Onze presos fogem de penitenciária após cavar túnel no RN

Onze presos fogem de penitenciária após cavar túnel no RN


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Onze presos fugiram na madrugada desta sexta-feira (31) da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte, após arrancarem o vaso sanitário de uma cela e cavarem um túnel.

Treze fugitivos passaram pelo túnel, mas dois deles foram encontrados por policiais penais dentro do presídio e levados de volta às celas. Onze pularam o muro e escaparam. Durante a tarde, um deles foi recapturado, segundo a Seap (Secretaria de Estado da Administração Penitenciária).

A governadora Fátima Bezerra (PT) disse que acompanha o caso desde o início da manhã e cobra uma investigação rápida sobre o ocorrido, além da recaptura dos presos.

“É inadmissível o que aconteceu hoje. Tenho total confiança e respeito pelos bons profissionais, mas eventuais erros devem ser apurados e os responsáveis levados à Justiça”, disse.

Ela disse também que não vai admitir que o Rio Grande do Norte volte ao passado, quando enfrentou uma grave crise no sistema penitenciário.

A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga era conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz devido à localização ao lado da Penitenciária de Alcaçuz, onde 26 presos morreram em uma rebelião em janeiro de 2017. A maioria dos mortos era ligada à facção Sindicato do Crime do RN, que disputava espaço nos presídios com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em maio do mesmo ano, o sistema prisional do estado registrou a maior fuga de sua história: 91 presos escaparam por um túnel cavado na Penitenciária Estadual de Parnamirim, na região metropolitana de Natal.

Segundo a presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, a fuga desta sexta-feira é consequência da falta de investimentos em segurança e da ausência de uma gestão que priorize os procedimentos técnicos nas unidades prisionais.

“Para os policiais penais é muito triste e muito frustrante, tendo em vista que toda responsabilidade só cai em cima de quem está na ponta, na linha de frente”, disse.

A direção do sindicato afirmou que já havia alertado a secretaria sobre as dificuldades enfrentadas pelos policiais penais.

“O atual cenário é consequência direta de decisões da gestão, que flexibilizou procedimentos e deixou de priorizar a segurança. Hoje, os policiais penais sequer conseguem realizar atividades ordinárias, como vistorias internas e estruturais, porque são direcionados para outras demandas que não contribuem para a segurança das unidades”, disse Vilma Batista.

O secretário de Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, disse que será realizada uma apuração para verificar se os protocolos de segurança foram seguidos.

Ele disse ter ficado impressionado com a quantidade de areia na cela onde ocorreu a fuga. Xavier acredita que os presos preparavam o túnel há ao menos uma semana.



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