Um vice para enterrar de vez a candidatura de Flávio Bolsonaro

Um vice para enterrar de vez a candidatura de Flávio Bolsonaro


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  • Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, teria como possível vice Alfredo Gaspar, deputado do PL de Alagoas.
  • Gaspar, relator da CPMI do INSS, seria usado pela campanha para pressionar o ex‑presidente Lula (Lulinha).
  • Analistas afirmam que a escolha não atrairia eleitores anti‑Lula nem moderados, restringindo o apoio a eleitores extremistas.
  • A indicação surge pela ausência de outras lideranças dispostas a integrar a chapa, segundo o texto.

As rainhas de bastidores políticos que trabalham na Globo News são as pessoas mais indicadas para fazer previsões eleitorais – e errar. Mas este vetusto jornalista também possui sua bola de cristal – falível, é claro. Nossa aposta é que Alfredo Gaspar, bolsonarista empedernido do PL de Alagoas, será a âncora definitiva da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Brilhantes, os estrategistas da campanha reacionária entendem que, por ter sido relator da CPMI do INSS, Gaspar será um potente instrumento de exploração política da figura de Lulinha, ora triplamente investigado. Esquecem de que isso já é feito pela mídia e continuará sendo, mediante vazamentos seletivos da Polícia Federal e ilegalidades do gênero, independentemente da presença do parlamentar na chapa.

Para quem busca amealhar os votos dos eleitores que antipatizam com Lula e ao mesmo tempo repudiam o medievalismo bolsonarista, o nome do truculento Alfredo Gaspar não agrega. A simples hipótese, mesmo sem comprovação, de que o deputado alagoano esteve envolvido em estupro de vulnerável é eleitoralmente devastador.

Para quem procurava uma mulher para suavizar o matiz misógino da candidatura Flávio, a figura de Gaspar constitui inversão diametral de estratégia, ou seja, óbvio improviso que se fez necessário pela completa ausência de quadros dispostos a entrar na barca.

Só extremistas votarão na dupla Flávio-Gaspar, e esses votos já estão contabilizados faz tempo. Todos aqueles que votariam num “Bolsonaro moderado” repudiarão, diante da urna, nome tão identificado com o golpismo. Em discursos veementes na tribuna da Câmara, Gaspar afirmou categoricamente que o Brasil vive sob uma “ditadura judicial”, acusando diretamente o Supremo Tribunal Federal.

O parlamentar alagoano posicionou-se como um dos principais defensores da urgência dos projetos de lei que visavam a conceder anistia aos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro. Foi relator da proposta que tentou suspender a ação penal contra o ex-diretor da Abin e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), hoje foragido nos Estados Unidos.

Com Alfredo Gaspar como vice, Flávio Bolsonaro não ganhará nenhum voto além dos que já tem. E corre o risco de perder alguns. O fato de o deputado do PL ter enviado R$ 6,2 milhões a uma prefeitura alagoana sem que o destino dos recursos pudesse ser rastreado, como constatado pelo Tribunal de Contas da União, também não o ajuda muito.

Vale recordar que, na campanha de Jair Bolsonaro em 2022, a escolha do general Braga Netto como vice também deveu-se à falta outros nomes dispostos a abraçar tão intimamente o capitão, em especial a ministra da Agricultura,Tereza Cristina, que, ontem como hoje, não embarcou – antes, por decisão própria; hoje, pela neutralidade do seu partido, o PP.

Quase ninguém quer ser vice de um Bolsonaro.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum



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