Após fazer lobby pelo tarifaço, Flávio tenta negar atuação contra o Brasil em novo recuo oportunista

Após fazer lobby pelo tarifaço, Flávio tenta negar atuação contra o Brasil em novo recuo oportunista


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  • Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) inscreveu‑se para participar da audiência pública nos EUA sobre a proposta de tarifa de 25 % a produtos brasileiros, marcada para 6 de julho.
  • A audiência ocorre antes da decisão final do governo Donald Trump e antes da publicação do relatório da investigação, prevista para 15 de julho.
  • Segundo informações de jornalistas ligados à família Bolsonaro, Flávio pretende solicitar a suspensão da tarifa e defender uma “negociação de boa‑fé” com o Brasil.
  • O senador também deve argumentar que o sistema de pagamentos Pix beneficia empresas americanas que investem no país.

Depois do desgaste provocado pela atuação de setores do bolsonarismo nos Estados Unidos contra o Brasil e pelo escândalo do Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta reorganizar o discurso. O pré-candidato à Presidência se inscreveu para falar na audiência pública do governo americano sobre a possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

A audiência está marcada para 6 de julho, antes da decisão final do governo Donald Trump sobre o tarifaço. O relatório definitivo da investigação deve ser publicado até 15 de julho.

As informações sobre a linha que Flávio pretende adotar ainda não foram apresentadas oficialmente em uma fala pública completa do senador. Até agora, elas foram divugadas pelo neto do ex-ditador João Figueiredo, Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, e através do documento usado para a inscrição na audiência.

Segundo Figueiredo, Flávio pedirá a suspensão das tarifas e defenderá uma “negociação de boa fé com o Brasil”. O senador também deve fazer uma defesa do Pix, afirmando que o sistema de pagamentos beneficia empresas americanas que investem no país.

“Ele vai mostrar isso em números e apresentará um relatório técnico”, disse Figueiredo.

O movimento pode funcionar como um balão de ensaio. Flávio tenta medir se consegue conter a sangria política aberta depois que a direita brasileira passou a ser associada, em Washington, a pressões contra o próprio país. A tentativa agora é sair da imagem de lobby externo contra o Brasil e assumir o papel de alguém contrário a uma punição ampla à economia brasileira.

No documento de inscrição, Flávio argumenta que o tarifaço, na prática, beneficiaria o governo Lula e prejudicaria exportadores brasileiros, importadores americanos, consumidores dos Estados Unidos e a oposição brasileira.

A tarifa foi proposta após investigação do USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, com base na seção 301 da legislação comercial americana. O órgão acusa o Brasil de adotar práticas consideradas injustas contra interesses dos EUA.

Entre os pontos citados estão decisões judiciais que atingem plataformas digitais americanas, como remoção de conteúdos, suspensão de perfis e sigilo sobre determinações judiciais. O relatório também critica multas aplicadas a big techs e afirma que políticas brasileiras favoreceriam empresas nacionais de pagamento eletrônico em detrimento de concorrentes americanas.

O USTR ainda menciona corrupção e diz que o Brasil não adotaria medidas suficientes para investigar e punir práticas que afetariam a concorrência.

Segundo Paulo Figueiredo, Flávio dirá que existem meios mais adequados para combater corrupção e censura. A tarifa, na avaliação que ele pretende levar à audiência, puniria a sociedade brasileira como um todo.

O reposicionamento tem cálculo político. Depois de meses em que aliados bolsonaristas defenderam pressão internacional contra o Brasil, Flávio tenta se apresentar como defensor dos exportadores, dos consumidores americanos e até do Pix




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