A cidade construída em uma encosta tão íngreme que algumas casas possuem a entrada principal em um andar e acesso à rua vários pisos abaixo
Em Chongqing, no sudoeste da China, caminhar em linha reta nem sempre significa permanecer na mesma altura. A metrópole ocupa terrenos montanhosos entre os rios Yangtzé e Jialing, criando ruas, pontes e edifícios distribuídos em diferentes níveis. Essa cidade vertical permite que um andar aparentemente alto esteja diretamente conectado a uma rua, enquanto, do outro lado do mesmo prédio, dezenas de metros podem separar aquela entrada do nível inferior.
Por que Chongqing foi construída em tantos níveis?
O relevo é a principal explicação. A área urbana central ocupa encostas, vales e cristas, o que dificulta o padrão convencional de ruas planas formando uma malha contínua. Em vez de eliminar totalmente essas diferenças, sucessivas fases de urbanização incorporaram a altitude ao funcionamento cotidiano da cidade.
Assim, uma estrada pode acompanhar a parte superior de uma encosta enquanto outra passa muitos metros abaixo. Edifícios erguidos entre elas acabam funcionando como conexões verticais, e passarelas, escadarias, elevadores públicos e sistemas ferroviários complementam essa rede. Não se trata de uma ilusão criada para turistas, mas de uma resposta concreta ao terreno.
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Como funciona uma cidade vertical onde diferentes andares dão para a rua?
Um dos exemplos mais documentados é Baixiangju, conjunto residencial construído em uma encosta íngreme do distrito de Yuzhong. Pesquisa acadêmica sobre a verticalidade de Chongqing descreve seis torres com até 24 pavimentos e acessos independentes nos 1º, 10º e 15º andares, cada um conectado a uma rua situada em uma altitude diferente.
Isso significa que uma pessoa pode entrar no prédio diretamente pela rua sem perceber que já está vários pavimentos acima de outra via. No complexo, a topografia foi incorporada à circulação e permitiu formar comunidades conectadas em alturas distintas.
- Entrada no 1º andar ligada ao nível inferior.
- Saída no 10º andar conectada a outro trecho urbano.
- Acesso no 15º andar ligado a uma terceira rua.
- Passarelas e escadas conectando diferentes partes do conjunto.
Este vídeo do canal jornalístico CNA mostra como moradores utilizam os diferentes níveis de Chongqing no cotidiano.
O andar térreo realmente pode ficar no meio de um prédio?
Em uma cidade plana, “térreo” normalmente corresponde à base do edifício. Chongqing desafia essa associação porque o nível do solo muda rapidamente. Uma fachada pode encontrar uma rua perto da base, enquanto o lado oposto encosta em terreno muito mais elevado, fazendo outro pavimento funcionar praticamente como entrada térrea.
Baixiangju demonstra isso claramente. Reportagem do The Straits Times observou que uma entrada aparentemente convencional do conjunto corresponde ao 11º andar de um dos edifícios, enquanto pavimentos inferiores continuam encosta abaixo. A situação explica por que fotografias isoladas podem parecer impossíveis sem a visão completa do relevo.
Por que a cidade vertical também depende de pontes e escadas?
Os diferentes níveis exigem conexões que normalmente seriam desnecessárias em terrenos planos. Chongqing utiliza escadarias extensas, passarelas elevadas, túneis, elevadores e pontes para encurtar percursos que, por ruas convencionais, poderiam exigir longas voltas pela encosta.
Essa organização transformou a mobilidade vertical em parte da experiência urbana. Uma análise detalhada da CNA mostra moradores entrando e saindo de Baixiangju por níveis distintos e descreve como ruas inclinadas atendem acessos diferentes. Veja a reportagem da CNA sobre a vida na Chongqing vertical.

Quais números mostram o efeito da inclinação sobre os edifícios?
Baixiangju ajuda a transformar essa característica urbana em números concretos. O conjunto possui seis torres e foi projetado para aproveitar uma diferença acentuada de altitude. Estudos acadêmicos registram 24 pavimentos em sua configuração e três saídas principais distribuídas verticalmente.
Esses valores não significam que todos os edifícios de Chongqing tenham o mesmo arranjo. Eles documentam um exemplo especialmente conhecido de como a arquitetura pode adaptar os acessos à encosta, em vez de obrigar todos os usuários a chegar pela base da construção.
| Característica | Baixiangju |
|---|---|
| Torres | 6 |
| Pavimentos documentados | Até 24 |
| Saídas principais | 1º, 10º e 15º andares |
| Número de níveis de acesso | 3 |
Por que a cidade vertical de Chongqing parece desafiar a lógica?
A impressão de uma cidade impossível aparece porque nossa noção habitual de edifício pressupõe um único nível do solo. Em Chongqing, uma rua superior pode chegar diretamente a um pavimento alto, enquanto outra permanece vários andares abaixo. O que parece uma cobertura ou plataforma elevada em uma fotografia pode funcionar como praça ou acesso cotidiano para quem chega pela encosta.
Esse modelo tornou Chongqing conhecida pela aparência “multidimensional”, mas sua origem é bastante concreta. O relevo montanhoso impôs limitações e, ao mesmo tempo, estimulou soluções que combinam arquitetura, transporte e circulação em diferentes alturas, mostrando como uma grande metrópole pode crescer sem apagar completamente a topografia que existe sob ela.
