As notícias das 16h – Observador

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Quatro horas em ponto. Está na hora do Jornal das Quatro da Rádio Observador, edição de José Rafael Lopes. E José, o atirador do jantar dos correspondentes onde estava Donald Trump e uma série de jornalistas não está a colaborar com as autoridades.

A informação é dada pelo procurador-geral Todd Blanche, que revela que o atirador, um professor de 31 anos, foi levado para um hospital onde está ainda a ser observado. A autoridade norte-americana assegura que o homem não foi baleado quando foi detido. O autor dos disparos tinha comprado duas armas e terá, durante o ataque, tentado utilizá-las a ambas, mas as evidências apontam para que tenha agido sozinho. Todd Blanche diz ainda que os investigadores estão a recolher provas dos dispositivos eletrônicos do suspeito para tentarem perceber as motivações deste ataque, que ainda estão por apurar. O procurador revela ainda que o atirador tentou invadir uma gala de imprensa norte-americano e tinha, ao que tudo indica, como alvo altas figuras da administração norte-americana, incluindo Donald Trump. Após o primeiro disparo, o presidente norte-americano foi retirado em segurança, tal como a mulher, Melania Trump, e o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. O autor dos disparos ainda baleou um agente federal, mas que está a salvo, não corre perigo de vida, e amanhã este professor de 31 anos vai ser presente a um tribunal.

E o presidente da República e o primeiro-ministro condenam o incidente nos Estados Unidos.

Como demos conta, houve disparos no hotel onde corria esse jantar entre Donald Trump e jornalistas. António José Seguro diz que a violência não tem lugar em democracia e que qualquer ataque contra as instituições democráticas ou à liberdade de imprensa merece forte condenação. Na mesma linha, Luís Montenegro, na rede social X, diz que quem defende a democracia não pode tolerar ou compactuar com a violência política.

E vamos agora a mais reações que falam em violência política.

E vão no mesmo sentido que a condenação de António José Seguro e de Luís Montenegro. Estas reações, quer de aliados de Donald Trump, quer, Miguel Pina Andrade, de figuras politicamente mais distantes do presidente norte-americano.

O presidente francês Emmanuel Macron classifica o que se passou como inaceitável e demonstra total apoio a Donald Trump. De Espanha, chega a reação do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que escreve que a violência nunca é o caminho. Também os chefes de governo do Reino Unido e da Itália criticam o tiroteio desta madrugada. O mesmo acontece com as mais altas figuras da União Europeia, António Costa, Ursula von der Leyen e Roberta Metsola. Destaque para a líder da diplomacia da UE, Kaja Kallas, diz que um evento com o objetivo de honrar a liberdade de imprensa não se pode tornar num palco de medo. O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu escreve que está chocado com a tentativa de assassinato ao presidente norte-americano e os líderes do Canadá, México, Venezuela, Paquistão e da Índia são alguns dos líderes mundiais que condenam publicamente o incidente. Dentro de portas, nos Estados Unidos, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, que esteve no jantar com a mulher, diz que os dois estão a rezar pelos Estados Unidos depois do que aconteceu. Já a antiga presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, mostra-se aliviada pelo presidente e a primeira-dama norte-americanos estarem em segurança.

O jornalista Miguel Pina Andrade com algumas das reações de figuras mundiais depois do tiroteio no jantar de correspondentes da Casa Branca em Washington, D.C.

Ainda sobre Donald Trump, o presidente norte-americano demitiu todos os membros do Conselho Nacional de Ciência dos Estados Unidos.

A demissão dos 24 membros deste órgão, que aconselha o governo e o Congresso sobre a política científica, aconteceu por e-mail. O Washington Post avança que nesse correio eletrônico, assinado pela conselheira da Casa Branca, os lesados são informados, em nome do presidente Donald Trump, de que os cargos ficam rescindidos com efeito imediato. Os membros deste conselho também supervisionam as atividades e o orçamento da Fundação Nacional da Ciência nos Estados Unidos da América, um orçamento de cerca de 9 mil milhões de euros, mas ainda não é conhecido quem vai passar a gerir estes fundos. Uma das principais representantes dos democratas nesta comissão, a congressista da Califórnia, condenou a ação de Donald Trump. Fala numa nova estupidez de um presidente que continua a prejudicar a ciência e a inovação nos Estados Unidos da América.

E no Médio Oriente, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano já está no Paquistão. Vai reunir-se com responsáveis paquistaneses como parte de um esforço diplomático para reforçar a relação com os países parceiros.

Este encontro acontece sem os Estados Unidos. Donald Trump cancelou a viagem dos enviados especiais ao Paquistão, depois da delegação iraniana se ter reunido com o primeiro-ministro paquistanês e outros altos oficiais. Após esta primeira ronda de conversações, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão esteve no Catar, onde esteve a discutir desenvolvimentos relacionados com o cessar-fogo no Médio Oriente. De acordo com a CNN Internacional, Abbas Araqchi está agora de volta ao Paquistão. Este regresso já tinha sido anunciado pelo próprio na rede social X, faz parte de um esforço diplomático para tentar reforçar a cooperação com os países parceiros. Depois da visita a Islamabad, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão vai visitar a Rússia, isto numa altura em que as negociações de um cessar-fogo com os Estados Unidos continuam altamente incertas.

O Papa Leão XIV apela para um uso responsável da energia atômica.

O líder da Igreja Católica deixou uma menção ao acidente nuclear na União Soviética, em Chernobyl, que faz hoje 40 anos. Diz Leão XIV que o acidente na central nuclear de Chernobyl marcou a consciência da humanidade. Na oração Regina Coeli, o Papa afirma ainda que as guerras sangrentas não fazem mais do que privar a todos a possibilidade de um futuro de paz e de serenidade.

Seguimos com as notícias. Portugal participa a partir de amanhã no exercício militar da NATO, no Mar Mediterrâneo.

A operação Neptune Strike decorre até quinta-feira e envolve vários países aliados, além de Portugal, como a França, a Itália e também o Reino Unido. Segundo um comunicado da NATO, o exercício testa a coordenação entre forças navais, aéreas e terrestres, com o grupo de ataque do porta-aviões Charles de Gaulle em destaque. De acordo com a mesma fonte, este exercício inclui também o uso de aviões não tripulados da NATO. O teste tem como objetivo reforçar a capacidade de resposta conjunta e de integrar rapidamente forças de ataque multinacionais.

O grupo de trabalho do Parlamento sobre o apagão de 28 de abril do ano passado defende que as infraestruturas críticas devem ter uma autonomia energética de, pelo menos, 72 horas.

É uma das propostas do relatório deste grupo a que a Agência Lusa teve acesso. No documento, lê-se que este número, as 72 horas, é justificado pelas explicações dadas pelo presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, Pedro Verdelho, aponta hospitais, centros de saúde e lares como exemplos de infraestruturas críticas que precisam de ter soluções autónomas de energia de emergência. Com base nisso, o grupo de trabalho recomenda que o governo estabeleça, por via legislativa ou regulatória, requisitos mínimos de autonomia energética fixados em 72 horas para os mais críticos e não menos de 24 para as restantes infraestruturas. O grupo pede ainda que estes requisitos sejam alvo de auditorias periódicas de cariz obrigatório. Outro dos pontos destacados é a necessidade de uma revisão estrutural da arquitetura do SIRESP, o estabelecimento de requisitos mínimos de autonomia para as redes de comunicações eletrónicas e o desenvolvimento de um mecanismo de alerta e comunicação de emergência, propostas que vão ser agora analisadas pelos grupos parlamentares.

E é o ponto final no Jornal das 16h, edição do jornalista José Rafael Lopes. Está de regresso às 16h01. Não, ainda falta aqui uma notícia, José. Tu bem me estavas a fazer um sinal, mas de facto aqui no documento já estava no fim, mas não. Vamos ainda a um filme, porque o filme “Justa”, de Teresa Villaverde, foi premiado num festival de cinema em Pequim, na China.

Recebeu o prémio Tian Tian para melhor contribuição artística e a atriz Madalena Cunha recebeu mesmo o prémio para melhor atriz secundária. É o que explica a Agência Lusa, que cita um comunicado da agência Portugal Film. A atriz francesa Juliette Binoche presidiu ao júri que atribuiu o prémio ao filme português “Justa”.

E vamos perceber. É sobre o quê?

Esta longa-metragem de produção luso-francesa acontece em 2017, na sequência dos incêndios em Pedrógão Grande, que mataram 66 pessoas. “Justa” não é um documentário, as histórias são ficcionais, mas representam o que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão sem mostrar labaredas. A ação da longa-metragem decorre em 2017, na sequência do incêndio em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 66 pessoas e feriu mais de 250. Cerca de 500 habitações e 50 empresas foram destruídas. Um ano depois dos incêndios, a realizadora Teresa Villaverde passou pela região. Diz que ficou marcada pelo que viu e pelo que ouviu e, como tal, dessa mesma experiência nasceu este “Justa”, que agora acaba por ser homenageado e premiado num festival de cinema em Pequim, na China.

E o filme já estreou em Portugal e França e brevemente chega às salas de cinema no Brasil e terá também presença em festivais na Alemanha, Austrália, Grécia, Suíça, Brasil e Itália. Boa notícia. E é assim que fechamos, sim, agora, o Jornal das 16h, edição de José Rafael Lopes. Até já.

Até já.





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