Crise migratória em Ceuta leva UE a convocar reunião de emergência
A União Europeia (UE) convocou uma reunião de emergência para discutir a crise migratória em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. O pedido foi formalizado em uma carta enviada à Irlanda, que ocupa a presidência rotativa da do bloco europeu.
O encontro foi solicitado por 22 países-membros da UE, que pediram uma resposta conjunta diante da chegada em massa de migrantes à cidade.
No documento, os países defendem a possibilidade de ampliar o apoio da agência europeia de fronteiras, a Frontex, além de revisar a cooperação com Marrocos para conter novas travessias.
Os governos afirmam que a situação representa um desafio para a fronteira externa da UE e alertam que o episódio pode estimular novos casos de imigração irregular. Alguns países como França, Luxemburgo, Portugal, Espanha e Irlanda não assinaram o documento.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, apoiou a realização da reunião, que contará com ministros do interior dos países europeus. Ao mesmo tempo, criticou governos que passaram a defender a exclusão da Espanha da área de livre circulação do Acordo de Schengen.
Na sexta-feira (31/7), a Itália anunciou a suspensão, por um mês, da aplicação do Acordo de Schengen em relação à Espanha. Com a medida, passageiros que chegarem da Espanha por avião ou navio voltarão a passar por controle migratório nas fronteiras italianas.
Situação em Ceuta
O governo espanhol informou neste sábado (1º/8) que conseguiu conter o fluxo de entrada de migrantes e que a situação na cidade está próxima da normalidade.
Segundo as autoridades, mais de 48 mil das cerca de 50 mil pessoas que entraram em Ceuta desde quinta-feira (30/7) já retornaram ao Marrocos.
O balanço de vítimas também foi atualizado. Pelo menos 67 pessoas morreram durante a crise migratória.
Grande parte dos migrantes deixou o Marrocos por dificuldades econômicas e foi incentivada por boatos disseminados nas redes sociais, segundo informações das autoridades.
Enquanto isso, soldados e agentes da Guarda Civil seguem patrulhando a praia de Tarajal, principal ponto de chegada dos migrantes, em busca de pessoas que ainda permanecem na região.
Para tentar impedir novas travessias, a Espanha iniciou a instalação de uma barreira flutuante de cerca de 500 metros no mar, justamente na área por onde milhares de pessoas cruzaram a nado nos últimos dias.








