A futura número 1 está um passo à frente da antiga número 1 – Observador

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Acabou como começou. Sete meses e meio depois de terem medido forças na final do Open da Austrália, o primeiro Grand Slam da temporada, Aryna Sabalenka e Elena Rybakina voltaram a encontrar-se, agora na final do US Open, que marca o fecho da temporada no que respeita aos grandes torneios. Recuando no tempo, a bielorrussa chegou à Austrália como líder do ranking WTA, ao passo que a cazaque era a quinta cabeça de série, mas nem isso foi suficiente para impedir a sua vitória ao cabo de três sets. Os papéis inverteram-se a partir daí, com Sabalenka a levar a melhor nos dois confrontos que se seguiram, a começar pela final de Indian Wells (2-1) e a terminar nas meias-finais do Open de Miami (2-0), que também viria a conquistar. Consolidada como a melhor tenista da atualidade, Aryna partia como favorita, até porque tinha vencido as últimas duas edições do Open dos EUA e procurava repetir aquilo que não se via há mais de uma década, quando Serena Williams chegou ao tri (2012 a 2014).

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Para chegar à quarta final consecutiva em Nova Iorque, Aryna Sabalenka só perdeu um set, nos quartos de final, frente a Linda Nosková, tendo somado a sua décima vitória sobre Jessica Pegula nas meias-finais (7-5 e 6-2). A bielorrussa chegou altamente moralizada à partida deste sábado, na qual procurava a 20.ª vitória consecutiva no US Open e o seu quinto título de Grand Slam. Já Elena Rybakina também começou por ter uma caminhada relativamente tranquila nos EUA, mas teve de virar o resultado frente a Qinwen Zheng, nos quartos de final, e a Coco Gauff, nas meias-finais. A tenista do Cazaquistão chegou pela primeira vez à final do US Open, totalizando quatro finais em Grand Slams. Este foi o 18.º jogo entre ambas, com vantagem para a bielorrussa: 10-7.

Não estava propriamente a ter um bom desempenho na parte intermédia da época, por isso, para mim, parece o último esforço da época. Queria muito chegar à final e, claro, quero ir até ao fim. A minha mentalidade era simples: ‘Estou pronta’. Estou pronta para o que for preciso para conquistar a vitória. Compreendo perfeitamente como é difícil chegar a número um mundial. É muito trabalho. Sim, esse era um dos meus objetivos, mas, neste momento, não há muito que eu possa fazer. A Elena assumiu a liderança e jogou muito bem. Ela tirou-me a posição de número um. Só posso concentrar-me em mim própria, viver o momento e tentar dar o meu melhor agora, para me manter na luta. Talvez consiga recuperá-la”, disse Sabalenka, referindo-se à race atual do ranking antes da atualização de segunda-feira.

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“Estou super feliz e orgulhosa. Não consigo encontrar outras palavras, mas estou definitivamente muito feliz e orgulhosa. Acho que agora tenho uma equipa muito boa à minha volta. São pessoas excelentes. Isso ajuda, sem dúvida. É um jogo importante. Sinto que não importa quem está do outro lado. Só se quer ganhar e dar o melhor de si. Não quero colocar demasiada pressão sobre mim própria, porque estamos todas muito próximas no ranking. Mesmo que algo corra mal na final, ainda tenho outras oportunidades, outros torneios até ao final do ano”, assumiu Rybakina, que se tornou a quinta a chegar às finais do Open da Austrália e do US Open na mesma época, juntando-se a Justine Henin (2006), Victoria Azarenka (2012 e 2013), Angelique Kerber (2016) e… Sabalenka (2023 a 2026).

O Arthur Ashe Stadium recebeu inúmeras estrelas, como Maria Sharapova, Spike Lee, Brad Pitt, Ronaldo Nazário e Gabriela Sabatini, durante a noite (tarde em Nova Iorque) deste sábado, que começou com Elena Rybakina em grande plano, assumindo o domínio desde o fundo do court e cometendo poucos erros, ao contrário de Aryna Sabalenka, que foi quebrada ao terceiro jogo de serviço (2-3) e, apesar de ter tentado, nunca se mostrou em condições de chegar ao break. Nesse sentido, a bielorrussa chegou ao sétimo jogo com 11 erros não forçados contra apenas um da cazaque, que fechou as contas em 4-6 ao cabo de 44 minutos, num jogo em que precisou do segundo set point para se colocar pela primeira vez a um parcial de conquistar o US Open.

Depois de ter saído do court no período de paragem, Sabalenka regressou bem e fez o 1-0 com um parcial coeso no serviço, mas Rybakina empatou e beneficiou de dois pontos de break logo a seguir, com a antiga número um do mundo a reagir bem nos momentos de maior aperto e a beneficiar de uma resposta para fora da adversária para fazer o 2-1. A cazaque reagiu de pronto e fechou o quarto jogo com um ás a 192 km/h, com a bielorrussa a responder com mais um jogo forte no serviço, concluído com o primeiro amorti (3-2). Elena manteve o empate, Aryna respondeu com o seu primeiro jogo em branco (4-3) e Elena voltou a empatar com um bom jogo de serviço (4-4). Sabalenka reagiu com novo jogo em branco e beneficiou de dois break points, mas quebrou nos quatro pontos seguintes (5-5).

Com o público a puxar por si em busca de um terceiro set, a ainda número um do mundo passou por momentos delicados no jogo seguinte, teve de fazer alongamentos para, ao que tudo indica, aliviar a pressão, mas fechou mesmo o 6-5 nas vantagens, ao cabo de quase seis minutos de jogo. A servir para levar o parcial para o tiebreak, Elena Rybakina começou com um ás pelo terceiro jogo consecutivo, a rival respondeu com um belo amorti, Rybakina voltou a sacar de um ás quando mais precisava, Sabalenka levou a decisão para as vantagens com um passing shot e beneficiou do primeiro set point com um erro raro de Rybakina, que falhou a bola. Sabalenka continuou em grande plano e quebrou logo a seguir o serviço da cazaque, fechando as contas em 7-5 ao cabo de 57 minutos de duração.

Antes da decisão, Elena Rybakina saiu do court, mas começou a criar dificuldades a Aryna Sabalenka, que precisou das vantagens para fechar o seu primeiro jogo de serviço, depois de ter superado um break point. A cazaque respondeu com um jogo em branco, com ases a começar e a acabar, e colocou-se com mais dois pontos de break com duas bolas altas que levaram a bielorrussa a atirar a raquete para o chão. O primeiro viria a ser salvo com uma direita paralela, mas um novo erro colocou Rybakina em vantagem (1-2), confirmada com um jogo de serviço em que cedeu apenas um ponto. Sabalenka reagiu bem no seu terceiro jogo de serviço, a cazaque respondeu com novo serviço em branco e a bielorrussa voltou à mó de baixo com uma dupla falta que colocou a rival à beira de novo break. Depois da frustração por mais um primeiro serviço falhado, Sabalenka anulou o break, quebrou em novo ponto longo e sofreu o 2-5 com mais uma jogada de alta qualidade de Rybakina, finalizada junto à rede.

A servir para conquistar o US Open pela primeira vez, a cazaque chegou ao 40-15 com o seu 11.º ás na final, sofreu o 40-30 com uma dupla falta e fechou a final da melhor forma, com o 12.º ás, número que só tinha alcançado na partida da terceira ronda (4-6, 7-5 e 2-6). Desta forma, Elena Rybakina conquistou o US Open pela primeira vez e junta o último Grand Slam da época ao Open da Austrália-2026 e a Wimbledon-2022. O confronto entre as duas melhores tenistas da atualidade em finais de Grand Slam está agora desempatado a favor de Rybakina (2-1), embora Sabalenka vá terminar o ano sem conquistar qualquer Grand Slam pela primeira vez desde 2022.

Esta foi a 13.ª vez (em 13) que a cazaque venceu uma partida do Grand Slam norte-americano depois de ter vencido o primeiro set, a primeira que não terminou em dois sets. Com esta vitória, Rybakina amealhou 4,74 milhões de euros e dois mil pontos nos rankings WTA e Race to the WTA Finals, onde também saltou para a liderança. Olhando à história, Elena é a primeira tenista a derrotar antigas campeãs de singulares femininos na meia-final e na final desde Justine Henin, em 2007.





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