Roberto Carlos, Pedro Bial e Fátima Bernardes: famosos são vítimas de vídeos com IA para vender medicamentos
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O cantor Roberto Carlos é a vítima mais recente de criminosos que usam inteligência artificial para manipular a imagem e a voz de famosos e vender medicamentos. O artista alertou em suas redes sociais que não tem nenhuma relação com nenhum “tratamento, produto divulgado ou suposto médico mencionado” em vídeos que circulam na internet usando sua imagem de forma fraudulenta. Ele também pediu que o público não compartilhe o conteúdo falso.
“Quero deixar muito claro que esse vídeo é FALSO. Nunca gravei esse vídeo, não autorizei o uso da minha imagem ou da minha voz e não tenho nenhuma relação com o tratamento, produto divulgado ou suposto médico mencionado. (…) Além de enganar as pessoas, esse tipo de conteúdo pode causar prejuízos a quem acredita em informações falsas sobre saúde”, escreveu o artista em seu perfil no Instagram, na terça-feira, 22.
O caso do Rei não é isolado. Em alerta publicado na quarta-feira, 22, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que esse tipo de manipulação, chamada de deepfake, tem sido usada por criminosos para impulsionar vendas de produtos, muitas vezes clandestinos ou falsificados.
“Se você recebeu um vídeo ou áudio daquela atriz famosa ou de um líder cheio de carisma recomendando o uso de um medicamento ou de um suplemento alimentar, fique alerta: pode se tratar de adulteração da imagem ou da voz daquela pessoa para te enganar”, afirmou a agência.
Há dois anos, em janeiro de 2024, o apresentador Pedro Bial também comunicou em suas redes sociais que seu rosto e sua voz estavam sendo usados sem autorização em uma propaganda de remédio contra calvície na internet.
Na mesma época, Fátima Bernardes comentou a publicação de Bial, afirmando que, no caso dela, a propaganda falsa era de um “remédio” associado à promessa de emagrecimento. “Nunca fiz anúncios de tais produtos”, disse a apresentadora. Na mesma ocasião, Tiago Leifert contou que também estava sendo vítima de “anúncio falso de remédio e loteria”.
Outra vítima das deepfakes de saúde é o médico Drauzio Varella. Em 2023, por exemplo, circularam no TikTok vídeos em que o médico aparece supostamente indicando gotinhas milagrosas para manter a pele jovem e bonita. Embora a voz seja semelhante a dele, o vídeo é falso e se trata de uma montagem com uso de IA para clonar a voz do médico.
Fique atento
A Anvisa alerta que é importante checar o conteúdo antes de acreditar em sua mensagem, principalmente quando o assunto é saúde. “É importante NÃO confiar inadvertidamente em conteúdos veiculados por meio de aconselhamento: a saúde humana é algo extremamente sério e um produto indicado para um paciente não serve para toda e qualquer pessoa. Os históricos clínicos variam de pessoa para pessoa, assim como as doenças preexistentes e a interação com outros medicamentos que cada uma usa em sua rotina”, afirma o órgão.
Além disso, mesmo se a indicação de um tratamento foi compartilhada pelo perfil de um médico, ainda é preciso tomar cuidado. Anúncios publicitários enganosos têm usado médicos criados por IA para disseminar curas “milagrosas” nas redes sociais, sejam medicamentos, suplementos alimentares ou outros produtos para saúde.
Veja abaixo algumas dicas da Anvisa para não cair em conteúdo fraudulento:
- Checar as credenciais (como nome e número do registro) do profissional de saúde no site do conselho profissional daquela categoria. No caso dos médicos, a consulta pode ser feita pelo site do Conselho Federal de Medicina (CFM). De acordo com a Resolução 2.336/2023 do CFM, ao divulgar conteúdos médicos em redes sociais, o profissional deve se identificar com o número de registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) e estado, além do número RQE, aplicável a profissionais da medicina que possuem especialidade em alguma área de atuação;
- Cuidado com as propagandas de “solução 100% natural e sem riscos”. A Anvisa alerta que esse é um apelo muito usado em propagandas enganosas e reforça que, mesmo os medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais podem provocar problemas à saúde quando usados de forma indevida e devem estar regularizados junto à Anvisa;
- Produtos comercializados como “químicos experimentais” ou para “fins de pesquisa” NÃO podem ser vendidos. A agência aponta que a utilização dessas nomenclaturas é, na maioria das vezes, uma tentativa de enganar o consumidor;
- Suplemento para tratar ou curar problemas de saúde? Alerta de golpe! Esses produtos são destinados a pessoas saudáveis, para a suplementação de nutrientes, substâncias bioativas, probióticos ou enzimas, e não é admitido relacioná-los com alegações de cura, tratamento e prevenção de doenças ou agravos;
- Checar a regularidade dos produtos. Com os dados do medicamento em mãos, a consulta pode ser feita até mesmo pelo celular no site da Anvisa. No caso dos suplementos alimentares, informações sobre a regularização dos produtos estão disponíveis neste site.
O uso de substâncias que não passaram por avaliação da Anvisa pode provocar riscos graves à saúde. Sem essa avaliação, não há garantias sobre a segurança para uso humano ou eficácia.
“NÃO se deixe levar por modismos alardeados em redes sociais. Muitas vezes, alguns influenciadores são contratados por uma marca para impulsionar vendas ou captar novos clientes. Mesmo quando agem motivados por boa-fé, é importante lembrar que nem toda pessoa que cria conteúdo conhece as particularidades do quadro de saúde de cada indivíduo”, acrescenta a agência.
Em caso de dúvidas sobre tratamentos ou medicamentos, a orientação de um profissional de saúde habilitado e qualificado continua sendo a forma mais segura de tomar uma decisão.
