A verdadeira missão de Renan Santos
Não de pode exigir de um candidato à Presidência da República que reconheça que não está concorrendo para ganhar — e, mesmo em situações muito improváveis, a possibilidade de vitória sempre existe, como mostrou Jair Bolsonaro em 2018, quando sofreu um atentado.
Mas o fato é que a verdadeira missão de Renan Santos (foto), o candidato da Missão ao Palácio do Planalto, neste ano é preparar o terreno para o futuro.
É a missão também do Movimento Brasil Livre (MBL), que, mesmo desprezado pela academia e pela inteligência brasileiras, por ser liberal, avança na formação de seu próprio eleitorado.
É o que fez o PT ao longo das décadas de 1980 e 1990, aliás.
Lula perdeu três eleições, duas delas de forma acachapante, no primeiro turno, antes de conseguir se eleger pela primeira vez. Era a grande esperança do Brasil em 2002, e, 20 anos depois, tenta voltar para 1980, em busca de algum motivo para convencer os brasileiros a lhe dar uma quarta chance.
Perspectiva
À luz do que ocorreu com o PT, não há qualquer garantia de sucesso no plano da Missão de Renan Santos e Kim Kataguiri (Missão-SP), os dois maiores expoentes do partido, mas é inegável que esse é, hoje, o partido com mais perspectiva de futuro no Brasil.
A candidatura presidencial em seu primeiro ano de existência é uma plataforma para a Missão se fazer conhecida, e Renan tem atuado para chamar atenção, mais até do que para receber votos.
Ele próprio reconheceu isso indiretamente em texto publicado após a repercussão de sua sabatina no Jornal Nacional, em que foi pautada sua proposta sobre bomba atômica.
“Só hoje li as análises sobre a minha ida ao Jornal Nacional. Muita gente ficou assustada, me tratando como um ditador em potencial de fala refinada. Peço calma. O país a que dirijo minhas palavras se apega mais aos óculos de funkeiro do Nikolas, às mentiras sentimentais do Lula, ao coaching do Cury e à burrice bolsonarista do que a qualquer noção de autorrespeito e glória”, justificou-se o candidato, cujo texto debocha do receio despertado em alguns setores.
Rejeição
A reportagem de capa da edição de Crusoé desta semana destacou que o candidato da Missão está se tornando mais conhecido, mas ao custo de uma rejeição proporcionalmente maior do que os adversários da corrida eleitoral.
Sem tempo de propaganda no rádio e na televisão e prejudicado por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que limita o alcance de publicações políticas nas redes sociais, o habitat natural do MBL, resta a Renan gritar, e obviamente incomodar quem não gosta do barulho.
Dificilmente será o bastante para elegê-lo presidente neste ano, mas a corrida da Missão está apenas começando, e com um vigor sem paralelo entre os partidos brasileiros.
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