Cleitinho desafia Republicanos e diz que será candidato ao governo de Minas

Cleitinho desafia Republicanos e diz que será candidato ao governo de Minas


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  • Senador Cleitinho (MG) declarou que será candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, contrariando a afirmação do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, em 29/04.
  • A assessoria de Cleitinho divulgou nota confirmando a candidatura, gerando confronto público com a direção do partido.
  • O Republicanos justificou a recusa alegando a ausência do senador na convenção estadual da legenda, realizada em 25 de abril.
  • Apesar do impasse, Cleitinho lidera as pesquisas de intenção de voto, enquanto o partido negocia aliança com Marcelo Aro (PP), ex‑secretário de Romeu Zema.

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), afirmou nesta quarta-feira (29), em entrevista à GloboNews, que o senador Cleitinho (MG) não será candidato ao governo de Minas Gerais em 2026.

Menos de uma hora depois, porém, a assessoria do parlamentar divulgou uma nota desmentindo a direção do partido e assegurando que ele disputará o Palácio da Liberdade.

O impasse explode justamente quando Cleitinho lidera todas as pesquisas de intenção de voto e o Republicanos já articula uma aliança em torno de Marcelo Aro (PP), ex-secretário do governador Romeu Zema.

Partido descarta candidatura, senador reage

Por volta das 10h20, Marcos Pereira confirmou à GloboNews que o Republicanos havia encerrado as discussões sobre uma eventual candidatura de Cleitinho ao governo mineiro. A posição foi reforçada em nota conjunta das executivas nacional e estadual da legenda.

Às 11h, veio a resposta.

A assessoria do senador divulgou um comunicado afirmando que Cleitinho será, sim, candidato ao governo de Minas, abrindo um confronto público com a direção do próprio partido.

Na nota oficial, o Republicanos atribuiu a decisão à ausência de Cleitinho na convenção estadual da legenda, realizada no último sábado (25).

Segundo o partido, a falta do senador “representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”. A nota ainda afirma que a legenda trabalhou para viabilizar a candidatura, mas que “faltou a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.

O episódio ocorre um dia após a divulgação da pesquisa Quaest, que mostrou Cleitinho liderando todos os cenários para o governo de Minas, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

O vídeo que aumentou a crise

Na terça-feira (28), Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que versões recriadas digitalmente de seu pai e de seu irmão, Mateus Azevedo, morto recentemente em decorrência de leucemia, aparecem incentivando o senador a “seguir em frente” e “fazer o que tem que ser feito”.

Nos bastidores do Republicanos, a publicação foi interpretada não como um gesto de confirmação da candidatura, mas como mais um sinal de hesitação.

Por que Cleitinho depende do Republicanos?

O impasse tem uma consequência jurídica importante.

Pela legislação eleitoral, candidatos precisam estar filiados ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição até seis meses antes do pleito. Para 2026, esse prazo expirou em 4 de abril.

Como Cleitinho estava filiado ao Republicanos nessa data, somente a legenda pode registrar sua candidatura ao governo mineiro.

Em outras palavras: mesmo que queira disputar a eleição, o senador depende da autorização do partido. A troca de legenda preservaria seu mandato no Senado, mas inviabilizaria uma candidatura ao Executivo estadual em 2026.

Republicanos aposta em Marcelo Aro

Enquanto o impasse se arrasta, o Republicanos já começou a reorganizar sua estratégia eleitoral.

Ainda nesta quarta-feira, a legenda anunciou apoio ao ex-secretário de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP), apontado como o principal nome para unificar Republicanos, PL e Progressistas em Minas Gerais.

A decisão foi consolidada durante uma reunião por videoconferência que reuniu Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro e o próprio Marcelo Aro.

Ex-deputado federal e vice-presidente nacional do Progressistas, Aro foi um dos principais articuladores políticos do governo Zema. Nos últimos anos, comandou duas secretarias estaduais e deixou o cargo em abril para disputar o Senado, mas mudou de estratégia diante da indefinição de Cleitinho.

PL perde a paciência

A demora do senador também passou a incomodar o PL.

A legenda aguardava uma definição para organizar o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, considerado um dos estados estratégicos da eleição presidencial.

Valdemar Costa Neto não escondeu o incômodo.

Segundo o presidente nacional do PL, Cleitinho “perdeu o timing”, “muda de ideia toda hora” e ainda desperta dúvidas sobre sua capacidade de vencer um eventual segundo turno.

Nos bastidores, dirigentes afirmam que a decisão já foi tomada.

“Passou o tempo”, resumiu um interlocutor da legenda.

A reunião entre Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro e Marcelo Aro consolidou a nova configuração da direita em Minas Gerais. Enquanto Republicanos e PL caminham para fechar uma aliança em torno de Aro, Cleitinho permanece em rota de colisão com o próprio partido e sem definição sobre o futuro político.






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