Caso Nowak. Polícias investigados por “má conduta grave” – Observador

Os dois polícias britânicos que intervieram no caso de Henry Nowak, um jovem de 18 anos que foi mortalmente esfaqueado em dezembro do ano passado, estão a ser alvo de uma investigação por uma possível “má conduta grave”, avançou o Independent Office for Police Conduct (IOPC), organismo responsável pela fiscalização da atuação policial em Inglaterra e no País de Gales, citado pela BBC.
“As provas indicam que os agentes — que foram os primeiros a chegar ao local no final da noite de 3 de dezembro de 2025 — podem ter violado as normas de conduta profissional relativas aos deveres e responsabilidades, ao uso da força e à conduta desonrosa”, lê-se no comunicado do IOPC.
Segundo o organismo, os dois polícias poderão ter falhado em reconhecer que o jovem precisava de assistência médica urgente e não terão prestado primeiros socorros de imediato, optando por algemá-lo enquanto afirmava ter sido esfaqueado e dizia: “Não consigo respirar”.
O caso remonta ao final de 2025, quando Nowak foi encontrado ferido no chão em Southampton, depois de ter sido esfaqueado por Vickrum Digwa, entretanto condenado a prisão perpétua. Após ter sido confirmada a morte no local, Digwa não foi algemado pelas autoridades britânicas, como mostram as imagens divulgadas na passada sexta-feira pelo The Telegraph.
Esfaqueado e depois algemado pela polícia após acusações de racismo. Como a morte de um jovem de 18 anos está a abalar o Reino Unido
O diretor do IOPC, Derrick Campbell, sublinhou ainda que a existência de notificações de investigação por má conduta grave “não significa necessariamente que venham a ser instaurados processos disciplinares”, decisão que será tomada no final da investigação.
Campbell admitiu, no entanto, que o caso poderá ter afetado de forma séria a confiança pública na polícia. “Há evidências claras de que a confiança pública na força policial pode ter sido seriamente prejudicada por este incidente, e esse é um fator que devemos considerar ao avaliar as provas”, explicou.
