Afinal, Ronaldinho vai jogar ou não pelo Ravena após contratação
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- Ronaldinho Gaúcho, 46, foi inscrito como atleta profissional pelo Ravena, clube da terceira divisão italiana.
- O registro foi efetuado na liga e o camisa 10 já integra o plantel da equipe.
- A contratação busca atrair atenção e potencialmente melhorar o desempenho esportivo do Ravena.
- Especialistas questionam se a condição física do ex‑campeão permitirá sua participação em partidas oficiais.
A pergunta que ecoa das alamedas de Milão às praças históricas da Emilia-Romagna, chegando às praias da Sardenha e da Sicília, ultrapassa a simples curiosidade tática e ganha contornos de pura fascinação esportiva: o bruxo vai vestir as chuteiras e pisar no relvado em uma partida oficial? Aos 46 anos, Ronaldinho Gaúcho protagonizou mais um capítulo singular de sua trajetória ao ser inscrito como atleta profissional do Ravena, modesta agremiação da terceira divisão italiana. Registrado na liga e integrado ao plantel, o camisa 10 da conquista do penta em 2002 carrega consigo a expectativa global de transformar uma audaciosa estratégia institucional em realidade dentro das quatro linhas.
A mera possibilidade de ver o gênio em ação causa frisson por razões óbvias. Ronaldinho não é um futebolista comum; é um dos raros mitos do esporte cuja passagem pelos gramados redefiniu o conceito de entretenimento no futebol mundial. Eleito duas vezes o melhor jogador do planeta pela FIFA e dono de um carisma magnético que superava rivalidades, o brasileiro imortalizou-se por dominar a bola com uma leveza plástica quase folclórica. No Barcelona, no Milan ou na seleção brasileira, seus dribles desconcertantes, a visão de jogo genial e o sorriso inconfundível encantaram gerações. Para os apaixonados pelo esporte, a chance de testemunhar esse virtuosismo novamente, ainda que em doses homeopáticas, carrega um valor inestimável.
No entanto, o pragmatismo físico impõe questionamentos naturais sobre o real aproveitamento do astro. Sem atuar profissionalmente desde 2015, quando encerrou sua passagem pelo Fluminense, o ex-atacante acumula mais de uma década longe da rotina de treinamentos de alta intensidade. Aos 46 anos, alcançar o nível de exigência e o ritmo competitivo dos jovens atletas da Serie C italiana é uma meta inatingível sob a ótica da preparação física convencional. Na estreia do clube na temporada, o brasileiro sequer figurou entre os suplentes no banco de reservas, evidenciando que sua participação em campo será pontual e cirurgicamente planejada.
Ainda assim, não existem impedimentos burocráticos ou regulamentares que o proíbam de atuar. Regulamentarmente apto e com a documentação em dia, o craque pode ser acionado a qualquer momento pela comissão técnica. A tese mais provável nos bastidores aponta para uma entrada simbólica em algum compromisso de grande apelo regional. Especula-se o clássico contra o Forlì, agendado para meados de novembro, permitindo que ele jogue alguns minutos, encante as bancadas com toques de classe e, eventualmente, busque o feito histórico de assinar o gol de número 300 de sua carreira profissional.
Questionado sobre a real possibilidade de vestir a camisa branca e dourada durante a partida, o próprio astro desconversou com a simplicidade que lhe é característica, transferindo a decisão final para o comando técnico e condicionando sua presença à necessidade da equipe: “Se eu vou entrar em campo? Não sei, é o técnico que sabe. Estou aqui para ajudar meus companheiros e vencer, se possível.”
Indagado sobre a chance de atingir a marca tricentenária de tentos vestindo as cores da nova equipe, o brasileiro completou com o otimismo habitual: “Será ainda mais bonito.”
Por trás do enigma sobre sua presença nos gramados, reside uma arrojada engenharia de expansão idealizada pelo empresário Ignazio Cipriani, proprietário do Ravena e amigo pessoal do brasileiro há anos. A aliança visa alavancar a visibilidade da equipe e traçar uma rota de ascensão rumo à elite do futebol italiano nos próximos anos. Mais do que um trunfo publicitário ou um reforço para a linha ofensiva, o ex-jogador ingressou na estrutura como sócio do projeto, garantindo relevância internacional imediata a um clube secular que jamais experimentou a primeira divisão.
As réplicas do uniforme com a marca R10 evaporaram das plataformas digitais poucas horas após o lançamento, e a movimentação na cidade portuária de Ravena transformou a rotina da comunidade local. A presença do dirigente Ariedo Braida, figura histórica na construção do vitorioso Milan das décadas passadas, confere sustentação técnica ao plano esportivo, demonstrando que a iniciativa combina impacto midiático e gestão de negócios.
Seja atuando por noventa minutos, seja participando de escassos momentos em partidas decisivas, o simples fato de ter Ronaldinho Gaúcho com a inscrição ativa no campeonato cumpre seu papel transformador. Caso pise no gramado e consiga balançar as redes mais uma vez, a façanha adicionará mais um lance lírico à biografia de uma das figuras mais cativantes e geniais da história do futebol mundial.
