Cenário favorável a Lula pode significar reconhecimento de políticas do governo, diz cientista político
As convenções partidárias estão chegando ao fim e agora é possível ter um desenho mais definido da disputa eleitoral de outubro. Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui 39% das intenções de voto no primeiro turno e venceria todos os cenários de segundo turno. Apesar de a disputa seguir acirrada, há um cenário favorável à reeleição de Lula.
A pesquisa considerou as candidaturas de Lula; Flávio Bolsonaro (PL), que teria 30% das intenções de voto; Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que teriam 4% cada; Romeu Zema (Novo), com 2%; Cabo Daciolo (Mobiliza), o escritor Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP), com 1% cada; e Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB), todos sem representação de votos significativa. Indecisos são 10% e 8% são brancos, não votarão ou votarão nulo.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Mateus de Albuquerque, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que é possível fazer duas análises sobre o cenário: a primeira é de um favorecimento passageiro, que passa necessariamente por todas as trapalhadas envolvendo a família Bolsonaro, e a outra é a evidência de uma consolidação do governo Lula diante das políticas aprovadas mais recentemente, com destaque à isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e ao programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0. “A combinação desses dois méritos do governo pode estar gerando uma maioria um pouco mais consolidada.”
O analista também lista o que define como “os muitos erros da família Bolsonaro”: “A relação para lá de esquisita e entreguista da família Bolsonaro com Trump, as medidas da família Bolsonaro, as relações perniciosas da família Bolsonaro no caso do Banco Master, tudo isso mina a popularidade do Flávio e faz com que aqueles 10% indecisos, que são uma minoria decisiva da eleição, que tendem a pender tanto para um lado quanto para o outro, acabem pendendo mais para o Lula. Esse cenário eu chamo de passageiro porque é uma transição frágil. E, se qualquer coisa, escândalo que possa envolver o governo acontecer, esses votos podem ir para Flávio”.
Albuquerque avalia que o movimento do Centrão de declarar neutralidade no primeiro turno também reforça o favoritismo de Lula. “O eleitor do Lula está inseguro se ele vai ganhar, mas o União Brasil e o Progressistas acham que sim. A aposta que eles estão fazendo é que o Lula vai ganhar. E essa é a única razão pela qual eles não estão entrando na chapa do Flávio Bolsonaro. Isso, obviamente, para o senador é muito ruim”, aponta o cientista político.
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