A elefanta Tikiri, de 70 anos, desfilou por dez noites no festival Esala Perahera no Sri Lanka sob mantos luxuosos que escondiam seu corpo esquelético e a desnutrição crônica
Resumo
🐘Idade avançada e inanição: A fêmea de 70 anos sofria de desgaste dentário terminal e perda severa de massa muscular decorrente de desnutrição crônica.
🎭Disfarce cerimonial: Mantos decorativos pesados, máscaras faciais e cordões de luzes camuflavam as costelas visíveis e o esgotamento físico do animal durante os desfiles.
📢Denúncia global: O registro fotográfico divulgado pela ativista Lek Chailert causou comoção internacional e forçou o afastamento imediato da elefanta das celebrações.
🌿Espécie ameaçada: O caso expôs a fragilidade dos elefantes-do-sri-lanka (Elephas maximus maximus) explorados em rituais religiosos e safaris turísticos.
Sob tecidos bordados a ouro e dezenas de lâmpadas incandescentes, a elefanta Tikiri percorreu as ladeiras de Kandy durante dez noites sucessivas no festival budista Esala Perahera, enquanto seu corpo colapsava sob uma inanição severa de 70 anos de idade que permaneceu invisível ao público até ser revelada por fotografias veterinárias.
Como o desgaste dentário e a inanição levaram a elefanta Tikiri a um estado esquelético?
Diferente de mamíferos carnívoros ou de humanos, os elefantes asiáticos (Elephas maximus) dependem de um sistema mastigatório dinâmico conhecido como polifiodontia horizontal. Ao longo de toda a vida biológica, esses grandes herbívoros desenvolvem exatamente seis conjuntos de dentes molares em cada quadrante da boca, os quais emergem de trás para frente conforme as peças anteriores se desgastam triturando vegetação fibrosa.
Por volta dos 60 aos 65 anos, o último par de molares atinge a raiz, sofrendo alisamento completo ou caindo em pedaços espalhados pela mandíbula. Na natureza, esse processo marca o declínio fisiológico terminal da espécie: sem a capacidade de moer cascas de árvores, galhos e gramíneas duras, o paquiderme perde a capacidade de extrair calorias e nutrientes por fermentação intestinal, entrando em inanição progressiva.

Por que o festival Esala Perahera em Kandy mascarou a debilidade física de Tikiri?
O festival Esala Perahera é uma das celebrações budistas mais antigas da Ásia, realizada anualmente em homenagem à relíquia sagrada do dente de Buda guardada no templo Sri Dalada Maligawa. Durante o evento, elefantes machos e fêmeas são paramentados como representações simbólicas de pureza e realeza cósmica, trajando túnicas costuradas sob medida que cobrem quase todo o dorso e a cabeça dos animais.
A situação veio a público quando a fundadora da organização internacional Save Elephant Foundation, Lek Chailert, teve acesso aos bastidores do templo e registrou a fêmea despida dos paramentos cerimoniais. As imagens divulgadas demonstraram que a elefanta estava acorrentada em solo de concreto, incapaz de mastigar a forragem seca depositada ao seu alcance e apresentando feridas por pressão nas articulações dos membros.
Fatores de Degradação Física em Paquidermes Idosos
🦷
Dentição Esgotada
Perda de Molares
Aos 70 anos, os dentes molares já atingiram o desgaste final, impedindo a mastigação mecânica de fibras vegetais densas.
🚶♀️
Esforço Contínuo
Marcha Noturna
Caminhar vários quilômetros no asfalto quente sob ruído acústico severo induz choque articular e esgotamento metabólico.
⛓️
Manejo Inadequado
Contenção Estática
O isolamento em correntes curtas restringe a termorregulação natural, impede banhos de lama e gera lesões nos cascos.
Quais foram os impactos da denúncia visual publicada por Lek Chailert?
A publicação com fotos comparativas mostrando Tikiri coberta pela fantasia iluminada ao lado de seu corpo sem disfarce viralizou em escala planetária em questão de 48 horas. Mais de 100 mil pessoas assinaram petições urgentes endereçadas ao primeiro-ministro do Sri Lanka e ao Ministério de Desenvolvimento do Turismo e Fauna Silvestre exigindo o resgate imediato do animal.
Diante da indignação pública e da cobertura da imprensa global, os organizadores do templo retiraram Tikiri da última noite de cortejo do Esala Perahera. No entanto, em vez de ser transferida para um santuário florestal com suporte médico intensivo, a fêmea foi devolvida às mãos de seu proprietário particular na cidade de Kegalle, cerca de 40 quilômetros a oeste de Kandy.
| Parâmetro Biológico | Necessidade Saudável (Elephas maximus) | Condição de Tikiri no Cativeiro (2019) |
|---|---|---|
| 🌾 Consumo diário de forragem | 150 a 200 kg de matéria vegetal fresca | Fração reduzida, incapaz de mastigar folhas secas |
| 💧 Ingestão diária de água | 100 a 200 litros de água limpa | Acesso intermitente com quadro severo de desidratação |
| ⚖️ Massa corporal média | 2.500 a 3.500 kg para fêmeas adultas | Estimada abaixo de 1.800 kg, com atrofia visível |
| 🛑 Atividade física imposta | Deslocamento livre em terreno macio e terra | 10 noites seguidas de marcha lenta em asfalto rígido |
Por que a retirada de Tikiri do desfile religioso expôs o cativeiro de elefantes no Sri Lanka?
O afastamento do animal durante a reta final do festival gerou tensões entre autoridades do governo e ordens monásticas tradicionais que custodiam os elefantes consagrados no Sri Lanka. Representantes do templo alegaram que o animal recebia cuidados de um veterinário credenciado, atribuindo seu aspecto frágil unicamente a uma enfermidade digestiva geriátrica.
No entanto, a comunidade conservacionista apontou a contradição de permitir que um animal gravemente enfermo fosse submetido a caminhadas exaustivas em ambientes com fumaça, tochas e barulho ensurdecedor. A cobertura da mídia internacional serviu de gatilho para investigações parlamentares sobre os métodos de manejo e a fiscalização de paquidermes domesticados.
Abaixo, um vídeo do CNA (YouTube) que aprofunda o tema:
Como o turismo de montaria e o uso cerimonial ameaçam os elefantes asiáticos remanescentes?
O subespécie Elephas maximus maximus é nativo exclusivo da ilha do Sri Lanka e encontra-se classificado como ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Estima-se que existam menos de 6.000 espécimes vivendo em habitats naturais fragmentados, enquanto cerca de 200 indivíduos vivem em cativeiro privado, centros de montaria ou templos.
A demanda por animais domesticados para atrações turísticas e rituais culturais alimenta o tráfico ilícito de filhotes capturados da natureza, os quais frequentemente passam pelo método tradicional e doloroso de quebra comportamental para aceitar comandos humanos. Com uma taxa de natalidade extremamente baixa em cativeiro, a reposição desses animais mantém a pressão de caça sobre as manadas selvagens.
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As marcas deixadas pelas correntes nas patas de Tikiri e os contornos visíveis de sua coluna vertebral permaneceram como a evidência documental definitiva de que mesmo os maiores mamíferos terrestres sucumbem rapidamente quando a biologia básica é sacrificada pelo espetáculo humano.
