colocaram alvo nas costas do Fábio
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- Advogado de Fábio Luís Lula da Silva, Marco Aurélio Carvalho, denunciou que o ministro André Mendonça (STF) autorizou, em 48 horas, duas investigações contra Lulinha.
- Ele acusa setores da Polícia Federal de conduzir ação “lavajatista” para beneficiar Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais.
- Carvalho afirma não ter recebido os processos nem os nomes dos agentes federais que solicitaram as investidas contra o filho do presidente.
- O advogado ainda criticou vazamentos e a cobertura da mídia liberal, comparando o caso ao uso da delação de Antonio Palocci antes das eleições de 2018.
Advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o advogado Marco Aurélio Carvalho denunciou em entrevista à Fórum na manhã deste sábado (1º) que o aval do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para duas investigações contra o filho de Lula em 48 horas é parte de uma ação lavajatista de setores da Polícia Federal (PF) para interferirem em prol de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.
“Pintaram o alvo e atiraram a flecha. Essa é a verdade. Eles colocaram um alvo ambulante nas costas do Fábio e ele virou suspeito pelo simples fato de existir. Criminalizaram a existência dele, as relações sociais dele, as relações econômicas dele, as relações profissionais. É uma vergonha. Uma coisa é ele ter amizade, outra coisa é ele ter relação profissional – que não teria nenhum problema desde que ele reconhecesse”, afirmou.
A tática remete às eleições de 2018, quando o então juiz Sergio Moro (PL-PR), atual candidato do clã Bolsonaro ao governo do Paraná, levantou o sigilo da delação premiada de Antonio Palocci em 1º de outubro de 2018, seis dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
Após vencer Fernando Haddad na disputa, Jair Bolsonaro ofereceu o “super” ministério da Justiça ao ex-juiz da Lava Jato, que deixou o posto em abril de 2020 acusando o ex-presidente justamente de interferir na Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro no caso de corrupção das chamadas “rachadinhas”.
Marco Aurélio Carvalho afirma que até o momento não teve acesso aos processos autorizados por Mendonça e sequer ao nome dos agentes federais que solicitaram as investidas contra Lulinha.
O advogado ainda critica os vazamentos, que remetem ao mesmo método de conluio entre Moro, procuradores da Lava Jato e setores da mídia liberal para construção de uma narrativa e fabricação de manchetes – como ocorreu nesta semana com Folha, Estadão e O Globo no caso envolvendo o filho do presidente.
“A gente tem dito que a gente segue confiando nas instituições E nós acreditamos, evidentemente, que os responsáveis pelas investigações não vão permitir que elas sejam utilizadas com objetivos políticos e eleitorais. Ao menos as autoridades que estão acima de cada uma dessas investigações, os ministros do Supremo e, eventualmente, os delegados da polícia que presidiam tais ou quais inquéritos. Claro que estou falando isso do ponto de vista retórico, porque é claro que a gente está com receio desses caras interferirem. Mas, eu não tive acesso [aos autos]. Isso nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça, recordando tristes e lamentáveis episódios da finada Operação Lava Jato“, afirmou.
Para o coordenador do grupo Prerrogativas, “o que está acontecendo é a instrumentalização de setores da Polícia Federal”.
“Nós não podemos falar de toda a Polícia Federal, inclusive porque a gente reconhece, louva e aplaude a iniciativa do Andrei [Rodrigues, diretor-geral da PF, que também virou alvo de Mendonça] de fortalecer a instituição, reafirmando a necessidade de atuar com independência, autonomia, tal como o presidente determinou. Mas é induvidoso que setores da Polícia Federal estão sendo instrumentalizados por interesses políticos eleitorais. Há uma tentativa clara desses setores de interferir nas eleições de modo a tentar se sobrepor à vontade popular, que é expressada numa democracia, pelo voto, nas urnas”, diz.
Fatores externos e internos
Carvalho ainda lembrou dos recentes ataques à democracia no Brasil, que levaram à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, e a nova investida, capitaneada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA, que busca a interferência da ultradireita internacional, liderada por Donald Trump, nas eleições de outubro.
“Numa democracia se ganha e se perde no voto. O voto é soberano. Nós não podemos permitir que fatores externos interfiram no processo eleitoral. O que está acontecendo é a instrumentalização de setores da Polícia Federal a serviço de interesses políticos eleitorais. Eleição se ganha e se perde nas urnas. Numa democracia é assim que tem que ser. Sobretudo numa democracia que tenha dimensões continentais como a nossa, que é um exemplo, um paradigma no mundo. E nós não podemos permitir qualquer tipo de interferência externa. Seja de uma instituição, seja de um órgão, seja eventualmente de um país ou de quem quer que seja, de um grupo empresarial. Não podemos permitir que isso aconteça”, afirmou.
Em relação às investigações abertas contra Fábio Luís, que apura suposto tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Dataprev, Marco Aurélio Carvalho diz que não há preocupação com o mérito.
“Nenhum tipo de preocupação com mérito com cada uma dessas investigações porque o Fábio vai comprovar que não tem nenhuma relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, como a gente já vinha dizendo em relação ao INSS. A Polícia Federal não conseguiu provar nada e simplesmente não vai, porque realmente ele não fez nada de errado”, afirmou.
O advogado ainda sinalizou que deve acionar a justiça contra a ação coordenada feita por marqueteiros de Flávio Bolsonaro para propagar vídeos produzidos por Inteligência Artificial a fim de atrelar o caso ao presidente Lula.
“Não podemos permitir que mentiras que vão ser veiculadas de forma ainda mais potente através da utilização da inteligência artificial circulem sem qualquer tipo de restrição e sem qualquer tipo de penalização”, concluiu.
Dobradinha com Mendonça em nova estratégia de campanha
Conforme a Fórum revelou, em uma ação orquestrada com o “terrivelmente evangélico” André Mendonça, que determinou a abertura de dois inquéritos contra Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, em 48 horas, a campanha de Flávio Bolsonaro já deu início a um levante nas redes sociais usando as decisões do ministro contra Lula.
O próprio Flávio Bolsonaro desencadeou a ação criada pela nova equipe de marqueteiros em publicação às 18h56 desta sexta-feira (31) na rede X, quando Mendonça já havia dado aval ao novo inquérito, que só seria divulgado para a mídia cerca de uma hora mais tarde.
Na publicação, Flávio Bolsonaro mente tentando ainda atrelar Fabio Luís ao escândalo do INSS – sendo que ele não foi indiciado – e destaca a decisão do ministro contra Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, além das “medidas de Mendonça no caso INSS, que cita Lulinha”.
“Essa suspeita de uso da Polícia Federal para tentar esconder os documentos da investigação que liga Lulinha ao esquema é um tapa na cara dos aposentados e das suas famílias. O governo Lula tem muito a explicar”, escreveu.
A dobradinha com Mendonça, especialmente na apuração aberta contra o diretor da PF, é uma estratégia criada pelos marqueteiros de Flávio Bolsonaro para dar “paridade de forças” ao filho “01” que foi protegido por Jair Bolsonaro (PL) nas investigações do caso de corrupção das rachadinhas.
Durante seu governo, Bolsonaro trocou cinco diretores da PF para blindar o clã. A ação desencadeou o pedido de demissão do então “super” ministro da Justiça, Sergio Moro (PL-RP), que à época acusou o ex-presidente de interferência na corporação.
Sem encontrar provas contra Lulinha no escândalo do INSS, Mendonça abriu a apuração contra Rodrigues e as duas investigações contra o filho do presidente na mesma semana em que teve que avalizar uma investigação contra Flávio Bolsonaro por causa das remessas de milhões de dólares de Daniel Vorcaro para um fundo nos EUA que teria como finalidade “patrocinar” o filme Dark Horse.
Enquanto Mendonça atuava no STF, a nova equipe de marketing de Flávio Bolsonaro, comandada por Duda Lima, arquitetou uma ação para colar as investigações no “pai do Lulinha”, expressão que já havia sido testada no dia anterior por Flávio Bolsonaro nas redes.
“Mesmo com toda a blindagem patrocinada pelo pai do Lulinha, a PF começou a investigar um “suposto” caso de tráfico de influência no Ministério da Saúde. A suspeita é de que ele tenha operado em favor do Careca do INSS, o homem que desviou dinheiro dos aposentados e dos velhinhos do Brasil. Lulinha ainda é suspeito de ter usado o acesso ao gabinete presidencial para vender cannabis medicinal ao Ministério da Saúde”, escreveu Flávio Bolsonaro junto a um vídeo no Instagram em que mostra uma reportagem com a primeira decisão de Mendonça.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, em outra frente, os marqueteiros resolveram acionar o gabinete do ódio nas redes para propagar questionamentos sobre “onde está” Lulinha, cobrando explicações do presidente.
Uso de IA
A ação pode ser vista em um comentário da publicação de Flávio Bolsonaro em que um perfil bolsonarista divulga um vídeo feito por IA com uma imagem simulando Lulinha levando sacolas de dinheiro abaixo da frase “filho do Lula”.
No comentário são marcadas uma série de hashtags para engajar outros membros do gabinete do ódio, como LulaNaCadeia e LulaRoubaAposentados. O uso de um vídeo feito por Inteligência Artificial (IA) com Jair Bolsonaro motivou a troca de marqueteiros, após a ação ser contestada junto à Justiça Eleitoral.
Na última quinta-feira, o PT denunciou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma rede de 31 perfis laranjas ligada ao ecossistema digital da família Bolsonaro que, segundo a ação, usa inteligência artificial para produzir e espalhar ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estrutura reúne 1.464.245 seguidores compartilhados e 23.828 publicações, além de ter seus conteúdos impulsionados por Flávio Bolsonaro e outros políticos bolsonaristas com audiências milionárias.
A íntegra da representação protocolada no TSE aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os deputados federais Mario Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES), além de André Marinho, pré-candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro, como amplificadores de materiais produzidos originalmente por contas anônimas ou apócrifas.
A ligação com a família Bolsonaro aparece principalmente na atuação de Flávio Bolsonaro. O senador é formalmente representado na ação e, segundo a Federação, compartilhou vídeos criados pelos perfis investigados, mencionou páginas responsáveis pela produção dos materiais e levou os ataques contra Lula a milhões de usuários.
A petição não afirma que todos os 31 perfis sejam administrados diretamente pela família Bolsonaro. A denúncia sustenta que existe uma rede de contas anônimas ou apócrifas vinculada ao campo bolsonarista, que produz conteúdos contra Lula e recebe impulso, validação e audiência de Flávio Bolsonaro e de outros aliados políticos.
Parte das publicações também promoveria a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro enquanto associa Lula, o PT e integrantes do governo a crimes, corrupção e outras acusações depreciativas.
