Sem procedimentos, Alexandre Borges acende debate sobre envelhecimento
Aos 60 anos, Alexandre Borges voltou aos holofotes ao comentar, com naturalidade, sobre o próprio envelhecimento. Em entrevista recente, o ator afirmou que não faz procedimentos estéticos e admitiu sentir o impacto da idade ao olhar para o espelho.
A declaração repercutiu nas redes sociais e trouxe à tona um debate que cresce entre o público masculino: é possível envelhecer bem sem recorrer a intervenções estéticas?
Se antes a preocupação com a aparência era associada principalmente às mulheres, hoje cada vez mais homens buscam tratamentos para suavizar os sinais do tempo. No entanto, especialistas afirmam que a medicina estética moderna mudou de foco. Mais do que rejuvenescer, o objetivo é preservar a identidade facial e tratar alterações que possam comprometer a harmonia do rosto, sem apagar as marcas naturais da idade.
Cuidado com a aparência
Segundo o cirurgião plástico facial e otorrinolaringologista André Baraldo, aceitar o envelhecimento não significa deixar de cuidar da aparência.
“Envelhecer é um processo natural e inevitável. Os procedimentos estéticos não existem para apagar a idade, mas para suavizar sinais que podem transmitir uma aparência de cansaço ou tristeza que nem sempre corresponde à forma como a pessoa se sente. O mais importante é respeitar a identidade do paciente e evitar exageros”, afirmou.
Transformações no organismo
As mudanças provocadas pelo envelhecimento vão muito além das rugas. Com o passar dos anos, a produção de colágeno diminui, há perda de gordura facial, os ligamentos ficam menos resistentes e a pele perde firmeza. O resultado é uma alteração gradual do contorno da face, que passa a apresentar flacidez e perda de definição.
Para Fernando Molina, especialista em cirurgia plástica da face, essas transformações fazem parte da biologia do envelhecimento e acontecem em todos os rostos.
“A partir dos 40 anos, começa uma redução progressiva da sustentação dos tecidos da face. O rosto perde definição, a pele se torna menos firme e algumas estruturas passam a sofrer a ação da gravidade. Isso acontece com todos, em maior ou menor intensidade”, pontuou.
Mudanças no nariz
Entre essas alterações, uma costuma surpreender muitos pacientes: o nariz também envelhece. A impressão de que ele fica maior ou mais comprido ao longo dos anos é comum, mas nem sempre está relacionada a um crescimento da estrutura.
De acordo com o otorrinolaringologista e cirurgião da face Guilherme Scheibel, fundador do Instituto Scheibel e criador do Método Scheibel de Rinoplastia Escultural, o que ocorre é uma perda gradual da sustentação dos tecidos que dão forma ao nariz.
“Não é que o nariz simplesmente ‘despenque’. O que acontece é um enfraquecimento gradual dos tecidos que sustentam a ponta nasal, incluindo cartilagens, ligamentos e pele”, contou, antes de completar:
“Com isso, a ponta perde parte da projeção e tende a assumir uma posição mais baixa ao longo dos anos. Essa é uma mudança natural do envelhecimento facial e pode variar bastante de uma pessoa para outra, dependendo das características individuais”, explicou.
Outros detalhes
Além da pele, as cartilagens também sofrem alterações estruturais com o passar do tempo, o que modifica tanto a aparência quanto, em alguns casos, a função respiratória.
“As cartilagens nasais passam por um processo natural de envelhecimento, perdendo parte da resistência e da capacidade de sustentação. Isso pode modificar o formato do nariz e, em alguns pacientes, interferir também na função respiratória. Por isso, quando avaliamos um paciente mais maduro, não observamos apenas a aparência externa, mas também a qualidade dessas estruturas internas”, observou.
Não há alterações isoladas
Segundo Fernando Molina, o envelhecimento da face deve ser analisado como um conjunto, e não como alterações isoladas: “Quando um procedimento é bem indicado e executado, o paciente continua sendo reconhecido como ele mesmo. O foco deve ser restaurar proporções e suavizar alterações do envelhecimento, nunca transformar completamente o rosto”, relatou.
Nos últimos anos, a procura masculina por procedimentos estéticos cresceu significativamente, mas também mudou de perfil. Em vez de resultados marcantes, a maioria dos pacientes busca intervenções discretas, capazes de preservar as expressões e proporcionar um aspecto mais descansado.
Para André Baraldo, esse é justamente o principal objetivo da medicina estética contemporânea: “O homem passou a entender que cuidar da aparência não significa perder masculinidade. Existe uma procura crescente por procedimentos discretos, que melhorem a qualidade da pele e a harmonia facial sem que as pessoas percebam exatamente o que foi feito”, comentou.
Individualidade dos pacientes
Mesmo quando existe indicação cirúrgica, o planejamento deve respeitar as características individuais do paciente: “Quando existe indicação, a rinoplastia pode reposicionar estruturas, reforçar a sustentação da ponta nasal e preservar ou melhorar a função respiratória”, disse Guilherme Scheibel.
E prosseguiu: “O mais importante é realizar um planejamento personalizado, respeitando a anatomia e as características de cada paciente, para alcançar um resultado natural e duradouro”, aconselhou.
Os especialistas ressaltam que nenhum procedimento substitui hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física, proteção solar e boa qualidade do sono. Esses fatores continuam sendo os principais aliados para retardar o envelhecimento da pele e preservar a saúde da face.
Ao falar abertamente sobre a chegada dos 60 anos, Alexandre Borges também evidencia uma mudança de comportamento. Em uma sociedade que valoriza cada vez mais a juventude, especialistas defendem que envelhecer não deve ser encarado como um problema a ser escondido, mas como um processo natural que pode ser acompanhado por cuidados individualizados, sempre respeitando a identidade e a história de cada rosto.













