Só acordo vai melhorar relação Brasil-EUA, diz ministro – 22/07/2026 – Economia

Só acordo vai melhorar relação Brasil-EUA, diz ministro – 22/07/2026 – Economia


O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) em entrevista à rádio BandNews FM que a vitória de um candidato da direita não melhoraria a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, algo que apenas um acordo poderia fazer.

“Nada vai fazer, independentemente de resultado de eleição, que melhore essa relação, senão um acordo”, afirmou o ministro, logo depois de dizer que os Estados Unidos buscam reestabelecer uma área de influência na América Latina. “Aí eu acredito na necessidade, na obrigatoriedade de realizarmos um acordo”.

Entraram em vigor nesta quarta-feira as novas tarifas de 25% aplicadas pelos EUA com base em uma investigação que acusou o Brasil de lançar mão de práticas comerciais injustas. A sobretaxa ameaça cerca de R$ 55 bilhões em exportações brasileiras aos EUA.

Elias Rosa voltou a dizer que a sobretaxa não dá ao Brasil “o direito de perder a razão” e afirmou que, para acionar a Lei de Reciprocidade, o governo precisa primeiro calcular o tamanho do impacto das novas tarifas, e depois dimensionar qual medida poderia corresponder a uma resposta equivalente.

“Para produzir a reciprocidade você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque se não você perde o controle da negociação”, afirmou o ministro. “O Brasil vai usar esse instrumento quando for necessário.”

Essas falas se somam a o que disse ontem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) –” [no] olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos– e representam um recuo na posição inicial do governo Lula (PT), que falava em acionar imediatamente os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade.

A lei permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras injustificadas aos produtos brasileiros, e também abre espaço para consultas diplomáticas entre os países envolvidos, resultando em uma saída negociada.

Questionado por jornalistas sobre os bastidores da negociação, Elias Rosa narrou que uma divergência grave entre os presidentes Lula e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, durante visita diplomática em maio deste ano, teria sido o pontapé inicial para as negociações mais recentes em torno da investigação comercial.

“A negociação paralela decorreu da visita que fizemos lá em maio, porque na discussão no Salão Oval houve uma divergência grave na questão das tarifas. O presidente Trump e o embaixador Greer com uma tese, e o presidente Lula e eu com uma tese totalmente diferente”, contou Elias Rosa.

“É óbvio que saímos dali sabendo que nós não fecharíamos um acordo dentro de 30 dias, mas eu saí acreditava na possibilidade de um entendimento, e acho que o embaixador Greer também acreditava.”



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