Do homem da mala para ‘Dark Horse’ – 10/09/2026 – Ruy Castro

Do homem da mala para ‘Dark Horse’ – 10/09/2026 – Ruy Castro


Antonio Carlos Freixo Junior, vulgo Mineiro, amigo de Flávio Bolsonaro, é o maior homem da mala que já existiu. Nos últimos quatro anos, segundo confessou à PGR, despachou R$ 1 bilhão em dinheiro vivo para os amigos de Daniel Vorcaro, a pedido deste. R$ 1 bilhão corresponde a 10 milhões de notas de R$ 100. Numa balança, pesariam 2,5 toneladas. Empilhadas, ocupariam um aposento de 5 metros quadrados do chão ao teto.

Mineiro fez todo esse carreto usando malas. Uma mala tamanho padrão comporta cerca de 20 mil notas, organizadas de forma a não deixar um milímetro vazio. Donde, se a aritmética não falha, 10 milhões de notas ocupam 500 malas. Mineiro as comprava no comércio de São Paulo, e tantas de uma vez que, segundo a repórter Malu Gaspar, de O Globo, o fabricante ofereceu vender-lhe as malas diretamente. Não se sabe ainda como essas malas viajavam aos felizes destinatários, se por correio, Sedex, motoboys ou estafetas. Mineiro também não sabe quem era a maioria desses destinatários nem seus endereços. Como fazia para as malas chegarem, ainda é um mistério.

Só se sabe que US$ 12,3 milhões desse dinheiro, equivalentes na época a R$ 61 milhões, foram destinados ao filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, por intermédio do Havengate Development Fund, um fundo privado de investimentos sediado no Texas. O Havengate pertence a Paulo Calixto, advogado do ex-deputado e foragido Eduardo Bolsonaro, também residente no Texas. “Haven”, em português, significa lugar seguro, abrigo, refúgio. “Havengate” é o portão do abrigo. Nome perfeito para, se for o caso, abrigar de forma segura o dinheiro de condenados refugiados.

O dinheiro enviado à Havengate voltou para o Brasil a fim de financiar a produção de “Dark Horse” pela Go Up Entertainment, produtora que nunca produziu um filme. Mas só vieram 28% do dinheiro, justamente o destinado à parte mais cara de uma produção: a filmagem.

É o único caso na história do cinema em que 72% do orçamento foram gastos antes de se rodar um só metro de filme.


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