Nova arma da Rússia é pesadelo de ambientalistas

Nova arma da Rússia é pesadelo de ambientalistas


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  • A Rússia testou em 21 de outubro de 2025 o míssil balístico intercontinental 9M730 Burevestnik, movido a energia nuclear, no Círculo Polar Ártico.
  • O Burevestnik pode permanecer em voo indefinidamente, usando combustível nuclear de longa vida, permitindo manobras para escapar de defesas anti‑míssil.
  • A OTAN apelidou o projétil de “queda do céu”, alertando para seu potencial de contornar sistemas de defesa.
  • Ambientalistas temem riscos de contaminação atmosférica.

Um novo míssil balístico intercontinental (ICBM) testado pela Rússia pode se tornar pesadelo de ambientalistas: o 9M730 Burevestnik, movido a energia nuclear, tem alcance “infinito”.

Ou seja, depois de lançado pode voar indefinidamente em modo “espera”, uma vez que seu combustível nuclear tem vida longa.

Com isso, em tese, pode ser manobrado até evitar qualquer medida de defesa — ou esperar o deslocamento, por exemplo, de um alvo subterrâneo.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) batizou o míssil de “queda do céu”.

Em 21 de outubro de 2025 o míssil foi testado no Círculo Polar Ártico. Depois do lançamento, passou horas voando em círculo, obviamente sem a carga explosiva.

Dado tratar-se de segredo de Estado, pouco se soube então sobre o teste.

Analistas dos EUA

Dois especialistas do MIT, uma das universidades de maior prestígio dos EUA quando se trata de tecnologia, se debruçaram sobre os dados disponíveis.

Jake Hecla e R. Scott Kemp, ambos professores do MIT, concluíram tratar-se do primeiro objeto produzido por humanos que voa com propulsão nuclear, a uma velocidade próxima de um jato.

Hecla disse à rede pública NPR, dos Estados Unidos, que o reator pode liberar na atmosfera “grandes quantidades de isótopos radioativos de argônio, criptônio e carbono”. Ele também estima que o mini reator pode liberar mais radioatividade durante o vôo:

O ar atmosférico aquecido e comprimido é muito eficaz na erosão de componentes de motores.

A ideia não é necessariamente nova.

Nos anos 50 e 60 do século passado, os Estados Unidos e a União Soviética fizeram testes com reatores que poderiam fazer um avião voar quase indefinidamente.

A ideia não prosperou, por conta dos custos e riscos.

Arma do futuro?

Como a tecnologia para abater mísseis vem evoluindo bastante, os dois professores duvidam que a Rússia produzirá os Burevestnik em larga escala.

Na verdade, o teste teria como objetivo desenvolver a propulsão nuclear para usar, por exemplo, em satélites colocados na atmosfera.

O professor Jeffrey Lewis, que estuda foguetes e mísseis, concorda:

Isso é um pesadelo ambiental. Só a questão de como carregar um reator nuclear [em um míssil] com segurança já é em si um grande desafio.

O Burevestnik é uma das seis novas armas estratégicas da Rússia anunciadas com grande fanfarra por Vladimir Putin em 2018.

Outra delas, o míssil hipersônico Kinzhal, já teria sido utilizado e interceptado na Ucrânia, mas Moscou nega. O Kinzhal, no papel, voaria a mais de 14 mil quilômetros por hora, tornando a interceptação quase impossível.




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