Festas Juninas: história e pratos ancestrais de uma das mais importantes manifestações culturais do Brasil
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- Festas Juninas são celebradas em todo o Brasil durante o mês de junho, com danças, fogueiras e comidas típicas.
- Surgiram da fusão de ritos pagãos de solstício de verão, da liturgia católica europeia e da culinária nativa e africana.
- A Igreja Católica incorporou essas festas ao calendário litúrgico, dedicando‑as ao nascimento de São João Batista.
- Chegaram ao Brasil no século XVI, trazidas pelos colonizadores portugueses, e hoje homenageiam Santos Antônio, João e Pedro.
Basta o mês começar para as festas juninas alegrarem os finais de semana de Norte a Sul do Brasil. Trata-se de uma das mais ricas manifestações de sincretismo cultural do povo brasileiro. Mas você sabia que não é um evento 100% nacional? Na verdade, as festas juninas resultam da fusão de ritos agrários pagãos, liturgia católica europeia e a riqueza da culinária nativa e africana.
Antes de se tornarem celebrações dedicadas a Santo Antônio, São João e São Pedro, elas eram dedicadas ao solstício de verão no Hemisfério Norte (festa pagã que celebrava o dia mais longo do ano). Povos antigos, vinculados à terra, realizavam danças, acendiam fogueiras e cantavam para agradecer a fartura das colheitas e pedir fertilidade para o solo.
Com a expansão do Cristianismo na Europa medieval, a Igreja Católica assimilou essas celebrações agrárias e as reintegrou ao calendário litúrgico, dedicando o período ao nascimento de São João Batista.
Por aqui, essa celebração desembarcou no século XVI, trazida pelos colonizadores portugueses. Curiosamente, os jesuítas perceberam que os povos indígenas já realizavam rituais de canto, dança e fogueiras nessa mesma época do ano, facilitando a fusão cultural.
O padre jesuíta Fernão Cardim, em suas crônicas escritas entre 1583 e 1590, registrou que a noite de São João era uma das festividades preferidas dos nativos, que a celebravam com grande entusiasmo ao redor do fogo.
Pratos típicos das festas no Brasil Colonial
O ciclo da colheita do milho, cereal que atingia sua maturação exatamente no mês de junho, foi e ainda é a base para a maioria das receitas juninas. Como as comunidades do interior viviam em função do calendário agrícola, o banquete junino tornou-se um reflexo direto da fartura do campo.
O milho substituiu o trigo europeu na preparação de bolos e broas, unindo-se às técnicas culinárias trazidas pelos portugueses e à herança dos povos indígenas e escravizados africanos.
De acordo com os registros históricos, entre os pratos indispensáveis nos primeiros séculos de festa a canjica tem destaque. Conforme apontado na literatura sociológica e histórica, a canjica (conhecida no Nordeste como mungunzá) era um prato tradicional indispensável nas festas de São João. Sua base consistia no milho cozido, que recebia a adição do leite de coco e especiarias. Ou seja, a receita original ainda segue sendo executada nos dias de hoje.
O Cuscuz de Milho é outra receita ancestral. Antigamente, era feito massa de milho pilada, temperada com sal e cozida ao vapor d’água. Era frequentemente umedecido com leite de coco, adaptando o milho nativo ao processo de cozimento herdado das tradições árabes via Portugal. Hoje o preparo é feito com farinha de milho em flocos.
Também´dos primórdios das festas juninas as pamonhas e os curaus, elaborados a partir do milho verde ralado e espremido que vire uma pasta espessa, cozida com açúcar envolta na própria palha. Atualmente, encontram-se as versões doces e salgadas, recheadas de queijo, linguiça, por exemplo.
Além disso, o bolo de fubá e a pipoca fazem parte dos pratos típicos desde sempre das festas juninas.
Ao longo do tempo juntaram-se receitas feitas com mandioca, amendoim e seu subproduto como a paçoca e até outros cereais, como o arroz doce.
