Biólogos equipam tubarões com câmeras e descobrem que eles percorrem 4 mil quilômetros até o Café dos Tubarões Brancos

Biólogos equipam tubarões com câmeras e descobrem que eles percorrem 4 mil quilômetros até o Café dos Tubarões Brancos


O Café dos Tubarões Brancos deixou de parecer um ponto vazio do Pacífico quando rastreadores acompanharam a migração anual dos animais. A rota de cerca de 4 mil quilômetros foi revelada principalmente por etiquetas satelitais, com câmeras e robôs usados como apoio.

O que é o Café dos Tubarões Brancos?

O nome identifica uma área remota entre a Baixa Califórnia e o Havaí. Tubarões-brancos que passam parte do ano perto da costa norte-americana deixam águas ricas em alimento e convergem para esse trecho de oceano aberto durante meses.

A região parecia pouco produtiva nas imagens de satélite, razão pela qual foi comparada a um deserto oceânico. A repetição da viagem, porém, indicou que o local possui uma função importante no ciclo desses predadores.

Biólogos marinhos instalam câmeras em tubarões e descobrem que eles viajam 4 mil quilômetros em linha reta até um deserto oceânico apelidado de Café dos Tubarões Brancos
Biólogos marinhos instalam câmeras em tubarões e descobrem que eles viajam 4 mil quilômetros em linha reta até um deserto oceânico apelidado de Café dos Tubarões Brancos

Como os biólogos acompanharam a viagem de 4 mil quilômetros?

A rota foi identificada inicialmente com etiquetas eletrônicas capazes de registrar posição, profundidade e temperatura. Um estudo publicado em 2002 mostrou que os deslocamentos oceânicos dos tubarões eram maiores do que os pesquisadores imaginavam.

Em 2018, uma nova expedição marcou 20 animais com sensores programados para se soltar no Café. Câmeras acopladas, receptores acústicos, drones de superfície e robôs submarinos complementaram os dados, mas o trajeto foi reconstruído principalmente pelos rastreadores.

As tecnologias cumpriram funções diferentes:

Etiquetas satelitais mapearam rota, profundidade e temperatura

Câmeras registraram o ambiente observado pelos grandes predadores

Saildrones escutaram sinais e analisaram áreas maiores do oceano

Robôs submarinos filmaram organismos em camadas profundas

O que os pesquisadores encontraram no aparente deserto?

A expedição do Schmidt Ocean Institute identificou mais de 100 espécies de peixes e lulas, além de águas-vivas e outros organismos. A vida se concentrava abaixo da superfície, onde os satélites não conseguiam medir toda a produtividade.

Pequenos redemoinhos também transportavam nutrientes para camadas superiores. Os resultados fortaleceram a hipótese de alimentação, embora os cientistas ainda não tenham provado se os tubarões viajam apenas para caçar, para reproduzir ou para combinar as duas atividades.

Os dados mudaram a interpretação do local:

ObservaçãoRegistroInterpretação

Migração anualCosta até oceano aberto

Rota repetida por diferentes animais

Destino ecológico

Mergulhos profundosCentenas de metros

Movimentos verticais frequentes

Função em estudo

Vida em profundidadeMais de 100 espécies

Peixes, lulas e águas-vivas

Alimento possível

Biólogos marinhos instalam câmeras em tubarões e descobrem que eles viajam 4 mil quilômetros em linha reta até um deserto oceânico apelidado de Café dos Tubarões Brancos
Biólogos marinhos instalam câmeras em tubarões e descobrem que eles viajam 4 mil quilômetros em linha reta até um deserto oceânico apelidado de Café dos Tubarões Brancos

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Por que o comportamento dos tubarões ainda é um mistério?

Os sensores mostram onde os animais vão e como mergulham, mas não registram todas as interações durante meses. Machos e fêmeas também apresentam diferenças de permanência, o que mantém abertas hipóteses sobre alimentação, acasalamento e navegação.

O tubarão-branco depende de ambientes costeiros e oceânicos distantes. Proteger apenas os pontos próximos à terra pode ser insuficiente, pois a rota até o Café revela que áreas aparentemente vazias também sustentam etapas importantes de sua vida.





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