Em Porto Alegre, Lula diz que nenhum governante estrangeiro vai interferir na eleição no Brasil

Em Porto Alegre, Lula diz que nenhum governante estrangeiro vai interferir na eleição no Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o palanque montado no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, na noite desta sexta-feira (11), para mandar um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a 23 dias do primeiro turno. Diante de um público que a organização do ato estimou em 28 mil pessoas, e sob uma garoa que não parou durante as quase três horas de comício, Lula afirmou que vai se encontrar com Trump no dia 23, na Assembleia Geral das Nações Unidas, e que pretende dizer isso a ele.

Candidato à reeleição discursou por mais de uma hora e disse que vai encontrar Donald Trump no dia 23, na Assembleia Geral das Nações Unidas | Crédito: Jorge Leão

“Eu não me meto nas eleições americanas, porque a eleição americana é uma coisa que interessa ao povo americano. Você foi eleito e eu respeito o resultado das eleições. Agora, por favor, não mexa com filho da dona Lindu, porque eu gosto de todo mundo, eu gosto de respeitar e gosto de ser respeitado”, disse o presidente, em referência à mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu.

Antes, havia dito que “nenhum presidente de outro país vai meter o bedelho nas nossas eleições” e que, se o fizer, “vai perder”. Lula lembrou que o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura da Assembleia Geral: “Depois que eu falo, fala o Trump. Então ele vai estar atrás de mim olhando eu falar e depois eu vou ficar olhando ele falar.”

O trecho foi o mais aplaudido de um discurso que passou de uma hora e percorreu custo de vida, política para mulheres, educação, saúde e a relação do governo federal com o Rio Grande do Sul. Lula chegou ao palanque por volta das 21h, depois das falas dos candidatos gaúchos ao Senado e governo do estado, e pediu que desligassem os refletores voltados para o palco. “Agora eu estou enxergando as pessoas que estão lá atrás”, disse.

O que o presidente fez

Lula estruturou boa parte da fala em comparações com o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Ele afirmou que a gestão atual tem “a melhor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil” e que o salário mínimo subiu acima da inflação em todos os seus mandatos. No capítulo dos alimentos, apresentou os números que virou a marca do comício: “Sabem quanto foi a inflação de alimentos dos quatro anos do Bolsonaro? Cinquenta e seis por cento. Sabem quanto foi a nossa inflação de alimentos? Treze por cento. Cinco vezes menos.”

Comício reuniu 28 mil pessoas no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, na noite desta sexta-feira (11) | Crédito: Jorge Leão

O presidente reconheceu, no mesmo trecho, que o preço da comida segue pesando. “Mesmo assim, eu sei que o custo de vida está caro. Eu sei que vocês vão no supermercado e as coisas estão caras. A carne está cara, o café está caro. O ano passado, o ovo estava nas nuvens”, afirmou. Ele disse que, no primeiro governo, um salário mínimo comprava duas cestas básicas; que, ao voltar ao Planalto, comprava uma e meia; e que agora voltou a comprar duas. “Eu quero chegar ao salário mínimo comprando muito mais cesta básica.”

Lula também tratou do escândalo de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tema que a oposição levou para o Congresso neste ano. Segundo ele, a fraude foi montada no governo anterior e desmontada no atual: “Ela foi criada no governo do Bolsonaro. Ela foi desmontada por mim.”

O presidente afirmou que aposentados e pensionistas lesados foram ressarcidos e que bens de investigados foram bloqueados para recompor os cofres públicos. Lula disse ainda que defendeu internamente a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a Previdência, mas que o partido avaliou que não cabia ao governo abrir investigação sobre si mesmo. “A direita abriu e tentou jogar nas nossas costas a responsabilidade da corrupção da Previdência Social.”

Uma hora sobre mulheres

O bloco mais longo do discurso foi sobre política para mulheres, e veio logo depois de um vídeo em homenagem às gaúchas e brasileiras exibido nos telões – a primeira imagem era uma foto de dona Lindu. Lula contou que a decisão de criar um pacto contra o feminicídio nasceu no café da manhã, com a mulher, Rosângela Lula da Silva, a Janja, lendo notícias no celular. “Ela fica com o celular e fica chorando: ‘Amor, mataram uma mulher ontem. Amor, você viu o elevador? O cara deu 60 socos no rosto da namorada. Amor, você viu que o ex-namorado atropelou a ex-namorada e saiu arrastando ela no carro?’”

A partir daí, o presidente listou dados do pacto firmado com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado e da Câmara: 11 leis aprovadas, quatro decretos, 34 mil prisões de agressores, 167 mil medidas protetivas e 407 mil mulheres atendidas. Disse que o prazo médio de análise de uma medida protetiva caiu de 16 para três dias e que as denúncias pelo Ligue 180 saltaram de 9 mil, entre 2019 e 2022, para 439 mil no mandato atual. “Sabem o que significa isso? Significa confiança na política de cuidado das mulheres que nós estamos fazendo.”

Público chegou ainda durante a tarde e permaneceu até o final mesmo sob uma garoa que não parou durante as quase três horas de comício | Crédito: Jorge Leão

Lula citou ainda 13 unidades da Casa da Mulher Brasileira em funcionamento e 31 em construção, 3,4 milhões de meninas atendidas pelo programa de dignidade menstrual, 64 carretas de exames de imagem em circulação – com meta de 150 – e mais de 8 milhões de mamografias realizadas no mandato. Sobre a lei de igualdade salarial, aprovada no Senado no ano passado, disse que a mudança é de renda e de autonomia: “A mulher é mais do que salário. É independência.”

Em outro momento, o presidente falou diretamente aos homens no público, atribuindo a lição à mãe. “Ela dizia: ‘Meu filho, se você casar e tiver divergência com a tua mulher, nunca levante a mão para a sua mulher’”, contou. E emendou: “O ciúme não é uma doença. É falta de caráter, porque quem tem ciúme da mulher é porque não confia na sua mulher.” Lula defendeu que a mudança passa pela escola: “A criança, desde pequena, tem que saber que menino não é mais forte do que menina, não é mais inteligente do que menina.”

Universidades, institutos e a promessa do tempo integral

Lula desafiou pesquisadores a comparar governos desde a Proclamação da República. “Este país tem presidente da República desde 1889. Eu desafio os professores das universidades, os especialistas, a pesquisarem para dizer se um dia, um mês ou um ano o estado do Rio Grande do Sul recebeu a quantidade de investimento que recebeu com Lula e Dilma presidindo este país.”

Ele afirmou que a elite brasileira construiu 144 universidades federais em mais de cinco séculos e que, somados os seus mandatos aos de Dilma Rousseff, foram criadas mais do que isso, além de centenas de institutos federais. No recorte gaúcho, disse que 22 dos 30 campi universitários federais do estado e 41 dos 53 institutos federais foram criados nesses governos, citou a criação da Universidade Federal do Pampa e afirmou que nove novas unidades de institutos federais estão em obras no estado neste mandato. Lul disse também que 228 mil jovens do ensino médio no Rio Grande do Sul recebem o Pé-de-Meia, criado, segundo ele, porque “as crianças estavam desistindo de estudar para trabalhar”.

Lula falou diretamente aos homens no público sobre a violência contra a mulher | Crédito: Jorge Leão

O anúncio de campanha veio na sequência: escola de tempo integral, inclusive no ensino médio. “As crianças não têm que ficar só quatro horas na escola. Têm que aprender cultura, têm que aprender arte, têm que aprender a questão ambiental”, afirmou. Sobre a juventude, prometeu bolsas no exterior e formação em inteligência artificial em português: “Nós não queremos ser apenas exportador de carne, de minério de ferro. Nós queremos exportar conhecimento.”

Lula falou ainda da própria saúde. Tratado de um câncer na laringe em 2011 e, mais recentemente, de uma lesão de pele, disse que passou a usar chapéu depois da radioterapia e defendeu a universalização dos equipamentos: “Qualquer pessoa, o mais humilde catador de material reciclado, vai fazer na mesma máquina que eu faço.”

O estado que Lula não vence desde 2002

O Rio Grande do Sul é o único estado do Sul onde o petista nunca venceu desde a primeira eleição presidencial que ganhou. O candidato a vice-governador Edegar Pretto (PT) abriu o comício lembrando o dado: “É muito lindo ver o entusiasmo do povo gaúcho, a disposição de vocês para fazer o presidente Lula vencer novamente aqui no nosso estado, o que não acontece desde 2002.”

Candidato a vice-governador lembrou que o Largo Glênio Peres ficou submerso na enchente de maio de 2024 e pediu voto nos dois nomes da chapa ao Senado | Crédito: Jorge Leão

Pretto era pré-candidato ao governo, como em 2022, e abriu mão para compor com Juliana Brizola (PDT) numa frente de oito partidos. “Nós nos juntamos, presidente: oito partidos. Mas, para além dos partidos políticos, nós nos juntamos com o povo gaúcho”, disse. Ele também cobrou voto nos dois candidatos ao Senado da chapa e afirmou que, com maioria na Assembleia Legislativa, “a Juliana Brizola e eu não vamos precisar pedir apoio à extrema direita para mudar o nosso Rio Grande”.

Do palanque, Pretto lembrou que o próprio Largo Glênio Peres ficou submerso na enchente de maio de 2024. “Aqui neste lugar, presidente, na enchente de 24, ficou tudo tomado de água. Parecia um grande rio. E, se nós estamos nos levantando, é porque o povo gaúcho é um povo valente, resiliente. Mas nós nos levantamos também porque o senhor e o governo federal não faltaram.”

Depois da fala de Pretto, os telões exibiram um vídeo com imagens de Leonel Brizola. A neta, Juliana Brizola, candidata ao governo, falou em seguida e disse que nunca havia discursado diante de um presidente da República. Juliana defendeu a união com o petismo: “Lula e Brizola muitas vezes caminharam separados, mas, quando o Brasil chamou, quando a hora era derradeira, Lula e Brizola estavam sempre juntos, defendendo a democracia, o Estado de direito.”

Candidata ao governo do Rio Grande do Sul falou pela primeira vez diante de um presidente da República e cobrou fundo constitucional de desenvolvimento para o estado | Crédito: Jorge Leão

A candidata concentrou as críticas no modelo econômico dos últimos 12 anos de governo estadual – período que soma as gestões de José Ivo Sartori e Eduardo Leite. “Eles venderam tudo: venderam a nossa água, venderam a nossa energia, aumentaram impostos, tudo em nome de botar as contas em dia. Pois bem, Edegar, prepara, porque nós estamos herdando uma dívida desse modelo econômico que não botou as contas em dia”, afirmou, citando um rombo de R$ 4,8 bilhões, mais de 800 mil pessoas em filas da saúde e “índices vergonhosos na educação”.

Juliana disse que, eleita, vai pedir a Lula a prorrogação do prazo de suspensão do pagamento da dívida do estado com a União, que se encerra no ano que vem, e a criação de um fundo constitucional de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul, nos moldes dos que existem para o Nordeste e o Centro-Oeste. “O Nordeste tem, o Centro-Oeste tem. Nós estamos precisando agora, presidente.” Ela também prometeu coordenar pessoalmente um programa estadual contra o feminicídio: “Eu não vou terceirizar para ninguém.”

Público levou bandeiras e cartazes para o Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, na noite desta sexta-feira (11) | Crédito: Jorge Leão

Antes, em resposta às hostilidades da campanha, a candidata havia dado a orientação que repetiu em atos anteriores: “Quando eles vierem com ódio, dizendo uma palavra de ofensa, entregue uma rosa. Entregue a rosa vermelha socialista. Nós somos o lado da paz.”

Os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra acompanharam o comício e foram citados nominalmente por Lula e por Juliana Brizola. Lula contou que conheceu os dois em 1975, quando Dutra tomava posse no sindicato dos bancários e ele, no dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

A despedida de Paim e a disputa pelas duas vagas no Senado

Antes da abertura oficial, falou o senador Paulo Paim (PT), que encerra em janeiro quatro décadas de mandatos e não disputa a reeleição. “É o meu último mandato como senador, por opção própria”, disse. Ele listou leis de que foi autor – Estatuto do Idoso, Estatuto da Igualdade Racial, Estatuto da Pessoa com Deficiência, Estatuto da Juventude, leis sobre autismo e Alzheimer – e atribuiu as aprovações à parceria com o presidente: “Eu não teria aprovado nenhuma dessas se não fosse o meu companheiro que esteve sempre ao meu lado, Luiz Inácio Lula da Silva.”

Paim dedicou parte da fala à redução da jornada de trabalho. Lembrou que, na Constituinte, a jornada caiu de 48 para 44 horas semanais, e afirmou ter um projeto parado no plenário do Senado desde 2015. A proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada para 40 horas sem redução de salário foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no dia 2 de setembro e aguarda votação no plenário – o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já afirmou publicamente que a votação ficará para depois das eleições. Paim disse ter conversado com ele: “Sabem o que o Davi me disse? ‘Painho, se o Lula falar comigo, eu boto para votar’. E o Lula, como líder que é, falou com o Davi.” O senador se declarou “convicto” de que a jornada será reduzida.

Ele também anunciou a quem entrega o que chamou de bastão: “Eu estou entregando o bastão a Manuela e Pimenta”. São duas vagas em disputa no estado, e a chapa pede que o eleitor use os dois votos nos seus nomes.

Candidata ao Senado abriu o comício às 19h30 e pediu reforços em Brasília para votar o fim da escala 6×1 | Crédito: Jorge Leão

Manuela d’Ávila (PSol) abriu oficialmente o comício, às 19h30. “A mim tem sido dada a tarefa de abrir os nossos comícios, e eu sinto isso como uma verdadeira homenagem a cada uma das mulheres gaúchas e brasileiras que abriram os caminhos para a nossa vitória em 2022”, disse.

A candidata conectou o pedido de voto a pautas legislativas: “Presidente, o senhor precisa de reforços em Brasília. Precisa de reforços para nós votarmos o fim da escala 6×1. Precisa de reforços para que nós paremos de enterrar as nossas mulheres. Precisa de reforços no Senado para abrir um tempo em que a jogatina, que tem destruído as famílias e prejudicado a nossa economia, seja proibida”.

Manuela citou os antecessores que reivindica no estado. “Este Rio Grande pegou fama de conservador no Brasil. Para mim, é o Rio Grande de Olívio e de Tarso. Para mim, é o Rio Grande de Colares e Brizola.” E lançou o que chamou de desafio, a poucos dias do início da primavera: que cada pessoa no comício converse com quem ainda considera o voto pouco importante.

Paulo Pimenta (PT), também candidato ao Senado da chapa, lembrou os atos em Curitiba durante a Operação Lava Jato e disse que o número 131 combina o do presidente com o eleitor: “É o 13 do Lula mais o 1, que é cada um e cada uma de vocês”. Pimenta cobrou a abertura de sigilos sobre financiamento de campanhas e afirmou, sem apresentar documentos no palanque, que recursos do esquema de descontos em benefícios previdenciários teriam irrigado campanhas da extrema direita.

Não vamos aceitar manipulação. Queremos que a verdade apareça”, disse. Ele também fez a ligação entre soberania e recursos naturais: “Nós temos petróleo, terras raras, minerais críticos. Mas o Brasil é dos brasileiros. Aqui não tem bandeira dos Estados Unidos”.

Candidato ao Senado cobrou a abertura de sigilos sobre financiamento de campanhas e disse que sua votação depende do eleitor que já vota em Lula | Crédito: Jorge Leão

Janja falou antes do vídeo de homenagem às mulheres e pediu voto em candidatas. “Mulher tem que votar em mulher. Desculpa, meus companheiros, mas aqui eu quero dizer isso, e é muito importante. O Brasil, infelizmente, ainda ocupa uma posição muito ruim de representação feminina”, afirmou.

Ela agradeceu a presença sob a chuva e convocou o público para a mobilização de rua marcada para este domingo (13), quando militantes de todo o país devem ocupar pontos de circulação com adesivos e bandeiras. “Não se esqueçam: domingo, dia 13, é dia de mobilização. Eu vou estar nas ruas, lá em Brasília, conversando, colocando adesivo no peito, levando a bandeira do presidente Lula”, disse. “Vamos defender aquilo que conquistamos e lutar por aquilo que ainda falta conquistar.”

Janja agradeceu a presença sob a chuva e convocou o público para a mobilização de rua marcada para este domingo (13)
Janja agradeceu a presença sob a chuva e convocou o público para a mobilização de rua marcada para este domingo (13) | Crédito: Rafael Rosa

O chamado veio acompanhado do argumento que ela repetiu ao longo da fala: a eleição se decide no contato direto. “A gente ganha no voto. E o voto também se constrói na conversa, em casa, no trabalho, na escola, na igreja, no almoço em família, numa roda de conversa com amigos na nossa comunidade”, afirmou. “Aquela conversa olho no olho, na palavra que devolve a esperança para quem está desanimado.”

Janja pediu atenção especial ao eleitorado idoso: “Vamos também conversar com nossos pais, com as mães, com os avós, com as nossas pessoas idosas. É muito importante que elas vão votar no dia 4 de outubro.” E completou, sobre o que chamou de memória do que já foi vivido: “Nós já sabemos como é viver na escuridão e não queremos voltar para lá”.

Quem atravessou o estado para estar ali

A concentração começou no fim da tarde com um cortejo de trabalhadores da cultura que saiu da Casa de Cultura Mario Quintana com bonecos de pano, faixas bordadas e percussão. No largo, parte do público havia chegado de outras cidades e de outros estados.

Concentração para o comício | Crédito: Clara Aguiar

José Itamar da Silva Machado, pequeno produtor rural de Piratini, na região sul do estado, viajou quatro horas com a mulher, as duas filhas e o neto. “Nós vamos ver o Lula”, disse, antes de explicar por que trouxe as crianças: “É importante para a gente ir mostrando para eles como é que é, porque hoje em dia a maioria dos jovens não quer saber de política, e aí quem se beneficia é aquele colarinho branco lá em cima. Tem que entender minimamente de política para poder votar”. Sobre a eleição, resumiu: “A importância é fundamental, porque representa tudo, principalmente para a classe trabalhadora”.

Maria Loures, de 70 anos, hoje moradora de Santa Catarina, disse ter votado na esquerda a vida inteira. “O que o povo conquistou foi com a esquerda”, afirmou. Ela classificou a disputa deste ano comouma questão de vida ou de morte” e disse que faz campanha no estado onde vota: “É meio triste em Santa Catarina, mas estamos fazendo movimento lá”.

Também catarinense, Maria Bernadete, de 64 anos, veio visitar o filho e aproveitou a viagem. “Já vim aproveitar para vir no comício do Lula e também fortalecer que nós precisamos ganhar no primeiro turno. Lá em Santa Catarina, não é fácil, mas a gente está na luta e tem que fazer a nossa parte.”

Jornalista Daía, de 30 anos, no comício do Lula | Crédito: Clara Aguiar

A jornalista Daía, de 30 anos, lembrou a data do comício, 11 de setembro, e o que ela representa para parte do público. “A última eleição do Lula a gente ainda enfrentou uma direita muito forte no país, então é muito importante reeleger o Lula”, disse. “A gente tem que continuar lutando para que isso não aumente no Brasil.”

O primeiro turno será no dia 4 de outubro, um domingo. Os eleitores gaúchos terão seis votos: deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente. Foi nessa ordem que Lula fez o pedido final no palanque, antes de descer para cumprimentar quem estava na frente das grades.





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