Filomena mantém viva a arte do linho na EXPOH – Notícias de Coimbra – NDC
Adicione como
fonte preferencial no Google
Há mais de uma década que Filomena Macieira marca presença na EXPOH, em Oliveira do Hospital, levando consigo uma arte cada vez mais rara: o bordado em linho feito totalmente à mão. Herdada do avô e mantida ao longo de várias gerações, a tradição continua viva graças ao trabalho diário da artesã e da prima, mas o futuro é incerto.
Em declarações ao Notícias de Coimbra, Filomena explica que esta é uma história de família, que começou de forma pouco habitual.
“Isto surgiu através do meu avô materno, que veio do Brasil. Depois a minha mãe continuou, a minha tia e, a seguir, fui eu. Agora somos eu e a minha prima que trabalhamos nisto.”
O avô, recorda, tinha um percurso ligado à moda no Rio de Janeiro. “Ele tinha duas lojas no Rio de Janeiro e bordava as roupas que fazia. Depois veio para Portugal, casou e continuou a bordar.”
“É tudo feito à mão. Nem sei bordar à máquina. Sou eu e a minha prima que fazemos tudo.”
Embora mantenha as peças mais tradicionais, Filomena procura adaptar-se aos novos tempos para conquistar públicos mais jovens.
“Estamos a diversificar e a apostar também em sacos bordados, para tentar que a juventude dê mais valor ao nosso trabalho. As peças antigas já não despertam tanto interesse.”
O bordado ocupa praticamente todo o dia da artesã. “Tomo o pequeno-almoço com a família, vou para o ateliê, volto para almoçar e depois regresso ao trabalho até quase à hora do jantar. São muitas horas, mas faz-se com gosto.”
Sem loja física, vende as suas peças sobretudo em feiras e através do ateliê que mantém em Catraia de São Paio.
“Quem quiser encontrar-me sabe onde estou. É em minha casa.”
Na EXPOH, Filomena espera repetir o sucesso da edição anterior, mas garante que, mais do que as vendas imediatas, valoriza a divulgação do seu trabalho.
“O importante também são as encomendas que ficam. Dar a conhecer aquilo que fazemos é muito importante.”
Apesar de reconhecer que há cada vez menos bordadeiras, Filomena acredita que esta arte voltará a ser valorizada.
“As bordadeiras estão a desaparecer. Um dia isto vai ser muito valorizado, porque deixa de haver quem faça este trabalho.”
No entanto, admite que a continuidade da tradição na família não está garantida.
A filha vive no estrangeiro e, embora o filho tenha aprendido a bordar quando a acompanhava nas feiras, acabou por seguir outro caminho.
“Ele sabe bordar, mas deixou isso. Por isso, quando eu acabar… isto acaba.”
É com essa consciência, mas também com orgulho pelo legado que mantém vivo, que Filomena continua a mostrar o seu trabalho na EXPOH, preservando uma arte que resiste ao tempo pelas mãos de quem ainda a faz com paciência, dedicação e paixão.
