Brasil reduz média histórica de queimadas

Brasil reduz média histórica de queimadas



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Uma boa notícia para o meio ambiente: o Brasil queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, uma área 31% inferior à média histórica registrada desde 1985. Os dados fazem parte da segunda edição do Relatório Anual do Fogo, divulgado nesta terça-feira, 21, pelo MapBiomas, e indicam uma reversão na tendência de alta das queimadas observada nos últimos anos, devolvendo o país a um patamar inferior ao registrado, em média, nas últimas quatro décadas.

Na comparação com 2024, a redução foi ainda mais expressiva. A área consumida pelo fogo caiu cerca de 47%, depois de um ano marcado pelo pior desempenho da série recente. Em 2024, aproximadamente 24 milhões de hectares queimaram em todo o país, impulsionados pela combinação de um forte episódio de El Niño, seca extrema e temperaturas recordes, condições que favoreceram a propagação dos incêndios em praticamente todos os biomas. O território impactado foi 64% acima da média histórica.

“Mais do que mostrar o quanto o Brasil queimou em um determinado ano, a série histórica do MapBiomas Fogo permite entender como o regime de fogo está mudando ao longo do tempo”, afirma Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo. Saber onde o fogo é recorrente, com que frequência ele retorna, qual é sua severidade potencial e quais áreas estão queimando mais ou menos é essencial para definir prioridades, orientar ações preventivas e implementar, de forma mais eficiente, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. O levantamento também ganha importância por anteceder um novo período de preocupação climática. 

Os principais centros meteorológicos projetam a formação de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses, fenômeno que, no último ciclo, contribuiu para agravar a seca e favorecer a propagação dos incêndios em diversas regiões do país. Se as previsões se confirmarem, a próxima temporada de queimadas servirá para avaliar até que ponto a redução observada em 2025 decorreu de condições climáticas mais favoráveis ou do fortalecimento das políticas de prevenção e combate ao fogo.

O carro-chefe dessa mudança foi a Amazônia. Depois de registrar, em 2024, a maior área queimada de toda a série histórica — 15,8 milhões de hectares —, o bioma queimou 3,1 milhões de hectares em 2025, o menor índice observado em 41 anos de monitoramento. 

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O Cerrado, por sua vez, manteve a liderança entre os biomas mais atingidos pelo fogo. Foram 8,7 milhões de hectares queimados em 2025. Embora o número esteja abaixo da média histórica do bioma, de 9,6 milhões de hectares por ano, ele confirma que a região permanece como o principal foco das queimadas no país, resultado da combinação entre características naturais da vegetação, uso do fogo em atividades agropecuárias e períodos prolongados de estiagem.

Outro destaque positivo foi o Pantanal, que registrou a menor área queimada de toda a série histórica. Apenas 121 mil hectares foram atingidos pelo fogo em 2025, uma redução de 85,6% em relação à média histórica do bioma. A única exceção foi a Caatinga, onde 505 mil hectares queimaram no período, acima da média observada desde 1985.

Para os pesquisadores, o principal valor do levantamento está na série histórica construída ao longo de quatro décadas. Mais do que medir a área queimada em um determinado ano, ela permite identificar mudanças no regime do fogo, apontando onde os incêndios são recorrentes, com que frequência retornam e quais regiões apresentam maior potencial de severidade. Essas informações servem de base para orientar ações preventivas e aperfeiçoar a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.



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