CVM abre processo para apurar destituição de conselheiro da Vale
NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu nesta quinta-feira (23) processo para apurar a destitução do vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, anunciada pela companhia no fim da noite de quarta (22).
A autarquia já solicitou informações à mineradora, que acusa Gasparino de vazar informações sigilosas para a imprensa. A mineradora afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que não vai comentar o assunto.
Gasparino está na Vale há seis anos e disputou a presidência do conselho em assembleia de acionistas nesta quarta. Foi derrotado por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, que pautou a proposta de destituição em sua primeira reunião no comando do colegiado.
Ele se posicionou contra a troca de presidente da mineradora, apoiada pela Previ, a fundação que gere as aposentadorias dos funcionários do Banco do Brasil. Chamou a ofensiva da fundação sobre o então presidente do conselho de “aventura societária” e questionou a candidatura de Ollie.
Deixou tudo registrado em seu voto na reunião que aprovou a assembleia para substituir o antigo presidente do conselho, Daniel Stieler. Procurado pela Folha nesta quarta, ele disse que não comentaria o assunto.
É o segundo processo da CVM relacionado à sucessão no comando do conselho. No outro, a autarquia apura o pagamento de compensação financeira a Stieler, que chegou a resistir à pressão, mas renunciou ao cargo no início do mês.
Não há na política de remuneração da Vale a previsão de pacote compensatório pós-emprego a conselheiros, mas mesmo assim a empresa decidiu remunerar Stieler alegando que ele conhece informações sigilosas da companhia.
A empresa negou à CVM que fosse um acordo para que ele cedesse à pressão e disse que é um contrato de confidencialidade, não competição e não difamação. Como presidente do conselho da Vale, Stieler ganhava R$ 267 mil por mês.
A troca no comando do conselho ocorre a apenas oito meses do fim dos mandatos atuais, o que gerou surpresa entre investidores e analistas. Maior acionista individual da Vale, a Previ afirma que quer aumentar a independência do conselho.
A fundação acabou perdendo um assento no colegiado. Seu candidato à cadeira de Stieler, João Maurício Coelho, foi derrotado por Ieda Gomes, nome recomendado pelo conselho aos acionistas.
A destituição de Gasparino ainda precisa ser confirmada pelos acionistas, que serão convocados para nova assembleia.
