Bancários se organizam por aumento real, emprego e regulamentação do sistema financeiro
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- Bancários de São Paulo definiram, em 13 de junho, as prioridades da Campanha Nacional Unificada 2026 na 28ª Conferência Estadual.
- As demandas incluem aumento real de salários e vales (inflação + 5 %), manutenção da CCT, saúde, proteção de empregos frente à IA e defesa de bancos públicos e da democracia.
- A deliberação, com 215 delegados, será apresentada à Conferência Nacional dos Bancários, prevista para 19 a 21 de junho.
- O sindicato alerta que o setor bancário, apesar de lucrativo, eliminou 31,3 mil postos desde 2020, com 5.410 vagas encerradas nos primeiros quatro meses de 2024, majoritariamente ocupados por mulheres.
Os bancários do estado de São Paulo definiram neste sábado (13) as prioridades da categoria para a Campanha Nacional Unificada de 2026. As propostas aprovadas na 28ª Conferência Estadual serão levadas à Conferência Nacional dos Bancários, que acontece entre os dias 19 e 21 de junho, quando será definida uma pauta unificada de reivindicações.
Entre os principais pontos defendidos pela categoria estão aumento real nos salários e nos vales refeição e alimentação, com reajuste que reponha a inflação mais 5%; manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT); melhores condições de saúde e combate ao adoecimento; defesa dos empregos diante das novas tecnologias e da inteligência artificial; defesa dos bancos públicos; e defesa da democracia e da soberania.
A conferência estadual reuniu 215 delegados eleitos em assembleias realizadas pelos sindicatos e nas conferências regionais preparatórias.
Bancos lucram, mas fecham vagas, diz sindicato
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Neiva Ribeiro, que também é uma das coordenadoras da Campanha Nacional Unificada, o setor financeiro tem priorizado a rentabilidade em detrimento do compromisso social.
“Os bancos estão substituindo o compromisso com a sociedade pela lógica exclusiva da rentabilidade. Enquanto acumulam lucros bilionários, fecham agências, eliminam empregos e transferem os custos dessa estratégia para trabalhadores e clientes. Desde 2020, o setor bancário fechou 31,3 mil postos de trabalho até abril de 2026, dos quais aproximadamente 25 mil eram ocupados por mulheres. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, os bancos extinguiram 5.410 postos de trabalho. Não é aceitável que um setor tão lucrativo continue reduzindo empregos e precarizando o atendimento. O fechamento de agências afeta os bancários, que ficam sobrecarregados e adoecem, afeta os clientes, especialmente idosos e pessoas que dependem do atendimento presencial, e afeta a economia local. Estamos diante de uma política de enxugamento permanente que precisa ser denunciada e combatida”, afirmou Neiva.
Segundo os dados apresentados pela categoria, os cinco principais bancos do país — Banco do Brasil, Caixa, Santander, Bradesco e Itaú — obtiveram lucro conjunto de R$ 123,8 bilhões em 2025. No primeiro trimestre de 2026, o lucro somado foi de R$ 34,6 bilhões.
Campanha Nacional terá pauta entregue à Fenaban
Ainda em junho, uma minuta com as reivindicações dos bancários será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), dando início formal à Campanha Nacional Unificada.
O objetivo é negociar a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria e os Acordos Coletivos de Trabalho específicos dos bancos públicos. A vigência dos acordos atuais termina em 31 de agosto. A data-base dos bancários é 1º de setembro.
A Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2024, válida por dois anos, garantiu à categoria reajuste de 5,68% em 2025. O índice correspondeu ao INPC acumulado mais 0,6% de aumento real, aplicado aos salários, à PLR, ao vale-alimentação, ao vale-refeição e às demais verbas previstas na CCT.
Projeto de lei prevê contrapartidas sociais dos bancos
O debate sobre emprego e atendimento bancário também chegou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT) protocolou o Projeto de Lei nº 548/2026, que estabelece contrapartidas sociais para instituições financeiras públicas, privadas e cooperativas de crédito contratadas pelo poder público paulista para prestação de serviços bancários, financeiros ou operação de programas de crédito subsidiado.
A proposta determina que os bancos mantenham níveis mínimos de emprego no estado de São Paulo, tomando como referência a média de trabalhadores dos últimos anos.
O projeto também prevê a garantia de atendimento presencial à população em todos os municípios paulistas nos contratos relacionados à administração da folha de pagamento dos servidores, arrecadação de tributos, empréstimos consignados e programas financeiros públicos.
Digitalização, IA e fechamento de postos
De acordo com dados do Novo Caged apresentados pela categoria, a partir de 2020, com a intensificação da digitalização dos serviços financeiros, o setor bancário fechou 31,3 mil postos de trabalho até abril de 2026. Desse total, aproximadamente 25 mil vagas eram ocupadas por mulheres.
As mulheres representaram 44,3% das admissões no período, mas foram 49,1% dos desligamentos. Somente entre janeiro e abril de 2026, foram fechados 5.410 postos de trabalho no setor.
Para os bancários, a defesa do emprego diante das novas tecnologias e da inteligência artificial será um dos temas centrais da campanha deste ano.
Principais reivindicações dos bancários em 2026
Entre as principais reivindicações da categoria estão:
- Aumento real nos salários e nos vales refeição e alimentação, com 5% de ganho real;
- Defesa dos empregos diante das novas tecnologias e da inteligência artificial;
- Melhores condições de trabalho e saúde;
- Defesa dos bancos públicos;
- Defesa da democracia e da soberania.
