Por que as pesquisas econômicas perderam sua relevância – 27/07/2026 – Economia

Por que as pesquisas econômicas perderam sua relevância – 27/07/2026 – Economia


O relatório do PIB (Produto Interno Bruto) no final desta semana provavelmente mostrará que o crescimento econômico nos Estados Unidos mais uma vez superou 2%. Mas você não teria previsto isso pelas medições do humor popular. Os consumidores continuam gastando, mesmo que a diferença entre o que gastam e o pessimismo que expressam nas pesquisas nunca tenha sido tão alta.

Atualmente, as duas principais pesquisas de consumidores, do Conference Board e da Universidade de Michigan, estão em níveis baixos típicos de uma recessão, não de uma expansão estável. Na verdade, leituras de confiança mais baixas foram registradas apenas duas vezes nas últimas três décadas, incluindo durante a crise financeira global de 2008.

A mesma desconexão é visível em indicadores-chave de confiança empresarial. Várias vezes desde a pandemia, as pesquisas ISM de fabricantes e empresas de serviços sinalizaram uma recessão que nunca veio. As pesquisas empresariais mais recentes e abrangentes da S&P têm sido mais precisas, mas apesar de uma recuperação recente, todas essas leituras permanecem em níveis mais fracos do que o quadro real de crescimento.

As divulgações mensais de pesquisas ainda recebem muita atenção na mídia e em Wall Street, o que é um pouco estranho, já que os resultados estão essencialmente quebrados. Taxas de resposta em queda distorcem suas conclusões. As redes sociais parecem gerar descontentamento independentemente de quão rápido a economia esteja crescendo. Em um ambiente polarizado, eleitores partidários sempre acham que as condições são péssimas quando um partido rival está no poder. Por essas razões e outras, estudos recentes descobriram que a confiabilidade das principais pesquisas está caindo não apenas nos EUA, mas também na zona do euro e no Reino Unido.

Talvez o mais significativo seja que as pesquisas são naturalmente distorcidas pela desigualdade crescente. Diferentemente dos números agregados de crescimento do PIB, as pesquisas dão peso igual a cada respondente. Portanto, elas nunca vão capturar ou prever a extensão total do crescimento do PIB quando esse crescimento depende cada vez mais dos gastos de poucos. E é isso que está acontecendo agora. Nos EUA, os 10% mais ricos respondem por metade dos gastos do consumidor, contra um terço há três décadas. Não deveria ser surpresa que a maioria soe pessimista.

Depois de se ampliar por anos, a divisão política também atingiu extremos impressionantes. Por qualquer medida, da inflação ao desemprego, a economia dos EUA parece virtualmente a mesma este ano sob Donald Trump como era em 2024, o último ano sob o presidente Joe Biden. No entanto, a parcela de eleitores que dizem que a economia está em condições muito boas ou razoavelmente boas caiu nesse curto período de 70 para 5% entre os democratas, enquanto subiu de cerca de 5 para 70% entre os republicanos.

Desde 2016, o tom das notícias econômicas se “desvinculou” do crescimento do PIB e se tornou cada vez mais negativo, o que pode ajudar a explicar a fraqueza persistente no sentimento do consumidor, segundo um relatório da Brookings Institution. Ao mesmo tempo, ao exaltar os estilos de vida dos super-ricos, as redes sociais deram a quase todos um motivo para se sentirem inadequados em comparação.

Então veio uma reviravolta: nos últimos meses, a confiança começou a subir entre os americanos de renda mais alta à medida que as ações atingiram novos recordes, mas continuou a cair entre os consumidores de renda mais baixa, desgastados pela inflação mais alta. A parcela de consumidores que dizem estar em situação pior devido à inflação disparou desde a pandemia de 10 para 40%.

As pesquisas empresariais também estão se fragmentando. As principais pesquisas de manufatura focam em grandes empresas, que são mais capazes de lidar com as incertezas geradas pela inflação do que as pequenas. Recentemente, enquanto o ânimo dos grandes fabricantes se recuperou um pouco, pesquisas com pequenas empresas mostraram uma queda contínua, espelhando o humor dos consumidores de renda mais baixa.

Antes de sua recente alta, a pesquisa ISM estava em declínio em meio a um mercado em alta, o que é altamente incomum —e um indicador enganoso. Mesmo agora, as pesquisas de manufatura estão sinalizando retornos de mercado e lucros menores do que os resultados reais. O Federal Reserve também começou a duvidar do valor preditivo das pesquisas, dado que, como disse o ex-presidente Jay Powell, os americanos continuam expressando visões “pessimistas” sobre a economia “e depois saem e compram um carro novo”.

Isso é mais do que um caso de “vibrações ruins”, como alguns agora descrevem. Os resultados pessimistas das pesquisas refletem a frustração com falhas reais em um sistema que muitos veem como favorável às pessoas mais ricas e às maiores empresas. Portanto, até que o sistema mude e crie uma maior sensação de justiça, as pesquisas de sentimento econômico terão pouco poder preditivo.



Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *