Aumento de HIV em idosos acende alerta e reforça necessidade de prevenção na terceira idade
Os casos de HIV em idosos se tornaram uma das principais preocupações dos epidemiologistas no mundo. Dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde revelam que, entre 2012 e 2022, houve um aumento de 441% no número de diagnósticos nessa faixa etária, com 12.686 diagnósticos de HIV em pessoas com 60 anos ou mais. Uma das razões para o aumento é que, muitas vezes, o idoso não se vê na condição de risco de contaminação, alerta a infectologista da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Gisele Cristina Gosuen.
“Graças às medicações para disfunção erétil, ao advento do divórcio, às redes sociais, aos aplicativos de relacionamento, as pessoas têm mais acesso a relacionamentos eventuais. E, uma vez se considerando idosos, eles não se veem na condição de risco, porque não existe uma cultura do uso do preservativo. A preocupação sempre foi com relação à gestação não desejada para essa população mais idosa e não a preocupação de adquirir uma infecção sexualmente transmissível”, afirma Gosuen, que participa da 26ª Conferência Internacional sobre a Aids no Rio de Janeiro, e falou ao Conexão BdF, 2ª edição.
Sobre as conquistas dos últimos anos, a especialista destacou que o Brasil conseguiu avançar, eliminando a transmissão do vírus entre a gestante e o embrião, e foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde em dezembro do ano passado.
“É motivo de muito orgulho para nós brasileiros a aquisição desse selo, por conta de acabar o risco de transmissão nessa população específica. Isso também gera muito mais tranquilidade para que as mulheres que vivem com HIV se sintam confortáveis para engravidar e, posteriormente, para poder ter o filho sem se preocupar com a transmissão, o que era algo muito preocupante no início. Mulheres eram até estimuladas a não engravidarem por conta do risco de transmissão.”
Nesse sentido, o acesso a exames, métodos de prevenção e tratamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) garante esses bons resultados. “Nós chegamos a esse ponto justamente pela existência do Sistema Único de Saúde, que promove acesso universal ao tratamento para todo cidadão brasileiro. E justamente esse acesso, feito de maneira gratuita e em várias frentes, que chamou a atenção da comunidade científica mundial.”
Entre as novidades no campo da prevenção, o Brasil vai começar a testar o Prep (Profilaxia Pré-Exposição) injetável.
“Toda e qualquer pessoa pode se beneficiar com a utilização de antirretrovirais antes de se expor sexualmente. Mas, no primeiro momento, a ideia é que essa profilaxia [injetável] seja oferecida para homens que façam sexo com outros homens ou mulheres trans, até porque o preço precisa ser discutido para que se mantenha a sustentabilidade do programa nacional. Ela é feita de maneira injetável a cada dois meses, e isso eu acredito que vai facilitar muito a adesão das pessoas.”
O número de pessoas que usam Prep passou de 165 mil para 233 mil de 2024 para 2025, um crescimento importante de 41%.
“É óbvio que vale a pena a gente insistir nessa prevenção, por meio do uso de antirretroviral, mas ela é só para o HIV. Ela não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, clamídia, gonorreia”, lembra Gosuen.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
