamente o Kuga, reforçando a gama com um novo SUV mais pequeno da família Bronco e um novo crossover multienergia, que será desenvolvido a meias com os chineses. Já a Geely anunciou que pretende fabricar em Espanha dois modelos, sendo um deles o Geely E2, nada mais nada menos que um dos modelos mais vendidos na China, onde é conhecido como Geely Xingyuan EX2. O outro modelo é o Geely EX5, que no mercado doméstico é comercializado como Geely Galaxy E5. Os novos modelos da Ford e da Geely começarão a sair de Espanha de forma faseada, entre 2027 e 2028.
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O Geely E2 é um SUV do segmento B, com 4,1 m de comprimento, enquanto o Geely EX5 é um SUV do segmento C com 4,6 m de bitola, com mais potência (até 218 cv) e uma bateria ligeiramente maior. O E2, que é proposto na China pelo equivalente a 9.000€ depois das ajudas do Estado local, chegará a Portugal em 2027 e ainda este ano a Itália, Espanha e Reino Unido. O importador para Itália já definiu os preços, que arrancam nos 19.900€ para a versão promocional de lançamento, enquanto as versões “normais” serão comercializadas por 21.000€ (Pro), 23.000€ (Max) e 25.000€ (Ultra), sendo expectáveis valores similares no nosso mercado.
