A dupla de aço apadrinhou a estreia de quem tocou o cielito – Observador

A dupla de aço apadrinhou a estreia de quem tocou o cielito – Observador



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F, a letra com que se escreve grupo da morte no Campeonato do Mundo de 2026. Numa altura em que estamos a meio da primeira jornada da competição, Suécia e Tunísia entravam em campo em Monterrey no segundo jogo do grupo teórico mais complicado desta edição, que é composto ainda por Países Baixos e Japão. Nesse sentido, suecos e tunisinos sabiam que começar com o pé direito era importante para galvanizar os ânimos e aproximá-los da fase a eliminar. No caso dos blagult, a qualificação não foi fácil e o apuramento só foi possível através do playoff. Por outro lado, as águias de Cartago tinham legítimas aspirações a ultrapassar a fase de grupos pela primeira vez, contando com a postura organizada e defensiva de Sabri Lamouchi.

“Se não jogarmos ao nosso melhor nível e não fizermos o que devemos e podemos fazer, todos os jogos serão difíceis. Fomos evoluindo ao longo do tempo. Os jogos em Oslo e Estocolmo [contra a Noruega e a Grécia] foram importantes porque mostraram-nos o que precisávamos de fazer. Aproveitámos bem o tempo que passámos em Dallas. Fomos bem tratados e tivemos um bom ambiente num excelente centro de treinos. Agora estamos ansiosos pelo jogo. Na minha opinião, o apoio tem sido incrível. Os adeptos têm-nos apoiado o tempo todo. Adeptos? O facto de dedicarem o seu tempo e investirem muito dinheiro para nos apoiar não é algo que tomemos como garantido. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para conquistar os três pontos e fazê-los felizes”, disse Graham Potter na antevisão.

“Quem não gostaria de começar com uma vitória? Penso que o treinador e os jogadores suecos também estão ansiosos por começar com uma vitória. Os adeptos tunisinos estão aqui e gostariam de ver a sua seleção a ter um excelente desempenho, e é isso que estamos a tentar fazer. Vamos dar o nosso melhor para ajudar a nossa equipa a vencer uma equipa muito difícil, muito forte, e vamos começar bem esta competição. Não preciso de apresentar os jogadores [adversários] à minha equipa, eles conhecem-nos muito bem, sabem da sua qualidade. A Suécia tem muita força, mesmo nas jogadas de bola parada. Temos de olhar para os aspetos positivos e mostrar que viemos de África como a melhor equipa em termos de estrutura defensiva. Estamos aqui para fazer uma excelente exibição. Não queremos concentrar-nos nas experiências negativas”, perspetivou Lamouchi.

No magnífico Estádio BBVA, conhecido como “gigante de aço”, Gustaf Lagerbielke, do Sp. Braga, foi titular na Suécia, que entrou em campo com um 3x4x1x2, com Viktor Gyökeres e Alexander Isak no ataque. Por seu turno, a Tunísia começou num 4x2x3x1 que se transformou num esquema com cinco defesas sem bola, fruto do posicionamento do ala Ali Abdi. Depois de a tempestade aparecer a meia-hora do apito inicial nas imediações de Monterrey e ameaçar o início do jogo, a partida arrancou com normalidade e com uma entrada afirmativa dos suecos, que desbloquearam o resultado logo no início, com o ex-Benfica Victor Lindelöf a isolar Isak com um passe vertical, Abdelmouhib Chamakh falhou a saída e deixou a bola à mercê do ex-Sporting, que rematou contra um defesa e, na recarga, Yasin Ayari desferiu um grande remate, em força, para o fundo da baliza (7′). A partir daí, os blagult continuaram a dominar e o espetáculo saiu das quatro linhas para as bancadas, com os mexicanos a darem início à famosa ola e a entoarem o famoso Cielito Lindo.

A pausa para hidratação acabou por trazer de volta a melhor versão sueca, que se mostrou letal no contra-ataque: os nórdicos recuperaram a bola junto à sua área e lançaram Gyökeres a meio-campo, o avançado dominou de costas e lançou Isak na esquerda, o jogador do Liverpool cavalgou para a área, encarou Montassar Talbi e, de pé direito, desferiu um remate cruzado para o golo, num lance com Chamakh a não conseguir segurar (30′). As águias africanas acabaram por responder na única oportunidade que tiveram na primeira parte: Yan Valery cobrou um lançamento para a área, a defesa afastou, o lateral recuperou e deixou para o cruzamento de Hannibal Mejbri para o primeiro, onde Omar Rekik apareceu com um grande movimento a cabecear para o 2-1 (43′). De forma natural, o golo fez bem à Tunísia, que chegou ao intervalo confortável e com mais bola (2-1).

Foi ao som do célebre Danza Kuduro que arrancou a etapa complementar, bastante movimentada desde o início, com os tunisinos a darem seguimento à imagem final da primeira parte. Como no melhor pano cai a nódoa, o melhor período das águias de Cartago desapareceu depois de uma falha tremenda do capitão Ellyes Skhiri, que perdeu a bola para Alexander Isak em zona proibida. O avançado arrancou para a área e serviu Viktor Gyökeres, que não desperdiçou o terceiro golo (59′). A partir daí, Lucas Bergvall e Elliot Stroud saíram do banco da Suécia, que quase chegou ao quarto golo através de Gyökeres, que finalizou por cima em boa posição (66′). Com os suecos confortáveis, Sabri Lamouchi refrescou a sua equipa com Hadj Mahmoud, Sebastian Tounekti, Elias Achouri, que também passou pelo futebol português, o bracarense, Ismaël Gharbi e Firas Chaouat, ao passo que Potter lançou Mattias Svanberg, que faturou na primeira vez que tocou na bola, após assistência fulcral de Isak, que o colocou em jogo (84′).

Nos descontos, Isak saiu para os aplausos, cedendo o seu lugar a Anthony Elanga, com Daniel Svensson também a entrar. No último minuto ainda houve tempo para Ayari voltar a deixar a sua marca, com Bergvall a roubar a bola à entrada da área tunisina e a servir o médio do Brighton que, com um remate colocado de pé esquerdo, fez o 5-1 final (90+6′).

  • Aos 22 anos, Yasin Ayari viveu um jogo de emoções na sua estreia em Campeonatos do Mundo. Depois de ter brilhado na Premier League ao serviço do Brighton, o médio ofensivo mereceu a chamada de Graham Potter à seleção sueca e, logo na estreia, enfrentou a Tunísia, país que também é seu, assim como Marrocos, por conta dos pais. Foi através de um grande remate que a Suécia deu início à sua primeira vitória no Mundial, com Ayari a acrescentar qualidade no passe com bola e chegada à hora nos momentos de perigo. No final, fechou as contas da mesma forma: com um golaço oriundo de um remate seco e colocado de pé esquerdo.
  • Começou a época como uma das principais, rotulado aos muitos milhões que o Liverpool pagou pelo seu passe, e espera terminar de igual modo. Pelo meio, a temporada esteve longe de ser positiva para Alexander Isak, que passou por cinco períodos diferentes de lesão, tendo estado de fora durante 164 dias, falhando 33 jogos dos reds, do Newcastle e da sua seleção. Destinado a deixar a sua marca neste Mundial, o avançado marcou numa grande arrancada desde o meio-campo e assistiu Viktor Gyökeres com um roubo de bola na altura certa, bem como Mattias Svanberg, que só teve o golo validado depois do seu toque na bola.
  • Começar o Mundial a ganhar é o melhor que qualquer seleção pode pedir. Começar o Mundial a golear e isolado na liderança do seu grupo, é praticamente perfeito. Só não foi totalmente positivo por conta do golo marcado pela Tunísia no fim da primeira parte e que podia ter relançado o jogo. Ainda assim, a Suécia deu um passo importante rumo aos 16 avos de final e afirmou-se num grupo complicado com o seu futebol objetivo. A Tunísia aparenta estar uns furos abaixo da concorrência e vai ter de melhorar nos próximos dias para continuar a sonhar com o feito histórico, principalmente em termos defensivos.
  • Assistir ao Campeonato do Mundo durante a madrugada é uma experiência que não se vive só em Portugal. Que o digam os tunisinos e os suecos que ficaram nos seus países e que, já em plena segunda-feira, viram a estreia da sua seleção às 3 horas e 4 horas da madrugada. É certo que estamos na América do Norte e que não há forma de os horários serem convidativos em todos os 48 países, mas a distribuição dos jogos pelos diferentes horários podia ter sido feita de outra forma. Afinal, em Monterrey o pontapé de saída foi dado às 20 horas.





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