“Mecanismos de extermínio em Gaza”. Documentário denuncia morte de civis com tecnologia israelita
O documentário, o único em competição em Veneza este ano, revela testemunhos de membros dos serviços secretos israelitas sobre as ferramentas tecnológicas utilizadas pelo Exército para eliminar, de forma calculada e sistemática, civis palestinianos na Faixa de Gaza. “Naza” é um termo utilizado pelo Exército israelita para indicar o número de civis que se prevê que sejam mortos num ataque aéreo.
“Queríamos saber, com o máximo de detalhes possível, como eram os mecanismos de extermínio em Gaza e como funcionavam”, explicou o realizador Yuval Abraham à agência France-Presse.
Estas testemunhas revelaram como vários sistemas tecnológicos, recorrendo nomeadamente à Inteligência Artificial, permitiram ao Exército israelita localizar, através dos seus telemóveis, alegados membros do Hamas e as suas famílias, para depois os atacarem indiscriminadamente nas suas casas.
Segundo um militar israelita entrevistado, cerca de 500 pessoas foram mortas em ataques israelitas que visavam um único alvo humano. “Se querem que o alvo morra, ele morre”, contou.
Um dos membros dos serviços secretos israelitas revelou, por sua vez, que “demoliam edifícios inteiros sem problemas”.
“No filme, mostramos como [os agentes dos serviços secretos] podem utilizar um software espião para aceder aos telemóveis das pessoas num apartamento e ouvir o que se passa, os últimos momentos das crianças, das mulheres e dos homens que estão prestes a ser bombardeados”, afirmou a realizadora Rachel Szor.
Vigilância em massa de palestinianos é anterior a 7 de outubro de 2023
Através de imagens de arquivo, “Naza” ilustra também como a vigilância em massa dos palestinianos por parte de Israel, que gere as infraestruturas de telecomunicações, foi implementada muito antes de 7 de outubro de 2023, data dos ataques sem precedentes do Hamas contra Israel.
“Os palestinianos vivem sob ocupação e controlo israelita e muitas vezes imaginamos que esse controlo é apenas físico. Mas (…) é também um controlo das infraestruturas de telecomunicações, um controlo através da vigilância, um controlo através dos dados”, explicou Rachel Szor.
Os realizadores do filme que mereceu 25 minutos de aplausos são coautores do documentário vencedor de um Óscar “No Other Land” (2024).
Já no ano passado, “A Voz de Hind Rajab”, uma docuficção sobre o assassinato de uma menina palestiniana de cinco anos pelas forças israelitas, conquistou o segundo prémio do festival e recebeu uma ovação de pé de 23 minutos após a estreia.
c/ agências
