O urso que pode seguir o cheiro de uma carcaça por 30 km e encontrar focas escondidas sob o gelo
No Ártico, a visão alcança apenas uma extensão branca quase sem referências. Mesmo assim, um grande predador consegue localizar alimento que permanece distante, invisível ou completamente coberto pela neve.
Como o olfato do urso-polar encontra alimento a quilômetros de distância?
O urso-polar possui uma grande cavidade nasal revestida por milhões de receptores sensoriais. Além disso, a região do cérebro responsável por processar odores é muito desenvolvida. Essa combinação permite separar diferentes moléculas transportadas pelo vento e identificar quais delas podem indicar uma foca, uma carcaça ou outro animal.
O olfato do urso-polar não informa apenas que existe comida nas proximidades. Ao caminhar de maneira transversal ao vento, o animal compara a intensidade do cheiro e muda de direção quando encontra uma corrente mais concentrada. Cientistas que acompanham a espécie já observaram ursos seguindo odores de focas carregados pelo vento por dezenas de quilômetros.
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Quais estruturas tornam o nariz desse urso tão sensível?
O focinho aparentemente simples esconde uma grande área interna. As passagens nasais aumentam o contato entre o ar e os receptores, enquanto cada inspiração leva novas partículas até a mucosa olfativa. Depois disso, os impulsos seguem para o bulbo olfatório, onde o cérebro identifica e compara os odores.
- Grande cavidade nasal
- Milhões de receptores olfativos
- Bulbo olfatório desenvolvido
- Capacidade de comparar a direção do vento
- Memória para reconhecer odores importantes
O vídeo “Polar Bears Hunt for Seals in the Arctic”, publicado pela BBC Studios, mostra como focas mantêm diferentes aberturas para respirar sob o gelo e como o urso precisa localizar o ponto correto antes de atacar. As imagens ajudam a entender por que a caça depende menos da visão do que da paciência, da audição e da capacidade de detectar sinais escondidos na paisagem congelada.
O olfato do urso-polar realmente alcança uma carcaça a 30 km?
A distância de 30 ou 32 quilômetros aparece com frequência em materiais educativos e publicações sobre a espécie. No entanto, ela não deve ser tratada como um limite fixo comprovado em qualquer situação. O alcance muda conforme a intensidade do odor, a direção do vento, a temperatura, a umidade e a existência de obstáculos entre o animal e a fonte.
Uma carcaça grande produz muito mais moléculas odoríferas do que uma presa pequena e escondida. Por isso, sob condições favoráveis, seu cheiro pode viajar por uma distância enorme sobre uma superfície aberta. A afirmação de 30 quilômetros funciona como uma estimativa possível, e não como uma capacidade garantida em todos os ambientes. O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos reconhece que medir o alcance máximo dos ursos é difícil e que as estimativas variam amplamente.
Como ele localiza uma foca escondida debaixo do gelo?
As focas-aneladas precisam voltar regularmente à superfície para respirar. Durante o inverno, elas mantêm aberturas no gelo e constroem abrigos sob camadas de neve. O urso pode detectar o ar que escapa desses locais, seguir rastros deixados na superfície e reconhecer pequenas diferenças de odor ao redor das cavidades.
Quando o olfato do urso-polar indica uma presa, ele se aproxima com cuidado e examina a área. Em algumas situações, espera ao lado de uma abertura de respiração; em outras, rompe a cobertura de neve para alcançar um abrigo. A caça exige paciência porque a foca pode usar diversos buracos e permanecer submersa por longos períodos.

O olfato do urso-polar é sete vezes melhor que o de um cão?
A comparação mais repetida não utiliza um cão comum, mas o bloodhound, raça conhecida pela capacidade de rastreamento. Materiais do Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos estimam que o olfato dos ursos seja sete vezes mais sensível que o desse cão. A mesma fonte ressalta, porém, que o desempenho é muito difícil de medir com precisão.
Além disso, essa comparação aparece com maior frequência em informações sobre ursos-negros e outros integrantes da família Ursidae. Ela ajuda a demonstrar a dimensão da capacidade olfativa compartilhada pelo grupo, mas não representa uma medição laboratorial exclusiva do urso-polar. Portanto, o dado deve ser apresentado como uma estimativa, e não como uma diferença matemática comprovada entre as duas espécies.
Por que esse sentido é decisivo para a sobrevivência no Ártico?
O urso-polar depende principalmente da gordura das focas, uma fonte concentrada de energia necessária para sobreviver ao frio. Como as presas aparecem de forma irregular e passam grande parte do tempo sob a água ou o gelo, o animal precisa localizar oportunidades antes de gastar energia demais caminhando. O nariz funciona, portanto, como um sistema de orientação para decidir qual direção seguir.
O Polar Bears International explica que os animais costumam caminhar atravessados em relação ao vento e mudam para uma rota contra ele quando percebem um odor interessante. No entanto, a perda do gelo marinho reduz o acesso às áreas de caça e obriga muitos indivíduos a percorrer distâncias maiores. Assim, até um dos sistemas olfativos mais sensíveis entre os mamíferos depende da existência de um ambiente no qual ainda seja possível alcançar as presas.
