Mamífero desaparecido de uma região há mais de 150 anos volta em grupo de apenas 20 e renova a esperança de biólogos australianos
Um mamífero desaparecido do sudoeste de Nova Gales do Sul por mais de 150 anos voltou a correr pelo Mallee Cliffs National Park. A primeira soltura reuniu 20 animais, mas o projeto já recebeu reforço e agora testa se a espécie consegue recuperar também o solo da região.
Qual mamífero desaparecido voltou à região?
O animal é o bandicoot-de-Shark-Bay, identificado como Perameles bougainville. Considerado o menor bandicoot, pesa aproximadamente 220 gramas, alcança 20 centímetros e possui focinho comprido, orelhas erguidas e faixas escuras na parte traseira.
O bandicoot-de-bougainville é noturno e descansa em ninhos sob arbustos. À noite, usa o olfato e as patas fortes para procurar insetos, aranhas, sementes e raízes enterradas.

Por que a espécie desapareceu por mais de 150 anos?
A espécie foi eliminada de Nova Gales do Sul principalmente por gatos e raposas introduzidos. Esses caçadores atingiram pequenos mamíferos australianos sem defesas suficientes contra predadores trazidos de outros continentes.
Populações relacionadas já foram comuns perto do baixo rio Murray, mas não eram registradas no estado havia mais de 150 anos. No continente, a espécie desapareceu na década de 1940 e sobreviveu naturalmente apenas nas ilhas Bernier e Dorre.
Como a área de soltura impede novos ataques?
A soltura ocorreu numa área cercada de 9.570 hectares no Mallee Cliffs National Park. Gatos e raposas foram removidos, enquanto a barreira impede novas entradas e cria o maior refúgio continental australiano sem esses predadores.
A cerca não elimina todos os riscos, mas retira a principal ameaça da extinção regional. Equipes ainda precisam inspecionar a barreira, controlar invasões e acompanhar doenças, incêndios, alimento e abrigo.
Como os 20 pioneiros chegaram ao parque?
O grupo reuniu dez machos e dez fêmeas, levados da Área de Conservação Estadual de Pilliga em outubro de 2025. A população de origem havia sido reintroduzida em 2023 e já se reproduzia em outro recinto protegido.
Quinze pioneiros receberam transmissores VHF presos à cauda para monitorar sobrevivência, dispersão e territórios. A divisão equilibrada entre os sexos favoreceu a reprodução sem retirar animais demais da população de origem.
A cronologia conecta o desaparecimento ao retorno recente:
●
Década de 1940 marcou o desaparecimento da espécie no continente
●
2023 devolveu bandicoots a uma área protegida de Pilliga
●
2025 levou os primeiros 20 animais a Mallee Cliffs
●
2026 acrescentou 40 indivíduos vindos de outra população
O que mudou depois da primeira soltura?
O monitoramento indicou sobrevivência entre 87% e 100%, sinal de que o recinto fornecia recursos adequados. Em abril de 2026, outros 40 bandicoots do Mt Gibson Wildlife Sanctuary reforçaram o núcleo.
Com o segundo transporte, 60 animais passaram a compor as solturas realizadas em Mallee Cliffs. O relato oficial da Australian Wildlife Conservancy detalha o grupo fundador e a proteção contra predadores.
Os números mostram a estrutura montada para a recuperação:
Dado
O que representa
Importância
9.570 hectares
Recinto cercado
Maior área continental australiana sem predadores invasores
Proteção contra gatos e raposas
60 animais
Duas transferências
Fundadores e reforço populacional
Base genética mais ampla
87% a 100%
Sobrevivência inicial
Adaptação dos pioneiros ao recinto
Recursos atenderam ao grupo
Leia também: Depois de fechar 343 das 587 lojas, desativar três centros de distribuição e acumular R$ 1,1 bilhão de passivo
Por que o retorno também pode recuperar o solo?
Os bandicoots funcionam como engenheiros do ecossistema porque cavam em busca de alimento até 30 centímetros abaixo da superfície. Esse comportamento revolve o solo, mistura matéria orgânica e cria espaços onde água e sementes podem se acumular.
O retorno ainda precisa produzir filhotes e manter diversidade genética para tornar-se duradouro. A cerca exige vigilância constante, pois uma invasão de gatos ou raposas poderia desfazer o avanço; por isso, a recuperação será medida por reprodução, sobrevivência e efeitos sobre a vegetação.
