Diagnóstico precoce e tratamento adequado podem devolver até 2,5 dias de vida saudável por ano a cada mulher – Notícias de Coimbra – NDC
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A forma como os cuidados de saúde são prestados às mulheres continua a ser um fator crítico para explicar porque é que as mulheres passam mais tempo em pior estado de saúde em comparação com os homens.
De acordo com o relatório “CARE for Women: Investing in Care Delivery to Improve Women’s Lives and Livelihoods”, do McKinsey Health Institute em colaboração com o World Economic Forum, cerca de 34% desta lacuna resulta de falhas na prestação de cuidados de saúde às mulheres, nomeadamente ao nível do rastreio, diagnóstico e tratamento.
O estudo demonstra que, apesar de existir evidência clínica sólida e soluções disponíveis, estas nem sempre são aplicadas de forma consistente ao longo do percurso clínico das mulheres. Esta realidade traduz-se em diagnósticos tardios, tratamentos menos adequados e oportunidades falhadas de prevenção, com impacto direto na saúde e na qualidade de vida.
Ao melhorar a forma como os cuidados são prestados, tornando-os mais consistentes, integrados e ajustados às necessidades específicas das mulheres, os sistemas de saúde poderiam permitir recuperar a cada mulher, em média, até 2,5 dias de vida saudável por ano.
Para além das consequências clínicas, a saúde das mulheres representa também uma oportunidade económica relevante. O relatório do McKinsey Health Institute evidencia que o reforço da prevenção, com um investimento antecipado em cuidados preventivos, pode gerar entre três e seis vezes mais valor para os sistemas de saúde, ao evitar complicações e reduzir custos associados a eventos clínicos graves, aumentando a eficiência dos sistemas de saúde.
Este potencial traduz-se em ganhos relevantes para os sistemas de saúde e para a economia. A redução da lacuna na saúde das mulheres poderá acrescentar cerca de 1 bilião de dólares por ano à economia global até 2040. Uma melhor saúde das mulheres está também associada a maior participação no mercado de trabalho, menor absentismo e ganhos sustentados de produtividade, com benefícios diretos para a economia e a sociedade.
O relatório identifica três áreas clínicas onde se concentram algumas das maiores oportunidades de melhoria na prestação de cuidados:
Saúde cardiovascular – incluindo o uso de indicadores como a calcificação arterial mamária (BAC), presente em cerca de 20% a 30% das mamografias, representando uma oportunidade ainda subaproveitada para identificar e prevenir risco cardiovascular
Saúde materna e gravidez – nomeadamente complicações como diabetes gestacional e pré‑eclâmpsia, uma condição que afeta cerca de 8% das grávidas e que é responsável por aproximadamente 16% das mortes maternas a nível global, muitas das quais podem ser mitigadas com melhor acompanhamento a longo prazo.
Saúde mental materna – em particular a depressão perinatal, que afeta entre 10% e 20% das mulheres, permanecendo subdiagnosticada e associada a riscos significativos para a mãe e para o bebé
Segundo o estudo, melhorias ao longo destes percursos, desde o diagnóstico precoce ao acompanhamento e tratamento, podem reduzir a ocorrência de eventos clínicos graves, com impacto direto na vida das mulheres e na sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Para dar resposta a estas falhas, o relatório propõe um conjunto de prioridades claras para melhorar a forma como os cuidados de saúde são prestados às mulheres: reforçar a evidência clínica, integrar os percursos de cuidados, clarificar orientações e standards e aumentar o envolvimento das mulheres ao longo do seu percurso de saúde.Isto permite sistemas de saúde mais capazes de identificar riscos precocemente, assegurar continuidade de cuidados e aplicar de forma consistente boas práticas clínicas já existentes.
Uma das principais conclusões do relatório é que uma parte relevante da lacuna na saúde das mulheres pode ser reduzida com intervenções já disponíveis, sem necessidade de inovação disruptiva, mas através de maior consistência, integração e foco na prevenção.
Para tal, o relatório destaca a necessidade de atuação coordenada entre diferentes intervenientes — incluindo governos, sistemas de saúde, profissionais, setor privado e organizações da sociedade civil — com medidas como a definição de orientações clínicas mais consistentes, o reforço do acompanhamento ao longo da vida e o investimento em prevenção e diagnóstico precoce. Esta transformação passa por maior integração dos cuidados e pela capacidade dos sistemas de saúde para identificar e acompanhar precocemente situações de maior risco.
O potencial de melhoria dos cuidados de saúde para as mulheres existe. O desafio não está em saber o que fazer, mas em garantir execução consistente. É isso que determinará o impacto real nos sistemas de saúde e na economia.
