FPF junta-se à UEFA na oposição à comercialização dos Mundiais
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esteve alinhada com os restantes membros da UEFA na oposição à proposta de Gianni Infantino para a venda de participações dos Mundiais a privados, de acordo com uma carta a que a agência Lusa teve acesso.
Pedro Proença enviou uma carta aos sócios da FPF e aos clubes dos três principais escalões de futebol onde partilha a posição do organismo relativamente à proposta do presidente da FIFA de comercialização dos Campeonatos do Mundo.
«No atual contexto internacional e perante a situação que se vive na FIFA, a FPF acompanhou, com sentido de responsabilidade institucional, a posição assumida pelas 55 Federações da UEFA, rejeitando a proposta de transferência de participações de propriedade no Campeonato do Mundo e noutras competições da FIFA para investidores privados», escreveu Pedro Proença.
A proposta de Infantino, recorde-se, enfrentou oposição imediatada, sobretudo por parte da UEFA, obrigando o presidente da FIFA a recuar na decisão.
«O modelo proposto pela FIFA, ao colocar nas mãos de interesses privados decisões determinantes sobre o calendário internacional, os formatos competitivos e o desenvolvimento futuro do desporto, configuraria uma alteração profunda e inaceitável da natureza do futebol. Tal modelo não pode ser acolhido por quem tem o dever de proteger o jogo e de preservar o seu legado para as gerações futuras. Nunca abdicaremos destes valores, que são para nós inalienáveis, é a garantia que lhe deixo», vincou o presidente da FPF, na referida carta.
Antes disso, Pedro Proença já tinha salientado que o «desenvolvimento comercial do futebol legítimo e necessário», mas que «nunca poderá comprometer princípios essenciais de boa governação, mérito desportivo, mecanismos de solidariedade, estabilidade das competições ou a salvaguarda do futuro do jogo», sublinhando que «esses princípios estruturantes, que a FPF subscreve integralmente, continuarão a orientar de forma firme e coerente a nossa atuação».
A carta do presidente da FPF visa ainda o arranque da temporada 2026/2027, desejando as «maiores felicidades» aos clubes e sócios ordinários do organismo.
«A Supertaça Cândido de Oliveira marcou, mais uma vez, o início de uma nova época. Uma temporada que todos desejamos que seja de exaltação do elevado talento que faz do futebol uma das maiores marcas de Portugal no mundo», disse.
Apelando, por fim , à «dedicação e competência de todos os agentes do futebol português», Proença assume a vontade de «trabalhar em conjunto, continuando dessa forma a contribuir para o seu sucesso e desenvolvimento constante».
