Duelo de gigantes entre Anthropic e OpenAI pode moldar o futuro da inteligência artificial

Duelo de gigantes entre Anthropic e OpenAI pode moldar o futuro da inteligência artificial


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O mundo corporativo é repleto de batalhas pela supremacia em mercados promissores que, com frequência, revolucionam setores inteiros e o nosso próprio modo de vida. O embate mais importante do momento ocorre na área da inteligência artificial (IA), cujo faturamento global deve escalar de 540 bilhões de dólares em 2026 para algo como 3,5 trilhões em 2033, segundo a consultoria americana Grand View Research. Nesse campo, o duelo particular entre a OpenAI, dona do ChatGPT, e a Anthropic, criadora do Claude, se destaca pelas cifras estratosféricas envolvidas, pelas rixas pessoais e, sobretudo, pelas visões distintas sobre os limites para que as IAs não violem a privacidade e a segurança de ninguém.

À frente dessa disputa estão Sam Altman, comandante da OpenAI, e Dario Amodei, fundador da Anthropic. Antes de se tornarem adversários, porém, os dois trabalharam juntos. A parceria começou em 2016, quando Amodei ingressou na OpenAI, fundada no ano anterior por Altman, Elon Musk e outros nomes do setor de tecnologia. Criada como uma entidade sem fins lucrativos, a empresa pretendia desenvolver uma IA capaz de rivalizar com os projetos da Alphabet, controladora do Google. Altman assumiu a presidência, enquanto Amodei avançou na hierarquia até se tornar vice-presidente de pesquisa. Musk deixou a OpenAI em 2018. No ano seguinte, a organização virou uma empresa regular, com metas e busca de lucros. Amodei saiu no fim de 2020 e fundou a Anthropic em 2021.

DEFESA - Altman, da OpenAI: contrato rentável com o governo americano
DEFESA - Altman, da OpenAI: contrato rentável com o governo americano (Anna Moneymaker/Getty Images)

Na época em que estavam na mesma empresa, os desentendimentos de Amodei com Altman já eram claros. Eles divergiam sobre o grau de rigor que deveria orientar a segurança dos sistemas e a proteção da privacidade dos usuários. Amodei defendia restrições mais severas, enquanto Altman adotava uma postura mais flexível. Essa diferença reapareceu em fevereiro de 2026, quando o presidente americano Donald Trump rompeu um contrato de 200 milhões de dólares entre o Departamento de Guerra e a Anthropic. A empresa se recusou a liberar aplicações de IA que, segundo ela, poderiam ser usadas na vigilância em massa da população e de empresas, com riscos à privacidade. Trump reagiu acusando a companhia de ser “esquerdista” e, no dia seguinte, anunciou um contrato semelhante com a OpenAI. As diferenças entre Amodei e Altman também dizem respeito ao modelo de negócio. Enquanto Amodei aposta em soluções para empresas, baseadas no aumento da capacidade computacional de seus data centers, Altman enfatiza as demandas do público em geral e a otimização da ferramenta para entregar mais com menos máquinas. As divergências que afastaram os dois deram origem a estratégias distintas e transformaram antigos colegas em protagonistas da maior rivalidade da indústria de inteligência artificial.

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Até agora, os resultados indicam que Amodei tem levado vantagem na guerra da IA. “Seus modelos se destacam pela performance”, afirma Raul Ikeda, professor na faculdade Insper. “Isso gera maior procura dos usuários.” Em cinco anos e meio, a Anthropic alcançou um valor de mercado de 965 bilhões de dólares e um faturamento de 65 bilhões, superando a OpenAI, avaliada em 852 bilhões e com receita de 40 bilhões. “A Anthropic tem uma estratégia de monetização mais bem direcionada”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue.

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É isso que baliza também as ofertas públicas iniciais (IPOs) das duas empresas. A Anthropic espera captar até 100 bilhões de dólares, superando os 75 bilhões da SpaceX, que ainda detém o título de maior IPO da história. O valor de mercado da companhia deve subir para 2 trilhões de dólares com a operação, prevista para ocorrer nos próximos meses. Já a OpenAI planeja abrir seu capital em 2027, em uma operação de até 60 bilhões de dólares. Com isso, calcula-se que a empresa seja avaliada em 1 trilhão de dólares. Ciente de que está ficando para trás, a cúpula da empresa tenta animar os funcionários. “Disputamos a nossa própria corrida”, disse há alguns dias Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI. Pelo visto, o duelo entre os dois titãs da IA terá ainda muitos lances.

Publicado em VEJA de 28 de agosto de 2026, edição nº 3010



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