Rio artificial com mais de 145 km construído para levar água a uma das áreas mais secas do Nordeste deixou os cientistas e engenheiros incrédulos
Um caminho de concreto com 145,3 quilômetros atravessa o interior do Ceará por canais, túneis e tubos. O Cinturão das Águas recebe água da transposição do Rio São Francisco e a conduz por gravidade até outras bacias do estado.
De onde vem a água que entra no Cinturão das Águas?
A água percorre o Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco até a Barragem de Jati. Dali, entra no primeiro trecho do sistema cearense e segue em direção ao Rio Cariús, em Nova Olinda.
O trajeto foi desenhado para usar o desnível natural do terreno. Isso significa que a maior parte da água avança sem bombeamento, como mostra a ficha técnica do Trecho 1.

Quais estruturas formam esse rio artificial?
O Cinturão não é apenas um canal aberto. O relevo exige soluções diferentes para atravessar morros, vales, estradas e cursos d’água.
Quatro tipos de estrutura mantêm o fluxo:
1
Canais abertos
Trechos revestidos conduzem a água onde o terreno permite passagem pela superfície.
2
Sifões
Tubos de grande porte vencem vales e pontos baixos do caminho.
3
Túneis
Passagens escavadas em rocha atravessam morros que interromperiam o canal.
4
Travessias especiais
Estruturas mantêm o fluxo perto de rios, estradas e outras interferências.
Por quais cidades o primeiro trecho passa?
O percurso começa em Jati e segue por municípios do Cariri e do Alto Jaguaribe. A divisão em lotes permitiu construir partes diferentes ao mesmo tempo.
O caminho principal inclui:
- Lote 1: Jati, Porteiras e Brejo Santo.
- Lote 2: Brejo Santo, Abaiara, Missão Velha e Barbalha.
- Lote 3: Barbalha, Juazeiro do Norte e Crato.
- Lote 4: Crato até Nova Olinda, junto ao Rio Cariús.
- Lote 5: túneis e canais distribuídos pelos lotes anteriores.
Quem quer ver o Cinturão das Águas do Ceará em funcionamento vai curtir este vídeo do canal TERRA NORDESTINA, com mais de 180 mil visualizações, mostrando a abertura das comportas em Jati.
Quanta água o sistema pode transportar e quem será atendido?
A vazão máxima projetada é de 30 metros cúbicos por segundo. O Trecho 1 aproxima a água do São Francisco das bacias do Salgado e do Alto Jaguaribe e reforça a rota para os açudes Orós e Castanhão.
Os efeitos esperados aparecem em diferentes escalas:
Direto
Municípios do percurso
Cidades próximas ao eixo ganham uma nova rota de água bruta.
Reforço
Região do Cariri
O sistema reduz a pressão sobre fontes locais usadas no abastecimento.
Integração
Açude Orós
A obra cria uma rota para o segundo maior reservatório do Ceará.
Etapa futura
Açude Castanhão
A integração completa depende das conexões e dos sistemas que distribuem a água.
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Em que fase a obra está em 2026?
Em 31 de março de 2026, mais 15 quilômetros foram liberados para receber água. A atualização oficial da obra informou 92% de execução e previsão de conclusão ainda em 2026.
Essa previsão pode mudar conforme serviços, equipamentos e testes avançam. O sistema, portanto, já conduz água em partes liberadas, mas ainda não está totalmente concluído. No Sertão, a água começou a chegar antes de o último quilômetro ficar pronto.
