Caso Dom e Bruno avança para júri popular em Manaus após quatro anos
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- Acusados pelos assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira serão julgados pelo Tribunal do Júri em Manaus.
- O processo está pronto, porém ainda não há data definida para a sessão.
- A transferência de Tabatinga para Manaus foi vista como positiva por organizações, pois melhora a logística e reduz risco de interferência.
- O crime ocorreu em junho de 2022, no Vale do Javari, e entidades cobram que o julgamento não sofra novas
Os acusados pelos assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira serão julgados pelo Tribunal do Júri em Manaus. O processo já está pronto para essa etapa, embora a data ainda não tenha sido definida.
A transferência do julgamento de Tabatinga para a capital amazonense é considerada positiva pelas organizações que acompanham o caso. A avaliação é que Manaus oferece melhores condições para a realização das sessões, além de reduzir riscos de interferência e acelerar o andamento do processo.
Dom e Bruno desapareceram em junho de 2022, durante uma viagem pelo Vale do Javari, no Amazonas. Seus corpos foram encontrados após buscas que tiveram participação decisiva de indígenas da região.
O jornalista trabalhava em um livro sobre a Amazônia. Bruno, que havia atuado na Fundação Nacional dos Povos Indígenas, auxiliava comunidades locais no enfrentamento a invasores, pescadores ilegais e outros grupos que exploravam o território.
Mais de quatro anos depois dos crimes, entidades cobram que o julgamento seja marcado sem novas demoras. Para Patrícia Borba, advogada do Observatório dos Povos Indígenas Isolados, a espera prolonga a insegurança enfrentada pelas comunidades e pelos defensores de direitos humanos no Vale do Javari.
A ARTIGO 19 considera que as mortes representam uma grave violação à liberdade de expressão e ao direito à informação. Na avaliação da organização, o crime buscou interromper a divulgação de denúncias sobre atividades ilegais, violações dos direitos indígenas e destruição ambiental.
O caso também pode ser acompanhado pelo site Defensores do Javari, lançado em 3 de julho. A plataforma reúne a cronologia dos acontecimentos, informações das investigações, o andamento judicial e as medidas de proteção determinadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
A iniciativa é coordenada por Repórteres Sem Fronteiras, União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, ARTIGO 19, Observatório dos Povos Indígenas Isolados e Instituto Dom Phillips.
No Tribunal do Júri, cidadãos convocados pela Justiça analisam as provas e decidem se os réus são responsáveis pelo crime. A sessão é conduzida por um juiz, que aplica a pena em caso de condenação.
Para as entidades, o julgamento será também uma resposta do Estado aos ataques contra jornalistas, indígenas e defensores ambientais que atuam na Amazônia.
