Bo’ao: a pacata vila que transforma a economia global
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- O Fórum de Boao, realizado na vila de Bo’ao, Qionghai, ilha de Hainan (China), reúne líderes políticos, economistas e empresários para debater o desenvolvimento econômico da Ásia.
- Proposto por Fidel Ramos, Bob Hawke e Morihiro Hosokawa em 1998, o fórum foi inaugurado em 27 de fevereiro de 2001 com a adesão inicial de 29 países.
- Em 2026 o evento completou 25 anos, celebrando as “bodas de prata” da diplomacia asiática, e neste julho sediou o Seminário de Gestão em Turismo para os Países de Língua Portuguesa.
- Projeções do FMI para 2026 apontam que a China responde por 19,8% do PIB mundial em paridade de poder de compra, seguida pelos EUA (14,5%) e Índia (8,7%), destacando a relevância do fórum para as economias de maior crescimento.
Ainda que muitos brasileiros não conheçam a ilha de Hainan, na China, onde ocorre neste mês de julho o Seminário de Gestão em Turismo para os Países de Língua Portuguesa, ela abriga um dos mais importantes fóruns da economia global atualmente.
O Fórum de Boao, uma vila na cidade de Qionghai, no leste de Hainan, também é conhecido como Fórum para a Ásia. O evento reúne líderes políticos, economistas e empresários para debater o desenvolvimento econômico regional. A ideia nasceu em 1998, proposta pelo ex-presidente filipino Fidel Ramos, pelo ex-primeiro-ministro australiano Bob Hawke e pelo ex-primeiro-ministro japonês Morihiro Hosokawa, e foi formalmente inaugurada em 27 de fevereiro de 2001, com a adesão inicial de 29 países. Em 2026, o fórum completou 25 anos — um quarto de século que a própria organização tem chamado de “bodas de prata” da diplomacia asiática.
Contudo, neste domingo, tivemos a oportunidade de conhecer a sede do evento, que reúne lideranças da Ásia para discutir o futuro do desenvolvimento das economias que mais crescem no planeta: as do continente asiático.
Se a região já possui duas das três maiores economias do mundo em poder de paridade de compra — China e Índia —, há ainda outros países desenvolvidos e em desenvolvimento que têm atraído o centro nervoso do sistema econômico global mais para o leste. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional para 2026, a China responde por cerca de 19,8% do PIB mundial em paridade de poder de compra, seguida pelos Estados Unidos, com 14,5%, e pela Índia, que já ultrapassa a casa dos 8,7% e se consolida como a terceira maior economia do planeta por esse critério, puxada por uma demografia favorável e pela expansão industrial e do consumo interno.
Boao era uma pequena vila de pescadores na confluência do rio Wanquan com o mar. Escolher um local fora das capitais políticas garantiu um ambiente neutro, tranquilo e ecológico, ideal para o diálogo de alto nível sem a carga protocolar pesada de grandes centros urbanos. Hoje, a vila que era pouco mais que arrozais e barcos de pesca conta com rodovia expressa, ferrovia de alta velocidade e aeroporto próprio — símbolo do salto que também é contado pelo próprio fórum.
Além disso, após uma crise na economia de Hainan nos anos 1990, o Fórum foi visto como uma alavanca estratégica para projetar a ilha — que também é uma Zona Econômica Especial — globalmente, atrair investimentos e fomentar o turismo.
Delegação luso-brasileira em Boao
A decisão coincidiu com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001. O governo chinês apoiou fortemente a iniciativa como uma vitrine de sua política de abertura e cooperação regional. Foi também no palco de Boao que se desenharam iniciativas de peso regional, como a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB).
Hoje Boao representa uma alternativa asiática para o Fórum Econômico Mundial, instituição fundada em 1971 que marcou o avanço do neoliberalismo no Ocidente e segue ganhando ampla cobertura internacional. E talvez seja mais importante olhar para um pequeno e quente vilarejo no litoral da China do que na frieza de Davos.
