pai e madrasta são presos em Palmas

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  • Igor Gustavo Veloso de Souza e a madrasta Kathellen Moreira foram presos na madrugada de 6 de agosto em Palmas, após pedido de prisão preventiva da Polícia Civil.
  • Laudo do Instituto Médico Legal descartou afogamento e concluiu que o menino de 3 anos sofreu múltiplas agressões e violência sexual.
  • O homicídio foi registrado na segunda‑feira (3), suscitando críticas à rede de proteção infantil por denúncias prévias.
  • A detenção ocorreu às 23 h de 5 de agosto na residência de um amigo do pai, na quadra 407 Norte, após monitoramento policial e entrega voluntária via advogado.

O advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, pai de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, e a madrasta da criança, Kathellen Moreira, foram presos na madrugada desta quinta-feira (6) em Palmas, suspeitos de envolvimento na morte do menino. A detenção ocorreu horas depois de a Polícia Civil solicitar à Justiça a prisão preventiva do casal, após o laudo do Instituto Médico Legal (IML) descartar a versão de afogamento apresentada pelo pai e concluir que Gustavo foi vítima de múltiplas agressões e violência sexual. O caso, registrado na segunda-feira (3), chocou o país e levanta questões urgentes sobre as falhas da rede de proteção à infância diante de um histórico de denúncias que já apontava para o risco que a criança corria.

Prisão do pai e da madrasta

Igor Gustavo e Kathellen Moreira foram presos por volta das 23 horas de quarta-feira (5), na residência de um amigo do pai, na quadra 407 Norte, em Palmas. Conforme apurado pela TV Anhanguera, investigadores monitoravam os passos do casal e faziam campana no local antes da detenção. Vizinhos perceberam movimentação atípica e repassaram informações à equipe policial. Ao notarem a aproximação dos agentes, os investigados acionaram um advogado, que comunicou à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que ambos se entregariam.

A defesa de Igor Gustavo afirmou, segundo o G1, que ele colaborou com as autoridades desde o início e que a entrega foi previamente acordada, não uma captura após buscas. A nota da defesa ressalta que não comentará detalhes do caso em razão do sigilo das investigações. Após passarem por procedimentos no IML, o pai foi encaminhado ao sistema prisional e a madrasta à unidade prisional feminina. O G1 informou não ter conseguido contato com Kathellen Moreira até o fechamento da reportagem.

A brutalidade revelada pelo laudo

O caso veio a público na segunda-feira (3) quando o pai compareceu à 1ª Central de Atendimento da Polícia Civil para comunicar a morte do filho. Em depoimento, Igor Gustavo afirmou que encontrou a criança sem vida pela manhã, mas alegou que, devido ao abalo emocional, só conseguiu procurar a polícia horas depois. Sua defesa sustenta que o menino havia se afogado na piscina de casa no domingo (2), sido socorrido no próprio local e encontrado sem sinais vitais na manhã seguinte.

O laudo do IML demoliu essa versão. O documento descartou qualquer indício de afogamento e concluiu que Gustavo morreu em decorrência de múltiplas agressões e violência sexual. A certidão de óbito obtida pela Coluna Mirelle Pinheiro (Metrópoles) aponta como causas da morte choque hemorrágico e neurogênico, hemorragia interna, laceração intestinal (reto) e violência sexual anal. O laudo pericial ao qual o G1 teve acesso é ainda mais explícito: afirma que a morte ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”. Exames complementares para pesquisa de sêmen, álcool e drogas foram solicitados e serão incorporados à investigação posteriormente, segundo o G1.

Histórico de denúncias e falhas na proteção

A morte de Gustavo não surgiu do nada. Um vídeo gravado no fim de semana do crime, segundo o G1, mostra a criança se recusando a ir para a casa do pai. Ao ser questionada pela mãe sobre o motivo, o menino de 3 anos responde: “Porque ele me bate.” A advogada Stella Bueno, que representa Sabrina da Silva Feitosa, mãe do menino, afirmou ao G1 que Sabrina já havia relatado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas, mas que o medo e o temor a impediam de tomar providências mais drásticas.

O sistema, no entanto, funcionou contra a mãe. Advogados de Sabrina informaram à TV Anhanguera que ela não podia privar a criança da convivência com o pai sem arriscar ser acusada de alienação parental, segundo o G1. O instrumento jurídico, criado para proteger crianças de manipulação afetiva, foi utilizado como barreira que manteve Gustavo exposto a um agressor. O histórico de violência de Igor Gustavo não era desconhecido: segundo apuração do Metrópoles, em 2023 ele foi denunciado por ameaçar a ex-companheira, mãe da criança, após uma discussão sobre o filho, que tinha apenas oito meses na época. Na ocasião, o advogado enviou áudios com ameaças e ofensas porque a mãe se recusou a deixar o bebê dormir em sua casa, alegando que ainda estava em fase de amamentação. Apesar disso, nenhuma medida eficaz impediu que a criança continuasse sendo entregue ao pai nas visitas.

Repercussão e próximos passos da investigação

A repercussão do caso atingiu a classe jurídica. A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Tocantins (OAB-TO), suspendeu cautelarmente a inscrição de Igor Gustavo. Em nota oficial, a entidade afirmou, segundo a Coluna Mirelle Pinheiro, que a medida permanecerá vigente até a instauração e análise do respectivo procedimento disciplinar no Tribunal de Ética e Disciplina (TED). Vale registrar que, em 2023, quando foi denunciado por ameaçar a ex-companheira, Igor Gustavo presidia justamente o Tribunal de Ética da OAB-TO. A suspensão agora, após a morte da criança, chega tarde.

As investigações seguem sob responsabilidade da 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas, que está ouvindo familiares e testemunhas. Os exames complementares solicitados, incluindo pesquisa de sêmen, álcool e drogas, ainda não foram concluídos e serão incorporados ao inquérito quando prontos, conforme o G1. O caso segue aberto e a investigação em curso, mas as perguntas mais difíceis já estão postas: quantos sinais precisavam existir para que o Estado agisse antes?




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