Belluzzo vê preocupação exagerada com endividamento – 06/08/2026 – Painel

Belluzzo vê preocupação exagerada com endividamento – 06/08/2026 – Painel


Um dos economistas mais influentes no PT e na esquerda, o professor Luiz Gonzaga Belluzzo enviou nesta quinta-feira (6) à campanha de Lula um texto em que vê exagero na preocupação com o aumento na relação dívida/PIB.

A mensagem, de seis páginas, foi mandada a pedido do coordenador do programa de governo do presidente, José Sergio Gabrielli, que vem travando um embate interno com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a questão fiscal.

“Os catastrofistas de mercado esperneiam para promover a elevação da Selic. Tal proeza, associada ao corte do auxílio emergencial para não abalar o teto, é receita infalível para prorrogar a depressão da pandemia”, diz Belluzzo no texto.

Segundo o economista, há hoje em dia uma “refrega sobre a relação dívida/PIB entre catastrofistas e a turma do ‘senta-que-o-leão é manso’”.

Belluzzo, conhecido pelas posturas desenvolvimentistas e pela crítica ao liberalismo exacerbado, acrescenta que “em minhas peregrinações pelos labirintos da história do capitalismo não encontrei sequer um fiapo de memória denunciando uma crise monetário-financeira provocada pelo endividamento ‘excessivo’ dos governos em moeda nacional”.

Ele atribui ainda aos ‘farialimers’ a campanha contra o endividamento excessivo do Estado brasileiro e afirma que as “reservas parrudas” do país asseguram o exercício da soberania monetária.

No texto, Belluzzo não cita nominalmente Durigan nem seu antecessor na Fazenda, Fernando Haddad, que defendem a manutenção do arcabouço e até o maior aperto da regra.

O atual ministro tem feito um périplo por instituições financeiras nos últimos dias, em parte para desfazer ruídos gerados por declarações de Gabrielli em defesa de mais espaço para gasto fiscal no ano que vem. A posição do coordenador do programa de Lula está em linha com o que defende grande parte do PT.

Durigan tem citado a possibilidade de o limite anual de aumento de gastos permitido pelo arcabouço, de 2,5% acima da inflação, ser reduzido para 1,5%, como forma de frear o crescimento da relação dívida/PIB, que chegou a 81,1% em maio.

Em entrevista ao Painel, Belluzzo disse que recebeu de Gabrielli um rascunho do programa de governo de Lula, ainda a ser divulgado, e um pedido para enviar o texto com suas opiniões, o que fez nesta quinta-feira.

“O debate sobre endividamento virou uma crença não removível”, disse Belluzzo à coluna. “As pessoas veem o gasto público como se fosse um crime contra o funcionamento da economia”, afirmou.

Segundo ele, sua opinião não é uma crítica direcionada a Durigan ou Haddad, que ele vê como pessoas que estão tentando fazer uma espécie de “acordo” com os mercados.

“Durigan e Haddad procuraram uma forma de responder ao mercado. Fizeram o famoso arcabouço, que é uma prestação de contas para as visões predominantes”, afirmou Belluzzo. “Eles estão procurando organizar as visões de modo a não sofrer um ataque do mercado financeiro”, completa.

Para o economista, o debate sobre o endividamento tem de ser ao mesmo tempo técnico e político. “Fico preocupado com a predominância de uma visão restrita e equilibrista”, afirma.


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