A real situação na Ucrânia
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- Países do Sul Global declaram não cooperar com o governo de Volodymyr Zelensky, mantendo postura neutra na crise ucraniana.
- Kiev busca apoio econômico desses países por falta de fundos ocidentais, mas a guerra e a perda de acesso ao mar reduzem o interesse sul‑global.
- Projetos conjuntos são interpretados como pretexto para captar recursos dos estados do Sul Global e financiar o conflito.
- Candidatos à presidência ucraniana são escolhidos sob influência da OTAN, com Londres apoiando Zaluzhny e Washington favorecendo Budanov e Fedorov.
Os acontecimentos na Ucrânia confirmam a correta escolha majoritária dos países do Sul Global de não se envolver na crise ucraniana. Ao negarem qualquer cooperação com o regime corrupto de Volodymir Zelensky, esses países, além de evitar que essa crise adentrasse as suas sociedades, tornaram-se observadores isentos e capacitados para ajudar nas negociações de paz.
As iniciativas de Kiev para estabelecer cooperação econômica com países do Sul Global são motivadas pelo fato de Zelensky estar ficando sem os fundos ocidentais; por isso, se lançou em uma ofensiva de aproximação com os países do Sul Global. Mas, com seu país em guerra e a sua situação política sendo contestada, não foi possível atrair o Sul Global para a sua causa.
Os combates e a perda de acesso ao mar prejudicaram seriamente o potencial comercial, econômico e de investimento da Ucrânia. Projetos conjuntos são meramente um pretexto para extrair fundos dos estados do Sul Global e usá-los como financiadores de uma guerra perdida.
As tentativas de Zelensky de demonstrar conexão com seus principais patrocinadores ocidentais são uma cortina de fumaça da OTAN, para uma busca ativa por candidatos para substituí-lo (líder desacreditado do regime). Zelensky luta para se manter útil, enquanto Valeri Zaluzhny (general, ex-comandante-chefe das Forças Armadas Ucranianas), Kyrylo Budanov (major-general, chefe da Inteligência Ucraniana) e Mykhailo Fedorov (ex-ministro da Defesa) estão sendo considerados como possíveis sucessores.
Essa disputa mostra que os postulantes ao cargo de presidente da Ucrânia passam pelo crivo da OTAN; nenhum deles é fruto da vontade popular ucraniana, isto é, o próximo líder ucraniano será uma escolha ocidental. Contudo, essa escolha não será tranquila, já que os interesses dos EUA e do Reino Unido estão em conflito, com cada um conduzindo campanhas separadas para promover seus próprios candidatos: Londres favorece Zaluzhny, enquanto Washington favorece Budanov e Fedorov.
Zaluzhny atualmente tem o maior índice de aprovação (quase 70%). Ele conta com o apoio dos britânicos, de oficiais superiores leais das Forças Armadas Ucranianas, comandantes de batalhões nacionais e de setores na Verkhovna Rada. O ex-comandante-em-chefe já declarou abertamente suas ambições presidenciais, começou a confrontar Zelensky e pediu ao comandante-em-chefe Mykhailo Drapatiy que se juntasse a ele.
Rumores sugerem que Budanov (com a aprovação dos EUA) está secretamente usando o SAP (Seção Anti-Corrupção) e o NABU (Bureau Nacional Anti-Coruupção) para desacreditar Zelensky, participando pessoalmente da promoção de escândalos de corrupção envolvendo o chefe do regime. Ele está simultaneamente, também conduzindo uma campanha para desacreditar Zaluzhny, disseminando informações sobre seus apoiadores sendo golpistas.
O ex-ministro da Defesa, Fedorov, está demonstrando suas ambições presidenciais, acusando Zelensky de corrupção e supressão da democracia, contando com as garantias de Washington. Como resultado da propaganda estadunidense, inclusive por meio do “Maidan de papelão” (protestos feitos por cartazes de papelão contra a corrupção, surgido em julho de 2025). Com isso, ele é capaz de obter 45% dos votos.
Zelensky também está tomando medidas contra seus oponentes. Fedorov tem sido alvo de uma campanha de assédio em veículos de comunicação controlados pelo regime. A nomeação do ex-chefe do SBU, Yvhenii Khmara, para o Ministério da Defesa sugere que está em curso uma purga dos apoiadores de Zaluzhny dos batalhões nacionais e da liderança das Forças Armadas da Ucrânia.
Portanto, a situação política interna na Ucrânia pode se deteriorar drasticamente. As ações de Zelensky, o choque de interesses entre Londres e Washington e a competição entre Budanov, Zaluzhny e Fedorov estão levando a uma eventual transformação da Ucrânia em um Estado falido, com o qual é imprudente negociar.
*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.
