Comércio entre África e China cresce 19,6% no 1º semestre de 2026, com dois meses de tarifa zero

Comércio entre África e China cresce 19,6% no 1º semestre de 2026, com dois meses de tarifa zero


As exportações de países africanos para a China cresceram 22,1% no primeiro semestre de 2026, período em que entrou em vigor, em 1º de maio, a política chinesa de tarifa zero para produtos de 53 países do continente. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (22) pela diretora da Administração Geral de Alfândegas da China, Sun Meijun, durante coletiva de imprensa do Escritório de Informação do Conselho de Estado. No mesmo período, as exportações chinesas para a África avançaram 17,3%, enquanto o comércio bilateral alcançou cerca de US$ 158,3 bilhões, alta de 19,6% em relação ao primeiro semestre de 2025.

A alfândega chinesa implantou um chamado “canal verde” para produtos agropecuários africanos. O mecanismo classifica os países de origem em três faixas de risco: os de baixo risco têm suas cargas liberadas em até 48 horas, com inspeção por amostragem; os de alto risco seguem com inspeção em cada carregamento. Antes do canal verde, o prazo de autorização chegava a dez dias. Frutas, carnes e outros produtos que exigem cadeia de frio têm processamento prioritário.

O vice-diretor do órgão, Wang Jun, apresentou como modelo o processo de liberação sanitária do durian. Desde 2022, a China aprovou importações da fruta de cinco países do Sudeste Asiático, e os volumes chegaram a mais de 1,8 milhão de toneladas em 2025, o dobro de 2022. O procedimento serve de referência para as negociações em curso com produtores africanos de frutas tropicais e proteínas animais que ainda aguardam aprovação sanitária.

Em 2025, a China se manteve como maior parceira comercial da África pelo 17º ano consecutivo. As exportações africanas ao mercado chinês concentram-se em petróleo, minerais e produtos agrícolas. Cacau, café, castanhas, frutas tropicais e proteínas animais figuram entre os itens que mais se beneficiam da eliminação de tarifas.

Ao todo, 63 países têm tarifa zero

Dos 53 países africanos com relações diplomáticas com Pequim (todos menos Essuatíni), 33 já tinham tarifa zero antes de maio, todos classificados como países menos desenvolvidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1º de maio, mais 20 foram incluídos, entre eles Nigéria, Egito e África do Sul. A China mantém hoje acordos de tarifa zero ou preferencial com 63 países no total, segundo Sun Meijun.

A diretora anunciou que a próxima etapa é avançar na harmonização de procedimentos: reconhecimento mútuo de certificações sanitárias, alinhamento de regras de origem e simplificação do registro de produtos nos sistemas aduaneiros chineses.

No primeiro semestre, a Alfândega aprovou o acesso de 264 variedades de produtos agrícolas e alimentícios de 79 países, ampliando para mais de 150 o número de países com autorização para exportar alimentos à China.





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