mais de 70 mil hectares foram queimados, um recorde que continua a crescer
Em 2019, o número de incêndios na França disparou. Neste ano, atingiu um novo recorde, enquanto o país enfrentou três ondas de calor sucessivas, inéditas pela precocidade e pela intensidade. Nunca houve tantos incêndios na França quanto em 2026.
Jean-Baptiste Breen, da RFI
O verão de 2026 ainda está longe de terminar. Mesmo assim, a França já enfrentou um número inédito de incêndios. Um recorde alarmante, que chega a 312, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS). Mal são controladas, as chamas reaparecem em outro ponto, impulsionadas por um clima seco, consequência de três ondas de calor sucessivas.
Frequentemente visíveis do espaço, como em Sens ou Fontainebleau, em meados de julho, os incêndios consomem centenas de hectares, às vezes milhares. Mas mais do que o triste recorde batido neste ano, é o aumento sem precedentes do fenômeno ao longo de 20 anos que chama particularmente a atenção.
Apenas 12 incêndios em 2006
A curva é realmente impressionante. Em 2006, o EFFIS registrava 12 incêndios na França. Vinte anos depois, 312 focos já haviam sido identificados antes do fim de julho de 2026.
Entre 2006 e 2018, a média girava em torno de 22 incêndios por ano. Desde então, subiu para 235, consequência de uma aceleração cada vez mais rápida da mudança climática.
Nove em cada dez incêndios, alertam as autoridades, têm origem humana. Há casos de incendiários, inclusive, às vezes, entre bombeiros voluntários, mas gestos simples e impensados, como jogar um cigarro mal apagado, são suficientes para inflamar uma vegetação ressecada. Bastam alguns segundos para que as chamas saiam de controle.
Além disso, mesmo quando não é o responsável direto pelo início do fogo, o aquecimento global cria as condições ideais para esse tipo de cenário. Ele também permite que os incêndios ganhem uma dimensão inédita.
Mais de 71 mil hectares queimados
Na prática, a intensidade dos incêndios vem crescendo há vários anos, mas nunca haviam devastado tantas áreas na França quanto neste ano. Em coletiva de imprensa no sábado, 25 de julho, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, falou em um “recorde histórico”. Segundo ele, quase 98 mil hectares já foram consumidos pelo fogo somente em 2026.
Por questões metodológicas, os números do EFFIS ainda não estão totalmente alinhados aos da administração francesa. Ainda assim, eles refletem com precisão a dimensão inédita dos episódios de incêndio deste ano e corroboram as declarações do ministro. Segundo o EFFIS, mais de 71 mil hectares queimaram em 2026, quase o dobro do registrado no ano anterior, tudo isso antes mesmo do fim do verão.
Mais impressionante ainda: a soma de todos os hectares queimados na França entre 2006 e 2018 é inferior ao recorde deste ano. Nesse período de 12 anos, 68.410 hectares haviam sido destruídos. Desde então, quase 300 mil hectares foram reduzidos a cinzas em apenas sete anos.
Frequentemente citada pelos cientistas como uma das muitas consequências da mudança climática, a intensificação desses incêndios não dá sinais de desaceleração. Apesar dos alertas, numerosos e constantes, o efetivo dos bombeiros e o estado dos equipamentos disponíveis não acompanham a gravidade da ameaça. Em apenas duas semanas, três bombeiros perderam a vida tentando conter o avanço das chamas.
