Ataques da Ucrânia elevam pressão sobre Putin – 05/07/2026 – Opinião

Ataques da Ucrânia elevam pressão sobre Putin – 05/07/2026 – Opinião


Pensada para durar poucos dias, a invasão da Ucrânia já ultrapassou em duração a Grande Guerra Patriótica, como o segundo conflito mundial é chamado na Rússia. Após quase quatro anos e meio, a aventura militar de Vladimir Putin vive um ponto crítico.

Desde a desastrosa tentativa de ocupar a região meridional russa de Kursk, as forças de Kiev parecem ter logrado um sucesso estratégico em seu combate assimétrico contra Moscou com uma campanha de ataques ao sistema energético do vizinho.

Após semanas de ação, os efeitos são visíveis. A produção de refinarias russas caiu 25% de maio a junho, enquanto bombardeios a terminais derrubaram as exportações de petróleo cru em 15% no período.

O próprio Putin, que costuma descrever o desenrolar da guerra com lentes róseas, admitiu que o país enfrenta desabastecimento. Em regiões como a Crimeia anexada, o preço da gasolina subiu 30% na última semana, e o governo local decretou estado de emergência.

Filas em postos de combustíveis são vistas da distante Khabarovsk, no Extremo Oriente, até o ponto mais ocidental da Rússia, o exclave europeu de Kaliningrado. O governo admite tanto comprar derivados de petróleo quanto suspender sua exportação. Isso afetaria o Brasil, que tem nos russos a maior fonte do diesel que importa.

A pressão sobre Putin é inédita e já afeta, ainda que marginalmente, sua popularidade. Com isso, o caminho para uma saída negociada para o conflito parece ainda mais distante, dado que ele não pode conversar numa posição percebida de fraqueza sem arriscar a própria cadeira.

Sobra a escalada da violência, como se viu no brutal bombardeio de Kiev na quinta-feira (2), e no anúncio de conquista de uma cidade-chave no leste ucraniano no dia seguinte. O cenário tem levado a especulações, entre membros da elite russa, acerca do próximo passo.

A linha dura advoga por uma mobilização geral por uma mobilização geral ou até o emprego de armas nucleares táticas, restritas a campos de batalha, para subjugar Kiev. Ambas as ideias podem soar tentadoras a Putin, mas encerram riscos severos.

Quando mobilizou 300 mil soldados no fim de 2022, o russo viu uma queda forte de popularidade e protestos generalizados. Dali em diante, passou primeiro a contar com mercenários e, depois, com militares sob contrato.

Repetir a dose seria impopular e de eficácia incerta, dado que não basta ter a mão de obra, é preciso treiná-la e equipá-la.

Já a hipótese nuclear soa delirante, pois poderia resultar numa resposta dura dos Estados Unidos, até aqui bastante lenientes com Putin sob Donald Trump. Seja como for, as opções russas são escassas, o que eleva o perigo de ações mais radicais.

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