Megaprojeto brasileiro de R$ 6,8 bilhões: primeiro túnel imerso da América Latina será instalado no leito do canal entre Santos e Guarujá
Entre Santos e Guarujá, apenas cerca de 400 metros de água separam as duas margens, mas cruzar de uma cidade à outra pode exigir balsa, fila ou um longo contorno rodoviário. Um projeto de R$ 6,8 bilhões pretende mudar essa rotina com uma solução inédita na América Latina: montar grandes módulos de concreto e instalá-los sob o canal do Porto de Santos.
Como um túnel pode ser instalado no fundo de um canal?
O túnel será construído em grandes módulos de concreto produzidos fora da água e depois imersos no canal. A técnica é diferente de escavar todo o caminho com uma máquina subterrânea.
Os elementos serão fabricados em uma doca seca. Depois, o local será inundado para que cada módulo flutue e possa ser rebocado até a posição correta. Uma vala preparada no leito receberá as peças, que serão afundadas de forma controlada, conectadas e protegidas antes da instalação dos sistemas internos.
O Ministério de Portos e Aeroportos apresenta o empreendimento como o primeiro túnel imerso da América Latina.

Qual será o tamanho do túnel Santos-Guarujá?
A ligação terá aproximadamente 1,5 km, com cerca de 870 metros instalados sob o canal portuário. O projeto combina tráfego rodoviário, transporte coletivo, circulação de pedestres e ciclistas na mesma travessia.
Os números oficiais ajudam a mostrar a escala da estrutura:
1
R$ 6,8 bilhõesInvestimento estimado para a construção e implantação do sistema.
2
1,5 km de extensãoComprimento total previsto entre os acessos das duas cidades.
3
870 metros imersosTrecho que ficará instalado sob o canal usado pelos navios.
4
6 faixas rodoviáriasSerão 3 faixas por sentido, além de espaços para outros modos de transporte.
Quando os módulos começam a ser colocados no canal?
A imersão dos grandes elementos de concreto está prevista para 2029. Antes disso, o contrato passa por etapas de projeto, preparação de canteiros, construção da doca seca e dragagens necessárias para receber a estrutura.
O cronograma publicado pelo Governo de São Paulo divide a execução em fases bem definidas:
- 2026: projetos funcional e executivo, estudos complementares e preparação do empreendimento.
- 2027: mobilização dos canteiros, construção da doca seca e dragagens preliminares.
- 2028: fabricação dos módulos de concreto e avanço das rampas de acesso.
- 2029: imersão, montagem e selagem dos elementos no canal.
- 2030: acabamentos, sistemas internos e testes operacionais.
- 2031: início previsto da operação comercial.
O que muda na travessia entre Santos e Guarujá?
A ligação fixa deve reduzir uma viagem que hoje pode levar dezenas de minutos para menos de 5 minutos. O túnel também cria uma alternativa permanente às balsas sem construir uma ponte sobre o canal de acesso ao porto.
Hoje
Balsa ou deslocamento por estradaA travessia depende da operação na superfície ou de um contorno rodoviário muito maior.
Túnel
Menos de 5 minutosÉ a previsão divulgada para a passagem direta depois da abertura.
Porto
Navios continuam acimaA estrutura fica sob o canal e não cria uma barreira elevada para a navegação.
Mobilidade
Carros, VLT, bicicletas e pedestresO projeto reserva áreas para diferentes formas de deslocamento entre as margens.
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Por que o projeto escolheu um túnel em vez de uma ponte?
O canal é a principal entrada marítima do Porto de Santos, e uma ligação imersa evita colocar uma estrutura elevada sobre a rota dos navios. Isso permite criar uma travessia fixa entre as cidades sem limitar a navegação portuária.
O projeto também precisa atender uma região com forte movimento urbano e logístico. Segundo o Programa de Parcerias de Investimentos de São Paulo, a concessão terá prazo de 30 anos e aporte público de aproximadamente R$ 5,14 bilhões.
O contrato com a Mota-Engil foi assinado em 28 de janeiro de 2026. O ano atual é dedicado aos projetos e à preparação. A transformação mais visível começa a partir de 2027, mas será em 2029 que os grandes módulos deverão descer ao canal e formar, peça por peça, a primeira travessia imersa desse tipo na América Latina.
