Candidato ao Senado, André do Prado ataca Marina Silva – 07/08/2026 – Política

Candidato ao Senado, André do Prado ataca Marina Silva – 07/08/2026 – Política


Há 32 anos na política, o deputado estadual André do Prado (PL-SP), 57, é o único entre os principais candidatos ao Senado por São Paulo que nunca exerceu um posto de nível nacional. Ele diz não ter receio de perder votos por isso e, para justificar, cita a ex-ministra Marina Silva (Rede), uma de suas adversárias.

“Ela foi eleita deputada federal por São Paulo e, como ministra do Meio Ambiente, não conheço nenhuma política pública que ela implementou ou fez para ajudar o estado”, disse Prado, que está em seu quarto mandato seguido como deputado, em entrevista à Folha.

Além de Marina, André enfrentará a ex-ministra Simone Tebet (PSB) e o deputado federal Ricardo Salles (Novo), que foi ministro do governo Jair Bolsonaro (PL) —e a quem o deputado estadual chama de ingrato por ter virado as costas a aliados que o ajudaram a se eleger.

Em sua primeira campanha para um cargo majoritário, André do Prado concorre em chapa junto com i candidato do PP, Guilherme Derrite.

No mais recente Datafolha, o deputado estadual aparece com 11% das intenções de voto, tecnicamente empatado, dentro da margem de erro de dois pontos, com Salles (13%) e Derrite (10%). Marina (18%) e Tebet (16%) aparecem empatadas em primeiro lugar.

Natural de Guararema, cidade a 80 km da capital paulista, André é filiado ao PL desde 1992, quando foi eleito vereador de sua cidade. Apadrinhado na política pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ocupa, desde 2023, a presidência da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo. É o primeiro mandatário da casa legislativa a ser reeleito para o cargo em uma mesma legislatura —a lei estadual precisou ser alterada para permitir isso.

Aliado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), André se coloca nas redes como o braço direito do governador e defende as políticas implementadas, incluindo a privatização da Sabesp, criticada pela oposição em meio à falta de água no estado.

André presidiu a sessão que aprovou a privatização da Sabesp, em 2023. A sessão foi interrompida pelo confronto entre manifestantes e a Polícia Militar, que lançou gás lacrimogêneo no plenário. O local foi temporariamente evacuado, e a oposição recusou-se a retornar, pedindo que a votação fosse adiada –o que não aconteceu. A desestatização foi aprovada por 62 votos a 1, com os deputados da base utilizando máscaras para não inalar o gás.

Qual será a sua bandeira eleitoral?

Municipalismo, que é a defesa dos municípios, políticas públicas de forma geral. Vamos defender todas as bandeiras: segurança pública, agronegócio, desenvolvimento econômico e saúde, que vai ser uma das principais pautas. Também trabalharemos a segurança pública. Sou a favor de diminuir a maioridade penal e diminuir a progressão de penas. Nos crimes bárbaros, como homicídios, latrocínios e feminicídios, o criminoso tem que cumprir a pena integral, sem progressão.

Como o sr. vê as alegações feitas por Ricardo Salles de que o sr. não é de direita?

Ele diz que não me vê como direita, porque não foi o escolhido do Tarcísio e da família Bolsonaro [para o Senado], por causa da última eleição [à Prefeitura de São Paulo, em 2024]. Salles ficou contrariado [ao não ser escolhido o candidato do PL, que decidiu apoiar a reeleição de Ricardo Nunes (MDB)] e resolveu sair do partido. Saiu atirando, falou mal da família Bolsonaro, que foi quem abriu as portas para ele ter a votação que teve [a deputado federal, em 2022]. Salles é um ingrato.

Sempre fui de direita, conservador. Ser de direita é querer um Estado mais enxuto para sobrar mais dinheiro para investimento, ter uma economia mais liberal para poder fazer o que temos feito em São Paulo, com parcerias público-privadas.

O sr. disse à Folha, em 2023, que não era um deputado de ideologia e costumes. Isso se mantém, mesmo se posicionando como de direita?

Sim. A pauta de costumes é porque eu não fico debatendo ideologia. Eu debato políticas públicas importantes para a população. Tenho minhas ideologias, mas entendo que o trabalho do dia a dia tem que ser produtivo na área da saúde, como temos feito com a tabela SUS Paulista, na área da habitação e também com o saneamento básico, que será universal até 2029.

Há hoje muitas críticas à falta d’água no estado. Defender a privatização da Sabesp não é um tiro no pé?

As pessoas não compreenderam, ainda, o tamanho desse projeto de universalização do saneamento básico. Essas faltas d’água são históricas, não começaram com a privatização. Na cidade de Guarujá, a falta d’água é um problema constante há anos, e agora teremos uma adutora trazendo água de Cubatão até o final de 2026. Isso só está se resolvendo por causa da privatização da Sabesp. Senão, não teríamos recursos. Como há muitas obras sendo feitas ao mesmo tempo, isso gera um transtorno.

A votação da privatização, presidida pelo sr., foi polêmica, e deputados da oposição usam esse episódio como exemplo de que a sua gestão passou um trator nos projetos e foi subserviente em relação ao Executivo.

Isso não é verdade. Eu só pautei o projeto, dei amplo direito de discussão nas comissões e no plenário, fizemos audiência pública, o governo conversou com todos os municípios para poder explicar como iria funcionar. Não atropelamos nada, fizemos só o processo legislativo, que contou com a obstrução da oposição. Faz parte do nosso sistema democrático: quem tem mais votos é que vence.

O sr. sente maior dificuldade para se tornar conhecido por não ter exercido um cargo no nível nacional, ao contrário dos outros candidatos ao Senado?

Como eu não tinha participado de uma eleição majoritária, é natural que a minha política pública sempre tenha sido voltada para a minha região. Agora, vamos ampliar esse trabalho para todo o estado. Quando as pessoas me conhecerem, tenho certeza de que vão se identificar muito comigo, principalmente nas cidades menores, porque tenho facilidade de estar próximo dos problemas da população.

Como o sr. enxerga as candidaturas de Marina Silva e Simone Tebet? Acha que Tebet é capaz de conquistar eleitores de centro?

A Tebet hoje é de esquerda, é candidata do presidente Lula, então ela não é de centro. Talvez fosse quando ela estava lá em Mato Grosso do Sul, antes de trair o eleitorado dela se aliando ao governo Lula, que ela criticou. E a Marina, eu respeito a história dela, mas ela foi eleita deputada federal por São Paulo e, como ministra do Meio Ambiente, não conheço nenhuma política pública que ela implementou ou fez para ajudar o estado.

A queda do desmatamento geral [que inclui a Mata Atlântica, em SP] não conta?

Eu acho que em nível nacional, mas, quando você é eleito por um estado, você tem que defender esse estado.

Como ministra, ela não fala por todos?

Enquanto ministra, ela pode ter feito o trabalho em nível nacional, embora esses dados [de desmatamento] sejam questionáveis. Mas ela tinha a obrigação de ajudar São Paulo e não fez.

O sr. se incomoda em ser chamado de pupilo do Valdemar Costa Neto?

Sou pupilo da dona Raquel, minha mãe. O presidente Valdemar é uma liderança que me deu oportunidades desde o meu primeiro mandato como vereador em Guararema, em 1992. Se hoje sou presidente da Assembleia, é graças ao crescimento do PL, que ele conduziu durante esses anos todos. Tenho um grande respeito e muita gratidão por ele ter me aberto as portas.

Há grande poder nas mãos do Congresso hoje. Consegue enxergar uma mudança na forma de governar, talvez o fim do presidencialismo?

Temos que discutir isso com a sociedade e com o Parlamento. Acho que vale a pena debater a questão eleitoral também, porque a cada dois anos ter eleições é muito desgastante e caro para o Brasil. Temos que fazer a conciliação das eleições, sou a favor disso. Sou a favor do voto distrital misto, acho que aproxima mais os eleitores dos candidatos.

Mas o sr. é a favor de, um dia, trocar o presidencialismo por outro sistema, como o parlamentarismo, por exemplo?

O Brasil está acostumado com o presidencialismo, mas diante da forma como as coisas estão acontecendo no país, acho que vale discutir e analisar os prós e contras de cada sistema. Hoje, o Congresso já tem uma força muito grande, então dá para discutir isso no futuro, não é nada exagerado. Porém, é algo distante ainda, temos problemas seríssimos antes de tudo isso: trazer paz novamente para o país, tanto na questão jurídica, como na questão financeira. Quando a população começa a parcelar iFood, a situação não está boa.

Caso o sr. seja eleito e o presidente Lula reeleito, como será a sua relação com um governo de esquerda?

Sou uma pessoa de time, de grupo, e lá [no Senado] vamos ter uma liderança dentro do Partido Liberal, e essa liderança é quem vai definir sobre as nossas decisões.

O sr. pensa em concorrer a outro cargo político no futuro?

Não. Estou focado no Senado e [se eleito] vou ficar oito anos no Senado. Não tem a possibilidade [de deixar o cargo] mesmo se for convidado para ser secretário, ministro ou qualquer outro cargo.


Raio-X | André do Prado, 57

Natural de Guararema (SP), é formado em análise de sistemas pela Universidade de Mogi das Cruzes. Foi vereador, vice-prefeito, secretário de Saúde e prefeito de Guararema, deputado estadual por quatro mandatos e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (2023-2026). É candidato ao Senado pelo PL em São Paulo.



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