‘É das favelas, território mais impactado pelo clima, de onde vêm as soluções’, afirma especialista sobre Semana do Clima

‘É das favelas, território mais impactado pelo clima, de onde vêm as soluções’, afirma especialista sobre Semana do Clima


As favelas e periferias em todo o país são os territórios que mais sofrem os impactos diretos das mudanças climáticas, como deslizamentos, enchentes, calor excessivo e precariedade de acesso ao saneamento básico. A partir dessa provocação, a São Paulo Climate Week (Semana do Clima de SP) ocupa, até sexta-feira (7), o Museu das Favelas, conectando empresas, governos, investidores e sociedade civil para transformar compromissos em projetos, investimentos e ação nos territórios.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Jairo Malta, curador do Museu das Favelas, que recebe parte da programação, define como importante essa iniciativa de colocar a periferia no centro do debate sobre o clima, não apenas por serem os espaços que mais sentem impactos, mas porque é também de onde surgem soluções. “São nesses territórios que são desenvolvidas ferramentas, projetos, são desenvolvidas formas de como enfrentar a crise sem onerar ainda mais a vida do cidadão periférico”, explica.

Malta também relata a experiência pessoal de ter feito parte de iniciativas desse tipo, como a Confluência das Favelas, que trabalhava com a ideia de cruzar tecnologias de organizações sociais. “A gente pegava uma organização social de Queimados, no Rio de Janeiro, que trabalha com alagamentos, que prevê ali durante todo mês os dias e as semanas que seriam piores para a população e conseguia trabalhar diretamente com a Defesa Civil, pegava essa forma de tecnologia e levava para territórios de Macapá (AP) ou de Belém (PA), que passavam por problemáticas parecidas, mas que o governo federal muitas vezes não tinha esse acesso de bate-pronto. Então a gente passou a ter esses dados que a gente hoje chama de dados criados pelas periferias”, aponta.

Jairo Malta explica que os três eixos de atuação presentes no evento (governo, iniciativas privadas e sociedade civil) tornam o encaminhamento de demandas mais articulado, e isso diferencia bastante do objetivo da Conferência do Clima, por exemplo, em que o foco principal é governamental.

“A Semana do Clima é justamente o momento em que a sociedade civil, os empresários e o governo vão conseguir se unir, seja o governo criando políticas públicas, seja as organizações criando projetos para esse enfrentamento. E as empresas são muito importantes, porque elas não só são responsáveis por emissões gigantescas de gás carbônico, mas também por apoiar financeiramente esses projetos, essas organizações”, pondera.

Para ouvir e assistir

É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





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