Brasil crava US$ 35,8 bi em viagens corporativas e invade o top 10 global

Brasil crava US$ 35,8 bi em viagens corporativas e invade o top 10 global


Início de tarde em Ibiza e eu boiando de bruços na piscina do hotel, de óculos escuros, tentando lembrar a que horas exatamente terminou a noite anterior. O telefone toca e é uma fonte minha que estava em Chicago, falando alto no meio de um saguão. Gente, para tudo: o Brasil entrou para o clube dos dez maiores mercados de viagem corporativa do planeta.

O dado foi apresentado durante a GBTA Convention 2026, principal evento mundial do setor, realizado em Chicago. O Brasil aparece na 10ª posição do ranking global de Business Travel Spending, com um volume estimado de US$ 35,8 bilhões movimentados em viagens corporativas.

Traduzindo para quem vive de aeroporto: é o tamanho da conta que as empresas brasileiras pagam para colocar executivos, técnicos e equipes viajando pelo país e pelo mundo.

Mas o que mais chamou atenção não foi só a entrada no top 10. Entre os dez maiores mercados globais, o Brasil aparece como o país com a maior expectativa de crescimento em 2026, à frente de economias como Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

O cenário acompanha a retomada global das viagens de negócios. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), o setor deve movimentar cerca de US$ 1,7 trilhão neste ano, impulsionado pela recuperação da atividade econômica, pela redução das tensões comerciais e pela melhora das condições cambiais em diferentes mercados.

A própria entidade também divulgou uma pesquisa realizada em maio mostrando que 74% das empresas mantiveram ou ampliaram seus programas de viagens corporativas, com destaque para a recuperação das viagens internacionais.

Quem acompanha esse movimento de perto é Humberto Cançado, sócio e diretor da Voetur Viagens. Para ele, a gestão de viagens deixou de ser apenas uma função operacional para ganhar espaço nas decisões estratégicas das empresas.

“O aumento das viagens exige mais controle de custos, cumprimento das políticas corporativas e uso de tecnologia para tornar todo o processo mais eficiente. Hoje, a gestão de viagens faz parte da estratégia de competitividade das organizações”, afirma.

Segundo o executivo, o avanço dos investimentos em inteligência artificial, data centers, infraestrutura digital e energia também tem criado novos polos econômicos, especialmente na América do Norte, aumentando a circulação de executivos, fornecedores e profissionais especializados pelo mundo.

Enquanto isso, eu continuo aqui na piscina de Ibiza tentando convencer meu organismo de que água com gás resolve tudo. Pelo visto, para as empresas brasileiras, viajar nunca esteve tão em alta.



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